sexta-feira, 31 de maio de 2013

Os contêineres do Quirguistão

Lojas de shopping popular do Quirguistão são de contêiners reciclados

O Quirguistão é o país mais distante do mundo a partir de qualquer porto do oceano e, como tal, a maioria das embalagens que vão para o Quirguistão, ficam no Quirguistão. Na verdade, há tantos contêineres no país que o maior centro comercial, Dordoy Bazaar é feito quase que inteiramente deles - dois andares de altura, vários quilômetros de largura, empregando mais de 50.000 pessoas!


Dordoy Bazaar é um shopping popular em Bisqueque, no Quirguistão (país da Ásia Central, ex-integrante da antiga União Soviética). Esse centro comercial é um dos maiores da Ásia. A curiosidade desse shopping são as lojas construídas dentro de contêineres reaproveitados. 


Lojas de shopping popular do Quirguistão são de contêiners reciclados


O contêiner é um símbolo de progresso e desenvolvimento comercial, já que é frequentemente usado para transportar peças de plástico a serem montadas na China , em seguida, enviado de volta com pistolas de água de plástico ou qualquer bugiganga que possa ser comprada nas lojas de R$1,99. 

Contêineres são basicamente projetados para agir como gigantes blocos de Lego. No Quirguistão, eles são empilhados em todos os tipos de configurações para a construção de bazares, casas ou empresas. 




Se este recurso está amplamente disponível no Quirguistão, então por que não tentar e ver o que mais pode ser feito com ele? Uma estufa de contêiner, que nada mais é do que uma concha de metal com janelas de vidro.



Graças à sua localização geográfica, o Quirguistão tem um clima continental incrivelmente selvagem. As temperaturas podem facilmente atingir 45°C no verão e cair esporadicamente a -30°C no inverno. Isto é uma diferença de temperatura de 75°C  que as plantas devem ser capazes de tolerar! Portanto, para cultivar plantas que normalmente não seriam capazes de lidar com tal variação climática - e ao mesmo tempo tentando não usar grandes quantidades de energia elétrica - foi adotada uma malha de várias soluções pequenas em prol de uma grande solução.

Para lidar com as temperaturas de verão, foi instalado um sistema de ventilação usando ventiladores elétricos (como peças de ventiladores para carros). Um ventilador suga o ar frio, enquanto os outros sopram ar quente para fora. Esses ventiladores são ligados a um dispositivo de controle de temperatura, normalmente utilizado em fornos de padaria comercial. Há também uma pequena árvore Talhadia Acácia em frente da estufa, que produz sombra e assim, reduz a quantidade de luz solar e, por outro lado, sem bloquear qualquer luz solar durante os meses de inverno. Foi construída igualmente uma grande camada de cobertura isolante que impede a evaporação excessiva, devido à alta temperatura durante os meses de verão e também está em processo de construção de um sistema de hidroponia.


Para atenuar as temperaturas de inverno foi colocada uma camada de cinco centímetros de isopor como isolamento nas paredes não-vidradas e teto, o que proporcionou um efeito imediato, mas por si só não era suficiente.Com alguns tijolos descartados, foi construído um aquecedor de massa térmica que, depois de ser pintado de preto, absorveu a radiação durante o dia e a liberou durante as noites frias abaixo de zero. Uma grande banheira velha cheia de água também foi deixada na estufa, a fim de atuar como uma outra forma de massa térmica. Infelizmente, mesmo depois de tudo isso, foi percebido que quando a temperatura os -35°C, simplesmente não há muito que se possa fazer para salvar qualquer planta, além é claro de adotar o uso de aquecedores elétricos.





Atualmente, há uma longa lista de plantas que estão crescendo dentro ou ao redor da estufa, incluindo: alcachofra chinesa, sunchoke, acelga, hortelã, amêndoa, marmelo, scorzonera e milho, para citar alguns.
A estufa é capaz de fazer crescer jalapeños (pimenta) em fevereiro, enquanto a neve ainda está no chão do lado de fora. 

É realmente incrível o que pode ser cultivado em um espaço pequeno, em um país sem litoral de temperaturas extremas, em uma caixa de metal, com um pouco de criatividade e trabalho duro! Quem sabe, no futuro, até mamões poderão ser produzidos.



Mais informação:
Pimentas
Hidroponia x Agricultura Orgânica
O hostel em contêiner do Maracanã
A casa sustentável é mais barata - parte 02 (casas contêiner)
Antiga fábrica abandonada em Chicago é transformada em fazenda urbana vertical energeticamente autônoma

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum

Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido. A obsolescência programada faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.

A indústria produz barato e descartável para que você compre barato e descartável cada vez mais.
"dinheiro que você não tem, para comprar coisas de que você não precisa, para impressionar por pouco tempo pessoas com quem você não se importa.", Tim Jakson

Por outro lado, o conceito marxista de que a quantidade levaria à qualidade se provou ambiental e socialmente ineficaz numa sociedade de consumo. As nossas reservas de metais, madeira e água não estão aguentando tanta demanda, que precisa de combustível fóssil na logística de transporte e cujo resíduo é descartado rapidamente sem qualquer critério.





EPO ELETRICIDADE é a única marca no mercado sem obsolescência.

Depois de mais de nove anos de pesquisa, Benito Muros com um grupo de engenheiros internacionais, desenvolveu a tecnologia e a fórmula para fabricar uma linha de iluminação aplicada à tecnologia LED que dura por toda a vida. A descoberta representa um novo conceito de modelo de negócio baseado na não-obsolescência.

A criação do bulbo sem uma data de expiração tem um projeto de pesquisa por trás de mais de nove anos, liderado por Benito Muros. Este projeto parte da premissa de que, apesar dos avanços tecnológicos, antes os produtos duravam mais tempo. Para levar a cabo a sua investigação, Paredes viajou para o quartel Livermore (Califórnia), local onde há uma lâmpada que permaneceu acesa por mais de 111 anos ininterruptos. Eles entraram em contato e conheceram descendentes dos criadores da lâmpada, mas não havia nenhuma documentação. No entanto, tendo essas bases, ele começou sua pesquisa.

A lâmpada criada pela EPO Electrics responde à necessidade atual de um compromisso com o meio ambiente. Enfim toda a vida, sem desperdício. Ao mesmo tempo, permite a economia de energia de até 92% e emite até 70% menos de CO2.

Em suma, a nova criação da EPO Electrics, responde a um novo conceito de negócio, baseado no desenvolvimento de produtos que não caduquem. Então, essa é uma filosofia de negócios mais em linha com os nossos tempos, graças à comercialização de produtos que não estão programados para ter uma vida curta, mas respeitam o meio ambiente e não criam lixo que vai para os países do terceiro mundo.

A garantia dos produtos é de 25 anos:




Alguns produtos da linha da EPO:















Reportagem abaixo sobre o fundador:

Espanhol é ameaçado de morte por criar lâmpada que não queima

A bateria de um celular morre em dois anos, um computador em quatro, a geladeira está tendo problemas em oito anos e de repente, em um belo dia, a televisão lhe diz adeus.
“Não há nada para se fazer além de comprar outra”.
É possível fazer produtos que durem mais do que isso? Quem sabe a vida toda?
Benito Muros da SOP (Sem Obsolescência Programada), diz que é possível. Por isso está ameaçado de morte.

O conceito de obsolescência programada surgiu entre 1920 e 1930 com a intenção de criar um novo modelo de mercado, que visava a fabricação de produtos com curta durabilidade de maneira premeditada obrigando os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real.

As lâmpadas e a luta de Benito Muros respondem a um novo conceito empresarial, baseado em desenvolver produtos que não caduquem, como aquelas geladeiras Frigidaire ou máquinas de lavar Westinghouse que duravam a vida toda.

Uma filosofia empresarial mais conforme com nossos tempos, graças à comercialização de produtos que não estejam programados para ter uma vida curta, senão que respeitem o meio ambiente e que não gerem resíduos que, por vezes, acabam desembocando em containers de lixo no terceiro mundo.

Veja a entrevista onde ele fala sobre seu projeto.









A lâmpada criada pela OEP Electrics responde à necessidade atual de um compromisso com o meio ambiente. Ao durar tanto tempo, não gera resíduos ao mesmo tempo em que permite uma poupança energética de até 92% e emite até 70% a menos de CO2.

Mas, ao que parece, a indústria de produtos elétricos não está muito contente com a descoberta. Benito Muros diz que está sendo ameaçado devido a seu invento e inclusive afirma ter recebido ofertas milionárias para retirar seu produto do mercado.

- “Senhor Muros, você não pode colocar seus sistemas de iluminação no mercado. Você e sua família serão aniquilados”, reza a denúncia que Muros apresentou à Polícia, que apesar do medo não se acovardou.

Para realizar sua pesquisa, Muros viajou até o parque de bombeiros de Livermore (Califórnia), lugar no qual há uma lâmpada que permanece acesa de forma ininterrupta há mais de 111 anos. Ali contatou com descendentes e conhecidos dos criadores da lâmpada, já que não existia documentação a respeito.

Com esta informação conseguiu as bases para começar sua pesquisa, cujo achado supõe um novo conceito de modelo empresarial baseado na não Obsolescência Programada.

Conheça a lâmpada neste vídeo:






Uma pequena lista das vantagens prometidas por Benito Muros e OEP Electrics:
- Gasta 92% menos eletricidade que uma lâmpada incandescente, 85% em relação às alógenas e 70% em relação às fluerescentes.
- Garante 25 anos funcionando 24 horas por dia, 365 dias por ano.
- Não se queima no caso de acender e pagar varias vezes. A empresa OEP Electrics garante 10.000 (Dez mil) comutações (acender e apagar) diárias.
- Ela acende na hora. Não precisa esperar ela esquentar.
- Não emite ultra violeta e nem ultra vermelho (Evitando problemas de pele e nos olhos)
- Não faz zumbido.
- Consegue iluminar em temperaturas de até 45 graus abaixo de zero.
- Não contém tungstênio e nem mercúrio. Não possui metais pesados que demoram para desintegrar. São recicláveis e seguem todas as normas ambientais.
- Emite 70% a menos de CO².
- Por ter mais tempo de vida, produz menos resíduos para a natureza.
- Praticamente não esquenta utilizando somente aquela energia que será necessária para iluminar, ao contrário das lâmpadas convencionais que gastam 95% da energia para produzir calor e 5% para iluminar.
- Por não esquentar e não produzir radiação evita deteriorar os materiais que estão perto.
- Evitam risco de incêndio.
- Não prejudicam o frio dentro de câmaras frigorificas.



Veja uma entrevista de Benito Muros:






Observação minha (Carol): já imaginaram esses produtos que nunca quebram plugados a uma tomada solar que se recarrega eletricamente a custo zero livre de CO2 como uma ventosa colada em qualquer janela de vidro ???


Mais informação:
O banimento das lâmpadas incandescentes
7 coisas tóxicas que você não deveria jogar no lixo
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Você compra demais ou "De onde vem o lixo produzido no mundo?"
A casa sustentável é mais barata - parte 05 (eletrodomésticos vintage)
Como funciona uma Corporação e como o que você consome, implica nisso
Lâmpadas, termômetros e baterias: onde descartar itens com mercúrio e o que fazer em caso de intoxicação

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Se precisarem de mim, estou na kolmea

A kolmea é a primeira plataforma colaborativa do país voltada em específico para iniciativas sustentáveis, já existem muitas ferramentas de financiamento coletivo, todas bem sucedidas. O diferencial da kolmea é justamente o foco em ações sustentáveis. A kolmea mantém um blog, cujo conteúdo será em parte fornecido por mim a partir de postagens daqui do blog.

A primeira postagem, exclusiva com conteúdo inédito, foi um presente de boas vindas, e trata da Economia Solidária. Segue um trechinho abaixo:


Convidada a fazer parte de um coletivo, aceito de bom grado e incluo-me no rol de abelha operária, labutando honestamente. A kolmea é a primeira plataforma de financiamento colaborativo do Brasil com foco em projetos sustentáveis.


Uma das principais ferramentas da economia solidária é o financiamento colaborativo, ou crowdfunding, que se caracteriza pela obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa. O termo é muitas vezes usado para descrever especificamente ações na Internet com o objetivo de arrecadar dinheiro para artistas, jornalismo cidadão, pequenos negócios, campanhas políticas, iniciativas de software livre, filantropia e ações de ajuda a regiões atingidas por desastres, entre inúmeras possibilidades ainda não exploradas. A proposta da kolmea é justamente ser a primeira plataforma colaborativa do país voltada em específico para iniciativas sustentáveis.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

AmazoniAdentro

Dirigida pelo jornalista Edilson Martins, a série  de quatro episódios apresenta um retrato da região nos dias de hoje. Com 25 milhões de habitantes e somando mais de 5 milhões de Km2, a Amazônia brasileira exibe uma ocupação que nos últimos 20 anos já eliminou 380 mil km2 de mata primária. Isso corresponde a uma média de 50 km2 por dia, ou uma baía da Guanabara por semana. É uma catástrofe anunciada.

A bacia amazônica, nos últimos meses de 2009, mostrou ao mundo uma tragédia que se repete: o assoreamento do rio Amazonas, toneladas de peixes morrendo por falta de oxigênio, e milhares de ribeirinhos sendo expulsos de seus lares, suas propriedades, suas roças. O ano de 2009 reproduziu a tragédia de 2005: o desaparecimento assustador das águas do maior rio do mundo, o Amazonas.

Além disso, nos últimos dias de dezembro de 2009, Manaus, capital do Amazonas, passou a exibir um imenso guarda-chuva de fumaça, levando centenas de pessoas, principalmente crianças, aos hospitais. Os aeroportos em diferentes ocasiões foram fechados, tamanho o volume dessa imensa fumaça, resultado de queimadas intermitentes nos municípios que formam o entorno da capital.
A série AmazôniAdentro mostra que, no núcleo dessa região, onde os olhos do mundo cobram juízo e sua não destruição, existe a presença humana em conflito, em grandes choques culturais. Há uma mistura de índios, retirantes, negros, mestiços, sulistas, europeus, ambientalistas, bandidos, loucos e toda a gama de delirantes que assolam a Amazônia.


O primeiro episódio, Waimiri-Atroari, faz uma panorâmica sobre a Amazônia: a destruição da floresta, o avanço da pecuária, o ciclo da borracha, a luta de Chico Mendes, o projeto Jari, e a presença nazista, nos idos dos anos 1930, no vale do rio Jari. Esse programa termina com a bem-sucedida luta pela sobrevivência dos índios Waimiri-Atroari, que vivem entre o Amazonas e Roraima. Essa nação resistiu por mais de 130 anos ao avanço dos brancos, até que a construção da estrada BR-174, junto com a hidrelétrica de Balbina e o exército brasileiro, quase dizimaram toda a sua população.

O crescimento da pecuária, da soja, derrubada das madeiras nobres, estradas invasivas, entre outras formas predatórias, estão causando um impacto visível: assoreamento da bacia amazônica, toneladas de peixes morrendo por falta de oxigênio, e milhares de ribeirinhos expulsos de seus lares.


Em 2009, na cidade de Manaus, um imenso guarda-chuva de fumaça levou centenas de pessoas aos hospitais, aeroportos foram fechados, tamanho a gravidade de queimadas intermitentes nos municípios que formam o entorno da capital.

Enquanto isso, cientistas brasileiros e do resto do mundo correm contra o tempo para compreender esses diferentes ecossistemas, sua relação com o clima do planeta e as alternativas para a utilização dos recursos da região.


O quarto episódio, aborda o polêmico Projeto Jari, um dos mais relevantes da ocupação da Amazônia nos anos 1960. Um grande empresário americano, Daniel Ludwig, com o apoio e a segurança do governo militar, adquire dois milhões e 500 mil hectares de matas primárias, na divisa do Pará com o Amapá. Ele assusta o país, principalmente a esquerda brasileira, destrói a flora e fauna para plantar eucaliptos. Importa, diretamente do Japão, via marítima, uma fábrica de celulose.

O projeto fracassa, entre outras razões, porque não conseguiu construir uma hidrelétrica no Rio Jari, num dos pontos mais belos de toda a Amazônia. Há hoje, novamente, um projeto para transformar essas cataratas em hidrelétrica.

O estado do Amapá, onde se encontra parte do Projeto Jarí, exibe uma das mais curiosas biodiversidades de toda a região. Rios caudalosos e de águas claras, serras belíssimas, grandes lagos, uma grande região de cerrado, pantanal exuberante, costa banhada pelo mar e a outra pelo rio Amazonas.

Afora essa surpreendente biodiversidade, há uma presença humana marcada por diferentes formações étnicas; índios, aculturados ou em processo, negros, mestiços, e principalmente maranhenses e paraenses, todos em busca de oportunidades, numa região praticamente fora do mapa brasileiro.

“Registramos com uma grande angular - se permitem a metáfora - a Amazônia com seus diferentes conflitos, seus agudos desafios, sua beleza, sua infinita biodiversidade, e a dita cobiça internacional que sempre ameaçou os brasileiros. Captamos a Amazônia por dentro, sem a conhecida visão folclorizada, o olhar sulista, europeu. Uma Amazônia sem maquiagem, sem platitudes, capturada sem os olhos do encantamento; a Amazônia do mundo real”, diz o diretor Edilson Martins.

Coprodução: Bossa Produções e TV Brasil
Apresentação e Direção: Edilson Martins



Fonte: TV Brasil - AmazôniAdentro




Mais informação: 

Soja é desnecessário
Hidrelétricas brasileiras
A seca do Rio Amazonas
Farra do Boi na Amazônia
A sombra de um delírio verde
Amazônia Ilegal: O que se tira da Floresta
O PAC não se paga: Jirau, Belo Monte e Mauá
Hidropirataria: cachaçaria certificada seca lagoa de reserva indígena
Awás lutam contra a destruição dos madeireiros no que restou da Floresta Amazônica do Maranhão
Mais hidrelétricas mal explicadas nesse país solar: Fumaça, Tapajós, Jamanxim, Teles Pires e claro, Belo Monte
Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Amazônia e Greenpeace lança Atlas "Mar, petróleo e biodiversidade - A geografia do conflito"

terça-feira, 21 de maio de 2013

A primeira postagem exclusiva no Mãe de Cachorro: Estilista Marc Jacobs usa pele de cachorro em roupas!


Marc Jacobs: Você foi pego vendendo pele de cachorro! Pare de fazer roupas com QUALQUER pele!

O famoso estilista norte-americano Marc Jacobs foi denunciado por usar pele de cachorro em alguns casacos da sua última coleção. E, o pior, os casacos estavam etiquetados como sendo de pele sintética.
Indignada com a notícia, Tiffany Young, de Chicago, criou uma campanha para convencer o estilista a parar de usar peles. "Não importa se são cães, gatos, visons, raposas ou quaisquer outros animais. É crueldade por vaidade. Marc Jacobs tem uma escolha”, diz Tiffany Young.
Uma investigação de cinco meses conduzida pela Humane Society dos EUA descobriu que diversas vestimentas que continham “pele falsa” eram na verdade feitas com escalpo de cães-guaxinins chineses – uma espécie de parente do cão doméstico -, os quais são geralmente esfolados vivos para a produção de casacos leves, que segundo especialistas é mais barata do que a pele sintética. Estima-se que na China mais de 70.000 cachorros-guaxinins são sacrificados para a indústria da moda, geralmente esfolados.

Clique aqui para pedir para o estilista Marc Jacobs parar de usar peles em todas as suas criações. 
Outras vestimentas abusivas, compradas das lojas Downtown e Upper West Side, incluíam uma jaqueta com capuz para bebês da Trust Fund Baby, um casaco com capuz da JNBY e uma estola da Save The Queen, todos contendo pele de coelho (ou possivelmente de lebre).

A postagem completa está no Mãe de Cachorro, não deixe ler, assistir ao vídeo e o mais importante, assinar a petição exigindo o fim desse absurdo.



Mais informação:
Terráqueos
(os fimes da) Libertação Animal
Como é feita uma fantasia de passista?
Artigos de couro vegetal em lojas convencionais
Se precisarem de mim, estou no Mãe de Cachorro também é mãe
Neurocientistas de todo mundo assinam manifesto reconhecendo que animais têm consciência

segunda-feira, 20 de maio de 2013

“10 empresas controlam 85% dos alimentos”



"Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista.", Dom Hélder Câmara


O sociólogo suíço Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação das Nações Unidas (ONU), denunciou que a fome é um dos principais problemas da humanidade, em um debate na última segunda-feira, em São Paulo.
- O direito à alimentação é o direito fundamental mais brutalmente violado. A fome é o que mais mata no planeta. A cada ano, 70 milhões de pessoas morrem. Destas, 18 milhões morrem de fome. A cada 5 segundos, uma criança no mundo morre de fome – disse Ziegler.
Na década de 1950, 60 milhões de pessoas passavam fome. Atualmente, mais de um bilhão.
- O planeta nas condições atuais poderia alimentar 12 bilhões de pessoas, de acordo com estudo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Não há escassez de alimentos. O problema da fome é o acesso à alimentação. Portanto, quando uma criança morre de fome ela é assassinada – completou.
Ziegler afirma que é a primeira vez que a humanidade tem condições efetivas de atender às necessidades básicas de todos. Depois do fim da Guerra Fria, mais especificamente em 1991, a produção capitalista aumentou muito, chegando a dobrar em 2002. Ao mesmo tempo, essa produção seguiu um processo de monopolização das riquezas. Hoje, 52,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial está nas mãos de empresas multinacionais.
A concentração da riqueza nas mãos de algumas empresas faz com que os capitalistas tenham uma grande força política.
- O poder político dessas empresas foge ao controle social. 85% dos alimentos de base negociados no mundo são controlados por 10 empresas. Elas decidem cada dia quem vai morrer de fome e quem vai comer – afirmou Ziegler.
O sociólogo ainda relatou que essas empresas seguem blindadas pela tese neoliberal de que o mercado não deve ser regulado pelo Estado. Segundo ele, na Guatemala, 63% da terra está concentrada em 1,6% dos produtores.
- A primeira reivindicação que fiz, após a missão, foi a realização da Reforma Agrária no país. Fui rechaçado, pois uma intervenção no mercado não é possível. Não havia sequer um cadastro de terras lá: quando os latifundiários querem aumentar suas terras, mandam pistoleiros atacar a população maia que vive ao redor.
Especulação
A especulação financeira dos alimentos nas bolsas de valores é um dos principais fatores para o crescimento dos preços da cesta básica nos últimos dois anos, dificultando o acesso aos alimentos e causando a fome. De acordo com o Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas encontram-se em extrema pobreza hoje, vivendo com menos de um dólar por dia. Segundo Zigler, quando o preço do alimento explode, essas pessoas não podem comprar.
- Apesar de a especulação ser algo legal, permitido pela lei, isso é um crime. Os especuladores deveriam ser julgados num tribunal internacional por crime contra a humanidade – denunciou Ziegler.
A política de agrocombustíveis, que, além de utilizar terras que poderiam produzir comida, transforma alimentos em combustível, é mais um agravante. Para o sociólogo, é inadmissível usar terras para fazer combustível em vez de alimentos em um mundo onde a cada cinco segundo uma pessoa morre de fome.
Política da fome
Ziegler afirma que não se pode naturalizar a fome, que é uma produção humana, criada pela sociedade desigual no capitalismo. Prova disso são as diversas políticas agrícolas praticadas tanto por empresas e subsidiadas por instituições nacionais e internacionais.
O dumping agrícola consiste em subsidiar alimentos importados em detrimento dos alimentos produzidos internamente. De acordo com Ziegler, os mercados africanos podem comprar alimentos vindos da Europa a 1/3 do preço dos produtos africanos. Os camponeses africanos, dessa forma, não conseguem produzir para se sustentar.
Ziegler denunciou o “roubo de terras”, que é o aluguel ou compra de terras em um país por fundos privados e bancos internacionais, que ocorreu com mais de 202 mil hectares de áreas férteis na África, com crédito do Banco Mundial e de instituições financeiras da África. Os camponeses, por conta desse processo, são expulsos das terras para favelas. Esse processo tem se intensificado uma vez que os preços dos alimentos aumentam com a especulação imobiliária.
O Banco Mundial justifica o roubo de terras com o argumento de que a produtividade do camponês africano é baixa até mesmo em um ano normal, com poucos problemas (o que raramente acontece). Um hectare gera no máximo 600 kg por ano, enquanto que na Inglaterra ou Canadá, um hectare gera uma tonelada. Para o Banco Mundial, é mais razoável dar essa terra a uma multinacional capaz de investir capital e tecnologia e tirar o camponês de lá.
- Essa não é a solução. É preciso dar os meios de produção ao camponês africano. A irrigação é pouca, não há adubo animal ou mineral nem crédito agrícola, e a dívida externa dos países impedem que eles invistam na agricultura – defende Ziegler.
Soluções
Segundo Ziegler, a única forma de mudar as políticas que perpetuam a fome é por meio da mobilização e pressão popular. Ele afirma que devemos exigir dos ministros de finanças na assembleia do Fundo Monetário Internacional que votem pelo fim das dívidas externas e nos mobilizar para impedir o uso de agrocombustíveis e acabar com o dumping agrícola.
- A única coisa que nos separa das vítimas da fome é que elas tiveram o azar de nascer onde se passa fome.
O ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU) veio ao Brasil lançar o livro “Destruição em Massa – Geopolítica da Fome” (Editora Cortez) e participar da 6ª edição do Seminário Anual de Serviço Social, que aconteceu no Teatro da Universidade Católica (TUCA).





Para comprar direto do produtor:

Mapa Nacional de Feiras Orgânicas no site do Instituto de Defesa do Consumidor

Uma opção para nós brasileiros, que jogamos no lixo 1/3 de tudo que é comprado no supermercado: Banco de alimentos



Tem muita comida que se perde por não sabermos como aproveitar, principalmente vegetais que estragam rápido, então dê uma lida nas sugestões abaixo
Save Cash and Eat Better With These 8 Tricks for Your Fruits and Veggies


Pensou também em como substituir os alimentos que encareceram?
Saiba como substituir os vilões da inflação por alimentos mais baratos

Tem gente que come inseto, a FAO já recomendou, então Neide Rigo nos brinda com uma visão simpática acerca: 
Insetos. Ou "Com uma farofinha... "

Uma solução a médio e longo prazo:

Jovens do campo terão direito a 5% dos lotes da reforma agrária







Mais informação:
Food Inc.
O mundo é o que você come
O mundo é o que você compra
O mundo segundo a Monsanto
Orgânicos podem ser mais baratos
"Quem trouxe a fome, foi a geladeira"
Quantos escravos trabalham para você?
Como funciona uma Corporação e como o que você consome, implica nisso
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo
Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)
A crise climática do século 21 foi causada por apenas 90 empresas (incluindo a Petrobrás)?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Uma tomada solar para ligar e recarregar tudo em qualquer lugar



Tomada solar pode se tornar realidade

Uma tomada portátil que se alimenta de energia solar é uma tecnologia que futuramente pode se tornar realidade. É esse o objetivo da ‘Window Socket’, uma tomada com células fotovoltaicas, capaz de se adaptar em qualquer janela e que possui uma bateria para armazenar energia solar; contudo, a ‘Window Socket’ é apenas uma ideia.

Desenhada pela dupla Kyuho Song & Boa Oh, da Coreia do Sul, o protótipo dessa tomada tem uma base que funciona como ventosa e que pode ser colada a qualquer janela. A mesma base tem uma série de células fotovoltaicas e dentro da tomada está localizada uma bateria que servirá para armazenar a energia.

Apesar de muitos elogios e incentivos, a tecnologia é criticada pelos usuários iniciais, que consideram o conceito impossível de se concretizar. No entanto, os designers já responderam a alguns comentários do site Yanco Design esclarecendo que estão, neste momento, resolvendo a parte técnica do material.

“O produto já se encontra patenteado e a investigação técnica para a produção em massa do protótipo está a decorrer. Essa tecnologia é possível de se concretizar. Por enquanto, a eficiência em termos da potência e do tempo de carregamento ainda não é o suficiente. Acreditamos que isso será resolvido”, comenta Kyuho Song.



Outra fonte: Yanko Design






 



Mais informação:
A história dos eletrônicos 
Reciclagem de Eletroeletrônicos
Metais em risco de extinção - meia tabela periódica em cada aparelho celular
Ranking de empresas de tecnologia ambientalmente corretas e reaproveitamento de celulares 
Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum
Lâmpadas, termômetros e baterias: onde descartar itens com mercúrio e o que fazer em caso de intoxicação

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lataria e um caminho sem volta: Projeto do pré-sal brasileiro está entre os dez mais 'sujos' do mundo

O Greenpeace acaba de lançar o Lataria, um observatório onde é possível ficar de olho nas plataformas antigas da região do pré-sal. Você sabia que cerca de 62% dos acidentes da exploração de petróleo offshore aconteceram em plataformas com mais de trinta anos?

Quando da Rio+20, assisti a muitas palestras na tenda do Greenpeace, algumas temáticas e específicas sobre o pré-sal, onde um especialista informou mais de 1.000 vazamentos em 2010, todos não notificados pela Petrobrás por serem considerados de volume insignificante.

Só no Brasil, a maior empresa de Petróleo do país é referência ambiental e sustentável. Eu assisto aos comerciais na tv e tenho vontade de rir, mais parecem documentários da Fundação Cousteau ou da NatGeo, não se mostra nem óleo de soja fritando batata, quanto mais óleo mineral em estado bruto.



De uma vez por todas: não existe prospecção de petróleo "verde".

Aliás, não existe razão para continuar investindo em perfurar em alto mar, quando o combustível fóssil é emissor de CO2 e o próprio processo é altamente arriscado. As reservas não vão durar mais 100 anos e faz-se mais do que necessário partir para alternativas mais viáveis, por viáveis entende-se "limpas" e acessíveis a população. Se o barril de petróleo não está em alta e, em volume por litros, 1 litro de água mineral no supermercado é mais caro do que o litro individual do mesmo barril de petróleo negociado em bolsa, não seria mais inteligente tratar logo de implantar sistemas de captação de águas pluviais e reúso de águas cinzas em todo país ao invés de lavar calçadas com mangueiras em dia de chuva?




Vamos aproveitar o ensejo para desmistificar outros pontos críticos:

1. O petróleo não é nosso. Nem meu, nem seu e menos ainda do governo estadual do RJ, ES, etc.

Se os tais royalties tivessem sido realmente usados para obras de benfeitoria ou pelo menos manutenção dos municípios outrora contemplados, Campos do Goytacazes e Macaé deveriam estar parecendo Dubai e Abu Dabi. Não estão, aliás mais parecem o Acre e o Piauí (com todo respeito aos acreanos e piauienses).
Macaé mal tem calçamento, o aeroporto consegue ser pior do que o de Cabo Frio (cidade de veraneio e balneário da classe B e C do R.J.) e a única rodoviária da cidade não tem sequer uma marquise, além de medir 50m2 e ser abrigo de mendigos e cercada por um camelódromo de muamba. 
Pior, a cidade alaga em qualquer chuvinha e o esgoto sobe, navegando livremente pelas ruas.
Essa que vos escreve já morou temporariamente por exatos 22 dias em Macaé, para fazer cursos de reciclagem na área, a cidade não tem sequer um cinema. Se sobram empregos em Macaé, é porque ninguém quer se mudar para lá, por dinheiro nenhum.
Atente que o município vizinho de Rio da Ostras, que não recebeu 1 centavo desses propalados royalties, se desenvolveu mais e de forma mais inteligente do que a favelizada Macaé. Rio das Ostras, que era outro balneário de segunda divisão, aproveitou que muita gente da área de petróleo não gostava de morar em Macaé e ofereceu loteamentos a preços baixos. A cidade cresceu a partir desses primeiros "petroleiros" que foram morar lá, perto da praia boa (e longe de Macaé). Hoje, acontece até Festival Anual de Jazz em Rio das Ostras. Sim, de jazz, não é micareta.

2. Segundo Rockfeller, fundador da Standard Oil e que entendia muito mais de capital e gestão do que essa blogueira modesta, que abandonou uma faculdade de Economia pela metade: “O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada; o segundo melhor é uma empresa de petróleo mal administrada".
Quando uma empresa de petróleo (pública ou privada) polui, quem limpa sua sujeira é o governo e quem administra o prejuízo a longo prazo é a população local. Numa empresa de petróleo, só quem sai ganhando são os acionistas. E se o governo é o principal acionista dessa empresa, como acontece no Brasil, não é contribuinte que recebe participação nos lucros e rendimentos aos final do exercício anual.

Lembrar sempre: a agroindústria transgênica corporativa e poluidora não erradicou a fome (nem as pragas), as vacinas não erradicaram a mortalidade infantil, o boom imobiliário não trouxe mais opções de moradia e a autossuficiência em petróleo não baixou nem o preço da gasolina nos postos.


O Greenpeace mapeou as plataformas antigas da região do pré-sal e apresenta seus dados e histórico de acidentes

Trata-se de uma ferramenta que rompe com a falta de transparência peculiar da indústria do petróleo cuja proposta é monitorar as ocorrências nas plataformas mais velhas do pré-sal, facilitando a interpretação de dados sobre os acidentes e sobre as próprias plataformas.
Além de disponibilizar informações sobre as plataformas e os acidentes acontecidos em cada uma de forma acessível e organizada, este observatório ainda reúne dados sobre os poços. Todo o conteúdo de pesquisa do site pode ser baixado em formatos abertos.
Anunciado como uma nova fonte de riquezas para o país, o pré-sal está longe de ser um pote de ouro do outro lado do arco-íris. As dificuldades técnicas para extrair óleo a uma profundidade de sete quilômetros abaixo do nível do mar tornam a operação altamente arriscada. Mesmo assim, o governo entrou nessa empreitada com tecnologia do passado.
Aproximadamente uma a cada três plataformas atualmente em operação no Brasil fora, construídas há 30 anos ou mais e representam maior probabilidade de vazamentos.
Acidentes
As plataformas com 30 ou mais anos de idade são protagonistas de mais acidentes do que as plataformas novas, são verdadeiras latas velhas. Dos 102 acidentes registrados no Brasil desde o ano 2000 na exploração petrolífera offshore, 62% aconteceram nas plataformas mais velhas.
O acidente da Chevron, em novembro de 2011, na Bacia de Campos, expôs o descontrole e a falta de transparência e de conhecimento das autoridades públicas sobre o que acontece com a exploração de petróleo na costa brasileira. Foram necessários mais de 380 mil litros de petróleo derramados no mar para ficar claro que o país não está preparado para evitar nem controlar um vazamento de óleo de grandes proporções.
Ainda explicitou a urgência de um Plano Nacional de Contingência que fiscalize e estabeleça quais são as medidas necessárias a serem tomadas em caso de acidentes. Desde 2010, o governo brasileiro promete tirar o Plano do papel, mas o Brasil segue explorando em águas profundas sem ter amparo técnico e a definição dos recursos humanos e materiais necessários para evitar a poluição das águas brasileiras por óleo.
O acidente mais recente e mais grave envolvendo a Sedco 706 aconteceu em 7 de novembro de 2011, no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Uma semana após o acidente, a mancha formada pelo petróleo vazado já ocupava área de cerca de 163 km², com um volume de óleo entre 570 a 970 barris de petróleo.
A Chevron foi autuada pelo IBAMA para pagamento de multa administrativa no valor de R$ 50 milhões, além de ter sido processada, juntamente com a Transocean, pelo Ministério Público Federal, pela tentativa de explorar petróleo em desobediência às condições estabelecidas pelas licenças e autorizações recebidas.
O acidente foi tão grave que, quatro meses após a sua ocorrência, o óleo continuava a vazar, totalizando 380 mil litros de óleo. Hoje, a plataforma tem 37 anos e será operada pela Chevron até 2014.






O projeto brasileiro de exploração do pré-sal, óleo descoberto nas camadas profundas do oceano, foi classificado como a nona iniciativa mais suja do planeta. A informação é do relatório Point of no Return (Caminho sem Volta), lançado na terça-feira, 22 de janeiro, pelo Greenpeace Internacional.
O documento, que identifica os 14 projetos de energia considerados insustentáveis, aponta que as iniciativas podem oferecer cerca de 300 bilhões de toneladas de novas emissões de CO2 à atmosfera, até 2050. A quantidade será proveniente da extração, produção e da queima de 49 bilhões de toneladas de carvão, 29 trilhões de metros cúbicos de gás natural e 260 bilhões de barris de petróleo.


Segundo o Greenpeace, a exploração do pré-sal irá contribuir com a emissão de 330 milhões de toneladas de CO2 por ano, até 2020. "Com um potencial abundante de geração renovável como eólica, solar e biomassa, o Brasil perde a chance de inovar e deixaria de se posicionar como uma das economias mais sustentáveis e limpas do planeta", afirmou Ricardo Baitelo, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.
Entre os maiores projetos de energias sujas listados no relatório estão: a exploração de carvão na China e na Austrália, Estados Unidos e Indonésia, a exploração não convencional de petróleo nas areias betuminosas do Canadá, no Ártico, no Iraque, no Golfo do México e no Cazaquistão. Além disso, também consta na lista a produção de gás natural na África e no Mar Cáspio.



Os jornais publicam hoje que a autossuficiência da Petrobras só virá em 2020, essa é a nova marca. Em 2006, o presidente Lula fez uma grande propaganda mostrando que o Brasil há a tinha alcançado. Esse momento ocorreu no meio de uma campanha eleitoral. Quando um dado da economia entra como elemento de uma campanha e um político o transforma numa vitória pessoal, do seu grupo, e não do país, a situação fica feia. Houve uma marretada no número.
Autossuficiência, na cabeça das pessoas, é não precisar de importar nada. Mas a Petrobras tem outra visão: que a produção de petróleo seja igual ao total de derivados de que se precisa. Nesse ponto, o Brasil foi autossuficiente durante pouco tempo, logo depois, aumentou o consumo de derivados. O país sempre precisou importar, mas sempre exportou também.
No ano passado, houve um déficit enorme na conta de petróleo. E foi criada uma gambiarra - mais uma - que deu à Petrobras mais tempo para registrar alguns números. Era tanto derivado importado a mais no ano passado que o déficit ficaria muito grande; então, um pouco foi jogado para 2013. O primeiro trimestre deste ano fechou com déficit comercial de US$ 5 bi, por causa do petróleo e dos derivados importados no ano passado, principalmente gasolina, combustível que recebeu muitos incentivos.
Portanto, não somos autossuficientes. O Brasil nos últimos anos diminuiu a produção e está importando cada vez mais derivados. O importante é continuar produzindo petróleo, investindo. Temos muitas coisas para comemorar ao longo da história da busca do petróleo no mar, mas não podemos dizer que somos autossuficientes nem que a conquista foi de um governo específico.

Blocos do Rio Grande do Norte ao Amapá, que vão a leilão este mês, ficam perto de santuários ecológicos

Ao lado do inimigo. Será possível a convivência da exploração de petróleo com verdadeiros santuários naturais, como manguezais e áreas de reprodução de tartarugas marinhas e corais? Este será um dos maiores desafios da 11ª Rodada de Licitações, que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai realizar nos dias 14 e 15 próximos. A poucos dias do leilão, ambientalistas alertam que pouco se conhece, nas regiões onde estão os blocos da margem equatorial (região que vai da costa do Rio Grande do Norte ao Amapá), sobre as correntes marinhas, ventos e marés. Este conhecimento é necessário para evitar que, em caso de vazamento, o óleo atinja a costa repleta de unidades de conservação. Os blocos estão entre 60 e 100 quilômetros da costa.

Dos 289 blocos que serão ofertados, 170 estão em bacias situadas na margem equatorial, onde não existem os chamados dados primários — obtidos através de pesquisa local, como a temperatura da água, as correntes marinhas, a variação das marés e a rota dos ventos, além da biodiversidade. Apesar de haver um potencial de 7,5 bilhões de barris de petróleo em reservas na margem equatorial, a região conta com 96 unidades de conservação. Deste total, 18 estão no litoral.

Maior costa de manguezais
Assim, especialistas destacam que a exploração exigirá altos investimentos tanto na fase de elaboração dos estudos de impactos ambientais, para obtenção das licenças, quanto na elaboração do Programa de Emergência Individual (PEI).
Segundo Guilherme Fraga Dutra, diretor do Programa Marinho da ONG Conservação Internacional Brasil, o leilão mostra que há falta de planejamento do governo, visto que muitas áreas não têm dados ambientais detalhados:
— Parece haver uma desconexão dos poderes. A ANP oferece os blocos; as empresas compram, e, depois, não conseguem a licença. E isso é ruim para todos. Do Maranhão ao Amapá, há a maior costa de manguezais do país. No Maranhão, há um dos maiores bancos de corais do país, o Parque do Parcel de Manuel Luís, que está próximo de blocos.
O presidente da consultoria CP+, Marcelo Bacci, diz que a região, com santuários ecológicos, é pouco conhecida:
— Os maiores riscos estão relacionados com a possibilidade de vazamento de óleo, que poderia afetar áreas sensíveis e atividades econômicas como a pesca e o turismo. Outro desafio é criar estruturas de combate ao vazamento numa região tão isolada.
O executivo lembra que o Ibama vai exigir das empresas vencedoras os estudos de impacto ambiental e o levantamento dos dados primários, uma vez que os dados existentes são secundários (obtidos de literatura disponível).
— É possível explorar petróleo e preservar o meio ambiente. Alguns dos blocos ofertados se sobrepõem a ecossistemas sensíveis — disse Bacci.
O chefe de gabinete da ANP, o biólogo marinho Sílvio Jablonski, admite que o Ibama deverá exigir das companhias o levantamento de dados primários para conceder o licenciamento e o Programa de Emergência Individual (PEI) terá de conter infraestrutura, como embarcações e bases em terra.
— Com o aval prévio do Ibama, estamos tranquilos que não teremos problemas de licenciamento. O Ibama retirou áreas que poderiam ter ameaça de levar óleo para a costa.
O Ibama, por outro lado, diz que há, sim, o risco de, ao se fazer os estudos de dados primários, se inviabilizar a exploração de algum bloco. Além disso, ressalta, os blocos que apresentam os maiores riscos são os próximos à costa .
— Sempre há a possibilidade de o estudo ambiental concluir que o projeto é incompatível com a região. Dados secundários não são ruins. Para a margem equatorial, há poucos dados ambientais como um todo, então será necessária a coleta de informações pelo empreendedor — diz Cristiano Vilardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama.
Uma fonte do governo federal destacou que os blocos estão a mais de 50 quilômetros da costa e a profundidades superiores a 50 metros do solo marinho. Por isso, acredita que não haverá problemas com as licenças.
— Um ou outro (licenciamento) pode ser um pouco mais rigoroso, mas nada que inviabilize a exploração. A obtenção dos dados primários é de responsabilidade das empresas, não do governo — afirmou a fonte.
Mas Ricardo Baitello, responsável pela campanha de energia do Greenpeace, lembra que as regiões Norte e Nordeste não contam com uma infraestrutura para que a empresa possa agir rapidamente em caso de vazamento.
— Além disso, não há um Plano Nacional de Contigência. E também não está clara a responsabilidade de cada órgão. Cada estado do Norte e Nordeste tem uma legislação e isso traz ainda mais incertezas.

Risco a países vizinhos
Segundo especialistas, uma das áreas mais críticas é a Bacia da Foz do Amazonas. Paulo Cesar Rosman, professor de Engenharia Costeira da Coppe, ressalta que as correntes marinhas predominantes da região vão em direção ao Norte, levando, assim, o óleo em direção à Venezuela em caso de vazamento. Bacci, da CP+, afirma que há risco de contaminação acidental em outros países:
— É um fato inédito nos licenciamentos, o que demandará negociação com os países potencialmente afetados e definirá uma maior complexidade no processo de licenciamento — destacou Bacci.
Assim, para Beatriz Paulo de Frontin, advogada de Direito Ambiental do Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, os investimentos serão mais elevados na região.
— Os investidores vão ter que enfrentar as incertezas na hora de adquirir os blocos. Quanto mais próximos a essas áreas sensíveis, maiores serão os investimentos para o controle de um eventual vazamento de óleo — destacou Beatriz.
A advogada Miriam Mazza, do mesmo escritório, diz que o ideal seria ter mais estudos prévios.

Vazamento de óleo em São Sebastião chega à enseada de Caraguatatuba 

Arte - Praias atingidas por vazamento de óleo em São Sebastião (Foto: Editoria de Arte/ G1)


Prospecção Onshore também é poluente, não se iluda:

Depois de “fechar os olhos” por décadas, Peru declara estado de emergência devido à contaminação por petróleo na Amazônia

Instituto EcoFaxina – O governo peruano declarou estado de emergência ambiental depois de encontrar níveis elevados de chumbo, cromo e bário no rio Pastaza na selva amazônica, relatou a Associated Press. Os povos indígenas da região têm reclamado por décadas de contaminação generalizada causada pelas perfurações de petróleo, mas esta é a primeira vez que o governo peruano reconheceu suas preocupações. Atualmente 84 por cento da Amazônia peruana está sobre potenciais depósitos de petróleo e gás, levando a conflitos com povos indígenas e a degradação ambiental.

O ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal, disse que a Pluspetrol, que passou a operar no bloco de petróleo em questão – 1 AB -, desde 2001, seria responsável por limpar a poluição. Mas o ministro também observou que a Occidental Petroleum, que operou o bloco de 1971 a 2001, todavia não havia sido ambientalmente responsável em suas operações.

O Peru tem 659.937 quilômetros quadrados de sua floresta amazônica (84 por cento), sobre atuais e potenciais depósitos de óleo e gás, uma área maior do que o Afeganistão. Não é de surpreender que, devido as grandes proporções, muitos dos blocos de petróleo cubram terras indígenas e áreas protegidas. Tais concessões colocam não só em perigo grupos indígenas e a floresta em si, mas também muitas tribos que vivem em isolamento voluntário, que são altamente suscetíveis à doenças.Enquanto isso, as companhias de petróleo estão reclamando que o processo de regulamentação do Peru está asfixiando o desenvolvimento dos campos de petróleo do país.
O Dow Jones Newswires divulgou no dia 19 deste mês que 16 companhias de petróleo se uniram para pressionar o governo peruano por aumento na produção de petróleo e gás.Em 2009, o conflito entre a exploração do petróleo e os direitos indígenas explodiram em violência. Um confronto entre manifestantes e policiais do governo levou à morte de 23 policiais e 10 manifestantes indígenas. Grupos indígenas, desde então, acusam a polícia de esconder corpos de manifestantes, a fim de ocultar a escalada da violência.Confira a reportagem “Amazônia ferida: desastre ecológico no coração da selva”, produzida pelo telejornal Panorama Peru:




Vazamentos recentes alertam para o perigo de grandes projetos


Uma dezena de aves diretamente atingidas, 22 casas evacuadas e um casal de pássaros mortos foram o passivo parcial do vazamento de 12 mil barris de petróleo oriundos de um oleoduto da empresa Exxon Mobil Corp, no dia 29 de março, nos Estados Unidos.
O acidente ocorreu três dias depois em que uma balsa afundou no rio Negro, no Amazonas, carregada com trinta mil litros de um composto derivado do petróleo, utilizado para produção de asfalto. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou a empresa Francis José Chehuan & Cia, responsável pela Balsa, em R$300 mil, mas uma semana depois a limpeza da área ainda não foi finalizada.
Embora pareçam pequenos em relação às tragédias como a do Golfo do México ou o da Chevron na Bacia de Campos, vazamentos como estes demonstram à precária infraestrutura existente mesmo após essas ocorrências e alertam para o cuidado que as autoridades locais devem tomar com outros dois grandes projetos: a Keystone XL e o Pré-Sal brasileiro.

Um dos primeiros desafios do segundo mandato de Obama, que prometeu ser “mais verde”, o apoio ao Keystone XL deve ser decidido ainda esse mês. O novo oleoduto, proposto pela petrolífera TransCanada, facilitaria a entrada do petróleo canadense nos EUA, por meio de uma ligação entre o já existente Keystone com o Golfo do México.
O projeto prevê uma nova rede de dutos, de mais de três mil quilômetros, entre o Canadá e o centro dos EUA, e deve custar cerca de US$ 7 bilhões.
O Keystone XL, contudo, é duramente criticado por entidades ambientais. A National Wildlife Federation informou que no caminho dos dutos estão várias áreas de conservação e o Aquífero Ogallala, de extrema importância para os estadunidenses.
Além disso, o petróleo será extraído das areias betuminosas, cujo processo de retirada é mais poluente do que o óleo tradicional. A estimativa é que a extração cause um aumento da temperatura da Terra de até 0,4°C.
Já o Pré-sal, bem, o primeiro vazamento na exploração da área demonstra que se deve aprender muito antes de explorar a fundo essa camada por aqui.


Mais informação:
RIO+20: Cúpula dos Povos
Como funciona uma termoelétrica
Para entender o vazamento da Chevron no Rio de Janeiro
Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Amazônia e Greenpeace lança Atlas "Mar, petróleo e biodiversidade - A geografia do conflito"
A Transocean, empresa proprietária da plataforma petrolífera que explodiu e originou uma maré negra no Golfo do México no ano passado, decidiu recompensar os seus dirigentes com aumentos salariais e prêmios, depois de considerar 2010 o seu “melhor ano” em questões de segurança.