segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O emplastro de inhame com gengibre (e argila)

Em um dos primeiros livros de Sonia Hirsch que li, receitava-se um emplastro de inhame com gengibre como o único remédio-tratamento existente para unhas encravadas.
Como eu sofro de uma única e miserável unha que encrava repetidamente desde minha mais tenra infância, tentei e me dei bem.
No dia seguinte, o dedo estava desinchado, molinho, sem latejar e foi só retirar o pedaço que crescia para dentro com a tesourinha de unha.
Fazer o tal emplastro como na receita tradicional não era simples: rala-se (a mão) o inhame cru com 10% da sua parte em gengibre igualmente cru ralado. Fica com consistência de cenoura-beterraba crua ralada, que não é exatamente algo de imediata aderência na pele. Então, eu precisava fazer uma trouxinha com gaze para aplicar no local e deixar por pelo menos 2 horas. O ideal são 4.

Os anos passaram, já instalada na vida online e com esse blog a pleno vapor, em grande parte graças à própria Sonia, uma esteticista chamada Cida Comoti apareceu com um blog chamado "Faz bem, é fácil e natural", hoje fora do ar, onde propalava maravilhas sobre esse emplastro justamente na área dela, estética.
Eu já havia lido sobre outras aplicações do emplastro de inhame com gengibre nos próprios livros da Sônia, já que o emplastro é do tipo "puxa tudo" e era igualmente indicado como técnica complementar de cura para furúnculos, cistos, verrugas, tumores, verminoses e até fungos. Enfim, tudo que tem que sair, mas as vezes entope.
Cida, que obviamente pensa como esteticista, resolveu aplicar nas costas de uma paciente com acne crônica, uma moça jovem que nunca havia usado um tomara que caia de tanta vergonha de espinhas imensas que mais pareciam pústulas e iam de um ombro a outro. O tratamento funcionou divinamente e Cida partiu para o uso do mesmo emplastro em outros clientes, conseguindo grande melhora em diversos problemas tradicionais de pele, como manchas de sol, melasmas, rosáceas, poros dilatados, excesso de "cravinhos pretos" e claro, acne crônica.

Relatou Cida em seu antigo blog que fazia a limpeza de pele tradicional, com suas esfoliações, vapores e extrações, mas que aplicava o emplastro e recomendava o mesmo aos clientes, que relatavam maravilhas com o passar do tempo.
E mais uma vez, os vícios de nossas profissões revelaram-se benéficos, Cida havia desenvolvido uma técnica de tornar o emplastro mais homogêneo e de rápida aplicação: batia tudo no liquidificador.
Adorei a ideia e parti para a prática. Na primeira vez, não consegui bater nada, afinal inhame e gengibre são 2 sólidos muito firmes, que ficaram sambando de um lado para o outro do meu liquidificador.
Juntei um pouco de água antes que o motor do liquidificador fundisse e, apesar de bem batido e homogêneo, ficou um pouco ralo, o que por sua vez, atrapalhava a aplicação. Eu colocava no rosto, deitava e escorria tudo, muitas vezes na minha vista, causando ardência e tornando o tal tratamento um caos.
Lembrei então de uma antiga recomendação de Sônia, que sugeria juntar um pouco de farinha para dar liga caso as raízes raladas ficassem dispersas.
Eu não tinha farinha em casa, mas tinha argila e uma luz acendeu na minha mente:
"Se eu já faço máscaras faciais de argila dissolvida em água (ou babosa) e preciso de qualquer coisa parecida com farinha que dê liga no emplastro de inhame, como seria se eu substituísse a farinha pela argila? Ora, é melhor do que pó de gesso e eu vou estar fazendo 2 tratamentos de beleza de uma única vez!"
Claro que deu certo, pareciam feitos um para o outro e desde então, nunca mais fiz uma máscara simples de argila nem fiquei desesperada com trouxinhas de gaze ou a vista ardendo. Mas quem estiver atravessando depurações mais sérias do que unhas encravadas e meras razões estéticas, deve aplicar o emplastro o mais puro possível, não é o momento de inventar moda. E nada substitui uma consulta ao seu médico, um emplastro é sempre um tratamento complementar.


As máscaras faciais de argila são populares pela mesma razão desse emplastro de inhame com gengibre, porque a argila é o principal composto da geoterapia no quesito desintoxicação: tratamento tradicional para verminose e infestação por fungos é ingerir em jejum um copo de água com 1 colher de sopa de argila decantada ao longo da noite. Se puxa de dentro para fora na sua barriga, faz o mesmo na sua pele. Não importa se o que você está querendo puxar é um tumor no seio, solitárias no intestino ou os cravinhos do seu rosto, todos os três tem que sair. E esse emplastro ajuda muito qualquer tratamento médico convencional. Pense que se vai entrar na faca para extrair o tal tumor, não seria muito melhor se o mesmo já estivesse mais superficial? Você no mínimo vai sofrer uma incisão menor e ter uma recuperação muito mais rápida.
Remédio antigo para mazelas diversas: Elixir de inhame depurativo, para limpar de dentro para fora e aliviar a barra do fígado, que filtra tudo. Observe que na moda dos sucos verdes, não demorou para juntarem um pedacinho de inhame cru à couve com maçã e afins. Na postagem sobre cosméticos verdes e dicas da vovó (linkada abaixo em mais informação), você vai poder ler melhor sobre a relação "só se deve passar na pele o que se pode colocar na boca", a pele é uma esponja e o maior órgão do corpo humano.


Nas fotos abaixo o passo a passo para uma vida mais simples:

Inhame e gengibre crus, você não vai precisar desse gengibre todo e a proporção correta aparece na foto seguinte. Faça uma linda jarra de água aromatizada com o gengibre que sobrar.



1 parte de gengibre para 10 de inhame, ou 1 parte de inhame e sua décima parte (10%) em gengibre. Tudo cru e picado para bater no liquidificador com o mínimo de água. O suficiente para o motor não fundir antes do creme ficar homogêneo. Como você pode ver, eu não descasco nada.





O emplastro de inhame com gengibre batido com água na parte superior da foto abaixo. Repare na mesma fotografia que mina um pouco de água e a consistência mais rala vai pedir uma trouxinha de gaze para ficar no lugar desejado sem vazamento.
Na parte inferior da foto, um creme firme engrossado com a argila branca que aparece no centro, em pó.
Eu gosto da proporção meio a meio, uma parte de emplastro já pronto para outra igual em argila em pó, que pode ser branca, verde, negra, vermelha... da cor que você quiser. Por coincidência, eu tinha da argila branca e o emplastro engrossado ficou com a mesma cor do emplastro ralo, mas o tipo de argila não faz uma diferença tão grande. Vale até obter argila a partir de um caco de tijolo ralado.




Aplicada uniformemente e com ótima consistência firme no meu rosto, que assisti à Cerimônia do Oscar 2015 com as perninhas para cima deixando a máscara agir. Como tudo que é de argila, a máscara-emplastro seca e fica parecendo uma parede de adobe em pau a pique. Se ainda encontrar alguma área úmida, espere e deixe agir, mas geralmente não leva mais de 2 horas. 
Para usos medicinais, como unhas encravadas, cistos e tumores, você pode isolar a área com gaze e deixar agir por uma noite toda. Deve também deixar o seu emplastro o mais puro possível, já que a ideia da argila é só engrossar e facilitar em termos estéticos. O tratamento medicinal pede mais do inhame com gengibre e tem que permanecer no local por 4 horas e, se for o caso, ser substituído por novo emplastro sucessivamente.
Não vale a pena tentar driblar - é a sua saúde, não uma questão de vaidade e praticidade.




Pele uniforme e sem manchas aos 39 anos. Sem histórico de botox, peelings profundos, preenchimentos ou quaisquer outras intervenções comuns em mulheres da minha idade. O único produto recomendado pela minha dermatologista do plano de saúde, mas com PhD pela Universidade de Cornell em NY, foi o protetor solar fator 50 de marca que não testa em animais.
Por via das dúvidas, eu lavo bem o rosto com sabonete neutro da Phebo Granado, aplico antes de dormir um antissinais em rolo da Nivea só para a região dos olhos e, quando removo a maquiagem, uso uma manteiga de cacau orgânica lá do sertão com algodãozinho molhado. As vezes, faço uma esfoliaçãozinha caseira de sal grosso com azeite porque tenho a pele mais para oleosa antes desse emplastro, mas quem não tiver, pode ir direto para o emplastro. Estando mais abonada, compro umas coisinhas quase iguais as que faço em casa e citei acima, só que da Lush. Pela farra, coisa de menina. Mas a dermato não receitou nada além do protetor 50 da Dermage, nem recomendou botox ou preenchimento, quanto mais uma repuxada em lifting. Se é do tipo que sente muita falta de base e pó compacto, pode comprar seu pó-base com proteção solar, é uma opção para quem mora em lugares mais secos e frios. Mas eu adoro deixar minha pele respirar livremente.





Em algum livro da Sônia ("Só para mulheres" se não estou enganada), ela ensina uma espécie de massagem-ginástica facial antirrugas para os pés de galinha. Consistia em esfregar as mãos uma contra a outra, para energizar. Depois, com o indicador, espalhar o creme na região das pálpebras de dentro para fora umas 30 vezes apertando o ponto externo, que não tinha um lugar certo, mais ou menos onde acaba o delineador (a área da repuxada do cirurgião plástico). Tinha que fazer na pálpebra superior e inferior, 30 cada em cada olho. Na primeira vez, demora, depois você passa a fazer com agilidade. Eu adotei uma época e, coincidência ou não, notei que era mais paquerada. Parece que os olhos arregalam e seu olhar chama realmente mais atenção.

Fiz propositalmente uma maquiagem muito carregada depois do emplastro para mostrar que uma pele bem tratada (de forma simples, fácil e natural como defende Cida) não demanda fortunas, tampouco exige dúzias de produtos como tônicos bifásicos, fluidos, seruns e primers. Você pode aos 40 anos sair de cara lavada, basta estar com a pele em dia.
Se acompanha esse blog, sabe que eu já trabalhei em plataformas offshore e canteiro de obras, passei férias em reservas indígenas, pratico natação, mergulho esporadicamente e não me privo de praia por causa de nada, principalmente por um padrão de beleza inatingível.
Acredito sim que um banho de mar faz milagres, na pele e cabelos principalmente. Ainda vão descobrir as propriedades do iodo na saúde humana e deve ser por isso que os japoneses consomem tantas algas marinhas.



Abaixo, fotos mais antigas, em um salão de beleza, recebendo a única maquiagem profissional que contratei até hoje, foi para um casamento muito formal e não achei válido. Foram horas de quilos de produtos em pó no meu rosto seguindo supostos traços que mudariam ângulos e afinariam determinadas áreas, 3 cores de sombra aplicada a batidinhas e um batom que não fez minha cabeça. Nunca mais voltei a fazer maquiagem profissional. Comparando essas fotos, gosto mais da minha pele limpa e nem vejo que tanta química tenha sequer reduzido as minhas olheiras, que dirá rejuvenescer.
Quando a ocasião pede, faço o emplastro antes de sair de casa e lavo com água gelada para chegar arrasando com o que considero o mais importante: uma pele viçosa e com brilho natural, sem aquela cara fake de porcelana.




Em situações especiais, faça um olho bonito (no seu gosto), escolha seu baton favorito e leve um pó compacto na bolsa só por via das dúvidas, afinal todo mundo sua. E, dependendo do caso, talvez você não precise nem de blush.

Primer aqui em casa é uma coisa produzida pela Suvinil que eu aplico nas paredes antes da pintura, para esconder os retoques da massa corrida. No meu rosto, além dessa vez esquisita, nunca mais passou primer nenhum.

Na primeira foto, pós emplastro caseiro e naquela iluminação impiedosa do banheiro, estou usando: máscara (rímel) preta, lápis delineador preto, lápis de sobrancelha preto e baton laranja, que comparado ao que uso no dia a dia é quase um delírio teatral. Só isso. Para ficar com esse carão quase carnavalesco, não tem corretivo, nem sombra ou qualquer iluminador, base líquida, pancake, blush, lápis de contorno de boca, etc. E estamos falando de uma maquiagem declaradamente pesada, mas feita em menos de 5 minutos.
Tive o cuidado (pelo prazer da provocação) de não aplicar nada que camufle, esconda, corrija, ilumine - restringi-me justamente aos olhos e boca, sem mexer na pele, mesmo que a das pálpebras.
Maquiagem carregada, mas de cara lavada, porque nada é mais bonito do que a pele naturalmente bonita. Repare na primeira foto que o cabelo ainda está molhado da chuveirada para retirar a máscara-emplastro.

Cá entre nós, eu até gosto de sombra, só não sinto que faça parte do meu mundo, parece que vai esfarelar no meio da festa... Corretivo eu só uso de vez em nunca, quando acordo com cara de segunda-feira, mas prefiro usar à noite porque acho que fica over durante o dia. Se a pele estiver boa, vai refletir mais luz e fazer as olheiras diminuírem. E eu tenho olheira, não nasci linda nem tenho mais 17 aninhos.

Os produtos daqui de casa são todos de marcas que não testam em animais e podem ser encontrados em preços acessíveis: os lápis de olhos da Quem disse Berenice, baton na cor orange de efeito mate da Contém 1gr e a máscara (rímel) preto da Elke Maravilha à venda nos supermercados pelo preço de um pacote de biscoitos (e porque todos amamos Elke escancaradamente). E se é maquiador, deve ter notado que eu não entendo nada da técnica, quebro um galho e sigo em frente, sem neura. Só tomo o cuidado de não aparecer no jornaleiro com essa sobrancelha marcada, é claro.



Como sempre: não sou da área médica e, mesmo que quisesse, não poderia nem em sonhos substituir seus profissionais. Esse blog, que é amador e nunca me rendeu um centavo, só relata minhas experiências pessoais, mais feitas de erros do que de acertos. E, na minha modesta opinião, para uma pele bonita nada substitui dormir pelo menos 7hrs e beber no mínimo 2 litros de água diariamente. Banho frio e passar longe de lácteos, açúcar e carboidratos refinados. Estando em condições normais de saúde, misshoshiro, água de coco, azeite do bom, muitas frutas e carnes só com parcimônia.
Exercícios leves para manter a circulação em dia, ou pesados se você curtir, também fazem toda diferença. Sempre o que te der prazer, para odiar uma aula de spinning, eu fico com um passeio de pedalinho na lagoa seguido de uma noite na gafieira. Mas eu não faço a menor questão de parecer que tenho 20 anos, não tive crise aos 30 e provavelmente não vou ter aos 40.


Outras opções: Ciclovivo: 5 solucões naturais para manchas e queimaduras de sol




Mais informação:
Outras curas
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Vá pegar uma praia!
Fazendo baton em casa
Desodorantes veganos sem alumínio
"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas da vovó
Como funciona a indústria de cosméticos: toxidade e poluição irregulares

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

CEDAE: Está vazando água há 4 dias no Hospital Universitário Gafrée Guinle!

Na quinta-feira passada, dia 05 de fevereiro às 18:30, passei pela porta do Hospital Universitário Gafrée Guinle, um hospital público que abriga a Escola de Medicina da UNI-RIO (Universidade Federal) e é centro de referência em tratamento de soropositivos com farmácia social e farta distribuição dos medicamentos que compõe o coquetel aos pacientes cadastrados, e vazava água em ritmo de hidrante destravado para mangueira dos bombeiros. Já passava do horário comercial e alguns funcionários sem qualificação, como vigilantes terceirizados, tentavam conter o vazamento de boa vontade mas sem qualquer sucesso.

Do meu celular, liguei para o 0800 do site da "Nova CEDAE" e o serviço não atendia à celulares. Liguei para a Polícia em ligação gravada que me mandou ligar para o Serviço de Auxílio às listas (102) e me informar sobre o mesmo 0800 da CEDAE, que não atende celular.

Entrei no site da CEDAE pelo meu serviço de internet do celular e mesmo com recursos limitados, abri um chamado pelo meu CPF pessoal dando todas as indicações de um estabelecimento mais do que conhecido pelos cariocas. Como estava na porta do Hospital (público e sede de Escola de Medicina de Universidade Federal), tive o cuidado de completar o campo endereço com todos os dados, o que não é exatamente difícil. Recebi um email com o código do chamado, OSW613061, e fui para casa.

No dia seguinte, sexta-feira (06/02), ocupada e distante dali, recebi novo email da CEDAE dizendo que meu chamado havia sido cancelado e que eu deveria abrir outro especificando o problema e informando endereço e ponto de referência.
Obedientemente, abri novo chamado cumprindo todas as exigências, afinal o endereço do Gafrée está na internet e a essa altura eu já sabia de cor, Rua Mariz e Barros 775. Reclamação: OSW613063.
Era então sexta à tarde e eu imaginava na minha inocência que pelo menos a Direção do Hospital deveria ter tomado suas providências. Ao final do dia, cheguei a receber novo email resposta da CEDAE informando que minha reclamação gerara uma Ordem de Serviço referente a minha solicitação e que A CEDAE estava entrando em contato com o setor responsável para agilizar a solução do problema. O.S.: 502.36627-3

Ontem à noite, domingo (08/02), depois do Fantástico, na hora do Big Brother, quando aproveito que uma nação de idiotas está assistindo televisão e as ruas estão invariavelmente vazias, levei meus cães para passear e passando sem planejar pelos portões do Grafrée, ouço aquele inconfundível barulho de cachoeira.
A água continuava vazando como uma bomba hidráulica!

Ninguém fez absolutamente nada, o que me leva à conclusão de que não existe equipe de emergência da CEDAE para vazamentos de água durante finais de semana no Rio de Janeiro e que a Diretoria do Gafrée, que teve um dia útil e muito mais contato e influência do que eu sozinha como cidadã, tampouco tomara qualquer medida para pelo menos fechar aquele registro.

Mais uma vez, cumprindo meu papel de trouxa que reusa as águas cinzas da máquina de lavar, desliga o chuveiro para se ensaboar - escovar os dentes e só lava louça economizando ao máximo, abri um terceiro chamado no site da "Nova CEDAE" descrevendo o absurdo dessa situação e lembrando como quem não quer nada, que estamos atravessando um problema de abastecimento de água potável sem precedentes na história da humanidade. Reclamação: OSW613083

Então, eu aproveito os meus leitores, as redes sociais e a raiva que todos nós estamos dessa palhaçada dessa crise hídrica, que todo mundo já estava careca de saber que viria, para pôr a boca no mundo e estimular meus conterrâneos a encherem o saco das autoridades que nós custeamos com nosso suado dinheirinho de contribuinte.
Francamente, que vexame.



As fotos que fiz na quinta à tarde e facebuquei na sexta de manhã devidamente acompanhadas do número do primeiro chamado - tudo nos conformes, mas só 2 pessoas curtiram. Fosse receita de sorvete orgânico e uma multidão teria compartilhado. Sem água, não vai dar nem para as frutas, que dirá os sorvetes...








Fotos tiradas hoje com jornal O Globo evidenciando a data, repare no jato de água ao fundo. Saí bem cedinho, ainda estava escuro, e aproveitei para registrar. 









E para onde está indo esse aguaceiro (potável)? Ora, para os bueiros, é claro!
E dos bueiros, para a estação de tratamento de esgoto, junto com todas as nossas fezes, que depois de tratadas, serão irremediavelmente despejadas no mar e salinizadas para todo sempre. 
Entendeu agora como a água doce do mundo acaba e a salgada continua?



PARA FAZER DA CEDAE REALMENTE UMA NOVA CEDAE: http://www.cedae.com.br/ - CLIQUE EM "VAZAMENTO DE ÁGUA E PREENCHA TODOS OS CAMPOS, EXCETO: "INFORMAÇÕES DO LOCAL DA OCORRÊNCIA", VOCÊ NÃO É OBRIGADO A SABER A MATRÍCULA DE NINGUÉM, ABERTURAS DE RECLAMAÇÕES EM LOGRADOUROS PÚBLICOS SÃO DIREITO DE QUALQUER CIDADÃO.
COLOQUE SEU CPF, TELEFONE E EMAIL PESSOAL, MAS ESPECIFIQUE O ENDEREÇO DO LOCAL ONDE É O VAZAMENTO E DEIXE ISSO BEM CLARO NO CAMPO FINAL DE OBSERVAÇÕES GERAIS.

PARA CONTACTAR A DIRETORIA DO GAFRÉE: hugg@unirio.br (Diretor do Hospital Dr. Fernando Ferry)





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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Cuscuz Amado




Por causa de uma cirurgia, pude dar um tempinho na dieta anti-câncer e, pensando no que me refestelar, vejo Kênia do Alguma Coisa em Comum, postando umas fotos de cuscuz à paulista no blog dela. Estava morta de saudades e daí, para encomendar um cuscuzinho de sardinha, foi um pulo.
Aqui na Tijuca, existe o único restaurante especializado em cuscuz à paulista do Rio, o Cuscuz Amado, servem cuscuz à paulista de massa de milho em tudo o que é sabor, até camarão. Eu gosto muito justamente dos de sardinha, camarão, frango defumado e carne seca, dos demais, nunca provei.

Existe cuscuz de tudo, nós brasileiros fazemos tradicionalmente em farinha de milho, o popular "Flocão" tão barato nos supermercados e claro, as nossas maravilhosas e incontáveis farinhas regionais. Os mais consagrados são o cuscuz de tapioca de mandioca, semolina do trigo e farinha-fécula de arroz.
Em tapioca e semolina já fiz e as fotos vêm abaixo, não pede a panela de vapor cuscuzeira, basta juntar o líquido escolhido, em temperatura ambiente para os de coco e aquecido para o de semolina. Em arroz, é preciso de cuscuzeira para o cozimento no vapor.
Cuscuz é basicamente a farinha grossa de um grão hidratada e temperada para ser servida em fatias ou colheradas, o que vai determinar esse ponto é a quantidade de água e, quanto mais enriquecido de complementos, mais gostoso. O cuscuz de arroz integral pode ser feito a partir da moagem dos grãos crus do arroz batidos no liquidificador, depois é só cozinhar no vapor com sal, temperos e o que mais você quiser.

Há alguns anos, antes de ter esse blog, eu fazia muito cuscuz de milho com a farinha Flocão do supermecado na cuscuzeira de alumínio de acordo com a receita do cuscuz nordestino da Feira de São Cristóvão - simples, soltinho como o marroquino de semolina e temperado apenas com sal e pouca manteiga de garrafa. Anos depois, já com as panelas de teflon e alumínio aposentadas, procurei muito por opções em ágata, barro e até ferro, sempre sem sucesso. Fiquei então sem cuscuzeira e consequentemente sem meu amado cuscuz de milho...











Kênia havia preparado os dela sem a cuscuzeira, o que eu não sabia ser possível para as farinhas de milho. Usou como base uma receita de Neide Rigo, paulistana do blog Come-se, e cozinhou tudo na panela, enformando depois em pirex. Por evitar cuscuzeira no vapor, Neide chamou seu cuscuz de enformado - o que faz até muito mais sentido.

Nas palavras da Kênia, autora das duas fotos e delícias que ilustram o início dessa postagem:
"Inovei e inventei, porque não sei seguir receita à risca. O da primeira foto levou sardinhas, tomatinhos, abóbora hokaido em cubinhos e cúrcuma. O da segunda foi com sardinhas, páprica picante e bastante azeitona preta. Hoje ainda fiz mais um, que foi incrementado com pimenta biquinho, ovos caipiras e camarões..."


A receita da paulistana Neide Rigo, que inspirou a mineira Kênia, com o link do Come-se:

Enformado de farinha de milho com abóbora e sardinhas 
2 colheres (sopa) de azeite 
2 dentes de alho 
Meia cebola picada 
1 colher (sopa) de páprica defumada ou colorau 
1 1/2 colher (chá) de sal 
3 tomates maduros picados 
1 pedaço de 500 g de abóbora quase madura, com pele, picada em cubos de 1 centímetro
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picada
3 xícaras de água 
10 azeitonas verdes sem caroços
2 latas de sardinha escorridas
1/2 xícara de cheiro-verde picado 
2 xícaras de farinha de milho (aquele de flocos)
2 ovos cozidos cortados em rodelas
Numa panela aqueça o azeite e doure nele o alho e a cebola. Junte a páprica ou colorau e o sal e misture bem. Acrescente o tomate picado, a abóbora e a pimenta e mexa. Junte 2 xícaras de água, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos. Veja se a abóbora está cozida - deve estar ainda firme, sem se desmanchar. Junte, então, metade das azeitonas, metade da sardinha quebrada em pedaços e o cheiro-verde. Misture e junte a farinha de milho, revolvendo devagar e acrescentando mais água quente, se for preciso,  para que toda a farinha fique bem úmida. Prove o sal e corrija, se achar necessário. Tire do fogo.   Unte uma forma de anel com azeite, espalhe no fundo as rodelas do ovo cozido, azeitonas e a sardinha restante - se quiser, também umas rodelas de pimenta. Coloque às colheradas a massa quente do cuscuz e pressione para grudar na decoração. Alise a superfície e espere amornar para desenformar. Se quiser, deixe na geladeira para servir frio com salada. O meu, servi quentinho com couve refogada e não sobrou para a foto das fatias cortadas. 
Rende: 6 porções







Só que Kênia, que é de Minas, vinha ao Rio na semana seguinte e como eu já havia visto outra receita dela em farinha de milho típica do interior de Minas (bem grossa, com pinta de Corn Flakes) um Crumble de banana com amoras inspirado justamente numa receita minha, o Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará

Perguntei então como quem não quer nada se não seria a mesma farinha...
Era, para minha alegria e felicidade. 
Não conseguimos nos encontrar e Kênia deixou essa farinha de milho incrível, que eu já vinha paquerando há tanto tempo, na portaria de uma conhecida. Fui buscar e as receitas seguem abaixo:


Cuscuz Paulista em farinha de milho mineira da fecularia artesanal de Rio Claro com sardinhas, ovos caipiras cozidos e azeitonas verdes recheadas de pimentão vermelho. Fiz seguindo a receita da Neide, como Kênia, mas aumentei a proporção de água em 50% a mais. Assim: 2 xícaras de farinha e 3 de água, em refogado de cebola no azeite. Arrependi-me em não colocar cheiro verde fresco picadinho, faz toda diferença.
Foto minha do meu cuscuz na sala daqui de casa, com minha toalha de mesa em renda nordestina.



Aquela farinha maravilhosa rendeu um segundo cuscuz, de abóbora com linguiça calabresa defumada e um toque de açafrão para colorir e dar um cheiro diferente. Bom também, mas eu gosto mesmo é do tradicional de sardinha ou frango defumado, sempre com azeitona e palmito, servido gelado como salada.
É uma comida ótima para ser servida à francesa, picada em cubos com palitinhos, de comer com a mão como tira-gosto.



Vegetarianos podem fazer lindos cuscuzes inteiramente veganos com: brócolis, couve flor, grão de bico, ervilha, feijão fradinho, abóbora, cenoura, aspargos, palmito, cogumelos, abobrinha, berinjela, tomate, pimentão, jiló, azeitonas, cebola, cheiro verde, castanhas, passas...


Para beber: 
Gazpacho Andaluz, a salada líquida espanhola que o resto do mundo teima em chamar de sopa fria...
Parece que foram feitos um para o outro.





O mostruário de cuscuz da loja tijucana Cuscuz Amado e o cuscuz de sardinha à vácuo para viagem já na cozinha daqui de casa:







Cuscuz de semolina à marroquina (salgado, originalmente com carne de carneiro) e Cuscuz de tapioca em leite de coco (doce, para servir de sobremesa) - ambos dispensam cuscuzeira no vapor e as receitas estão linkadas:





Farinha da roça não é luxo nem excentricidade, o milho do nosso Flocão industrializado servido na Feira de São Cristóvão e por todo Brasil, é o segundo cultivo transgênico, só perde para a soja.
E vida longa à comida troupeira de carregar no farnel em lombo de burro pelo interior do nosso país.




Mais informação:
2 anos sem forno e fogão
Cuscuz de Tapioca com Coco
Cuscuz de semolina à marroquina 
Panela velha é que faz comida boa
Comprando orgânico, justo e local na Tijuca
Hortaliças em extinção por causa das “tentações vindas da cidade”.
A tapioca de coco com banana e canela em doce de leite de tahine com melado de cana