sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Hidroponia x Agricultura Orgânica

Hidroponia não é cultivo orgânico, usa agrotóxicos e em muitos casos, a carga química é até maior. A planta cultivada na terra, no solo, conta com os nutrientes do terreno (e das outras hortaliças do entorno) para criar suas defesas naturais. Quando essa mesma planta é cultivada na água, a alteração bioquímica impede os mecanismos naturais de defesa e a ação humana e sintética tem que ser mais efetiva.

As técnicas de hidroponia foram criadas por japoneses como forma de cultivo emergencial, para locais onde não há terreno disponível e a adoção desse sistema por brasileiros é no mínimo uma piada de extremo mau gosto. Somos um país continental cuja primeira definição foi justamente "uma terra em que se plantando tudo dá."
Um vegetal sem terra na raiz na gôndola do supermercado não está mais limpo, está mais químico, o ideal é o que a humanidade adotou por 10.000 anos, a agricultura diversificada, familiar e orgânica em sistema agroflorestal que respeita critérios de sazonalidade.
Os cultivos agroflorestais da agricultura familiar com certificação orgânica não são apenas uma escolha politicamente correta, são legalmente certificados como mais saudáveis (por serem comprovadamente cultivados sem agrotóxicos) e podem ser a solução para outro problema ainda mais sério que já é a grande temática ambiental do século XXI, a crise hídrica. Cultivos hidropônicos demandam imensas estufas, muitas vezes urbanas, e instalações que mais lembram uma indústria, exigindo recursos como água e enrgia sem poder fornecer a contrapartida que o cultivo do solo gera de imediato. Na minha humilde e modestíssima opinião seria muito mais inteligente reflorestar e cultivar agroflorestas, salvando os solos para reter mais água e, com isso, aumentar o volume cada vez menor de nossas represas.
Discutir se um vegetal orgânico cultivado pela agricultura familiar em sistema rotativo respeitando outras espécies consorciárias, que ainda por cima foi irrigado por gotejamento, consumiu ao longo de sua vida útil mais ou menos litros da água da mesma represa que ele ajuda a manter do que um produto saído de uma estufa é, na minha opinião, a maior perda de tempo.

Algumas empresas vendem produtos hidropônicos que seriam supostamente orgânicos por terem sido desenvolvidas técnicas de cultivo em estufa sem agrotóxicos. Ainda não são certificados como orgânicos pelos devidos órgãos públicos e, na dúvida, por todas essas razões, eu nunca comprei. Qualquer produto agropecuário (ou processado) para ser considerado orgânico, deve ser legalmente certificado. Torço imensamente para essas empresas hidropônicas, sendo sérias, se certificarem e assim, termos mais opções de orgânicos, mas até lá, eu fico com a feira orgânica do meu bairro e as saladas que faço em casa e carrego sem embalagens descartáveis nas minhas marmitas e lancheiras 100% reaproveitáveis.







"A pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) comparou amostras de alimentos orgânicos, convencionais e hidropônicos (aqueles cultivados em água). Advinha qual delas apresentou maior concentração de agrotóxico? “Os hidropônicos, para nossa surpresa, tem mais de 40% das amostras com algum tipo de contaminação”, revela Sônia Stertz, química da UFPR.", Globo Repórter: Agrotóxicos podem causar doenças como depressão, câncer e infertilidade



Hidroponia não é orgânico, Dra. Shirley de Campos


A maioria das plantas tem o solo como o meio natural para desenvolvimento das raízes, encontrando nele o seu suporte, fonte de água, ar e minerais necessários para sua alimentação e crescimento. As técnicas de cultivo sem solo substituem este meio natural por outro substrato, natural ou artificial, sólido ou líquido, que possa proporcionar à planta aquilo que, de forma natural, ela encontra no solo.

A Hidroponia consiste numa técnica de cultivar plantas em meio líquido rico em sais minerais. comprovadamente, a hidroponia, pelo menos aquela praticada em nível comercial, não funciona como um processo totalmente inorgânico.

Mas afinal, o que é a Hidroponia orgânica”? Os sistemas hidropônicos ditos orgânicos, mecanicamente, não apresentam nenhuma diferença dos convencionais inorgânicos, pois baseiam-se nos seis sistemas básicos conhecidos. A diferença está na solução de nutrientes. Esta, em vez de preparada a partir de sais minerais industrializados, é preparada a partir de dejetos animais e resíduos vegetais e animais biodigeridos em dispositivos conhecidos como bioiltros e biodigestores. Os biofiltros, beneficiam, através de um processo biológico, águas poluídas com excrementos de peixes, transformando-as numa solução de nutrientes.

Dos biodigestores, obtém-se o biofertilizantes e a partir deste, se prepara a solução de nutrientes. 

A Hidroponia, diferencia-se radicalmente da agricultura orgânica. Primeiro, porque é um sistema hidropônico, e como tal, não utiliza o solo, e segundo, porque produz plantas altamente sãs, e com elevado nível de assepsia. Uma das características mais importantes da hidroponia orgânica, é a possibilidade que ela nos possibilita de montar sistemas ecológicos fechados, onde tudo o que se utiliza é reciclado, não agredindo de modo algum o meio ambiente.

O grande argumento entre o orgânico e inorgânico se centra no uso de pesticidas sintéticos. As pragas em uma estufa hidropônica estão controladas por agentes biológicos em mais de 90 %. O controle de pragas através do manejo integrado de plagas (MIP) é o método amplamente aceitado. Este inclui o uso de agentes predadores os quais eliminam as pragas. Alguns pesticidas suaves como sabões (M-Pede), extratos de plantas (Azatin, Neemix), bactérias (Dipel, Vectobac), fungos (Mycoprop, BotaniGard) e outros são seguros para usar-se com agentes biológicos para controlar as infestações sem danificar os balances predador - presa. Isto coloca o produto 
hidropônico em um estado “livre de pesticida”, mas os produtores orgânicos argumentam que ainda não é orgânico devido ao uso de fertilizantes químicos.

Para ser realmente um cultivo hidropônico orgânico, se deveria usar nutrientes de fontes orgânicas tais como fertilizantes a base de peixe, extratos de plantas marinhas e outros fertilizantes “naturais” não refinados. Muitos destes fertilizantes orgânicos estão disponíveis para os cultivos de campo, como o solo que sempre provê um certo nível de nutrição para as plantas. Por outro lado, o cultivo hidropônico começa sem nada de nutrientes no substrato e geralmente com inadequadas quantidades na água. No entanto, a água freqüentemente contém carbonatos de cálcio e magnésio, ferro, boro, zinco e outros micronutrientes. Seus níveis geralmente não são ótimos e portanto a água requer nutrientes adicionais. Algumas vezes os níveis de micronutrientes podem estar muito altos e terão que ser removidos da água.

No entanto, os fertilizantes inorgânicos atuam da mesma maneira que os orgânicos no término de assimilação da planta. Todos têm que ser descompostos em formas iônicas e unir-se aos colóides do solo (em caso de cultivo em solo) e logo são liberados na água que rodeia as raízes das plantas (o qual é o mesmo como solução nutritiva em hidroponia). Logo toma lugar o intercâmbio iônico entre as raízes da planta e a solução nutritiva. Fisiologicamente as plantas não diferem no intercâmbio iônico entre a solução solo ou solução nutritiva.



02 sites oficiais:
Hidroponia.com.br
Hidroponia no Wiki



Mais informação:
Chinampas
Alimentos irradiados
Agricultura Biodinâmica
Lancheiras e marmitas saudáveis
Orgânicos podem ser mais baratos
Carnes orgânicas, o quê e como comer
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)
A casa sustentável é mais barata - parte 21 (espiral de ervas, torres e pirâmides de cultivo)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

“Em apenas seis dias, 13 tartarugas marinhas foram encontradas mortas pelas praias de Maceió”

Quando estive na Jureia, passei 10 dias numa praia deserta, o Arpoador, onde todos os dias, enchia sacolas com o lixo trazido pelo mar. No meu primeiro dia como voluntária, recolhi sozinha 8 sacolas com capacidade para 30 litros cada. Descrevo melhor a experiência na postagem "Na Jureia: o Arpoador"
O curioso é que grande parte do lixo era composta de artigos estrangeiros, como garrafas de água mineral ou embalagens de produtos de limpeza muitas vezes escritos em japonês, imagino que de barcos de pesca ilegais (já que o pescado japonês anda cada vez mais raro). Entretanto também encontrava-se uma infinidade de canudinhos plásticos. Especialmente aquele menor, usado em caipirinhas, o que mostra que o turista de cruzeiro faz do oceano uma lata de lixo enquanto bebe no convés.
Os canudinhos devem ser realmente um problema sério em qualquer lugar da nossa costa para que o Projeto Aqualung tenha criado uma campanha voltada especialmente para eles, a "Guerra de Canudos nas praias", o cartaz da campanha também está linkado no final dessa postagem.

Se gosta de Carnaval, como eu, não deixe de ver também a postagem "O mar de licho do Carnaval baiano", linkada em "mais informação" ao final dessa postagem, mostra o mar de lixo que se forma com latinhas, garrafas de cerveja e até camisetas de abadás no fundo do mar em Salvador todo ano após a festa.

Leia melhor sobre as tartarugas abaixo:


“Em apenas seis dias, 13 tartarugas marinhas foram encontradas mortas pelas praias de Maceió. Nove delas de uma mesma espécie”

“Em apenas seis dias, 13 tartarugas marinhas foram encontradas mortas pelas praias de Maceió. Nove delas de uma mesma espécie”, informou o diretor executivo do Instituto Biota de Conservação, o biólogo Bruno Stefanis. A ONG tem a alçada de resgates desses animais mortos e atua na causa do bem estar marinho do estado de Alagoas.
Para o biólogo, esse tipo de divulgação, cada vez mais, vem se tornando corriqueiro em Alagoas, em especial em Maceió onde a ONG atuar com maior eficácia, mas nem por isso nenhum órgão ambiental ou não – do Município, Estado ou União – toma as providências para tentar, ao menos, minimizar o problema.
Acervo Instituto Biota


Tartaruga verde encontrada morta na praia
Só neste mês de agosto — dos dia 2 ao 8 — treze tartarugas marinhas foram encontradas encalhadas mortas e já em estado de decomposição em praias de Maceió, como Pajuçara, Ponta Verde, Riacho Doce, Pontal e Jatiúca.



“Foram nove animais da mesma espécie, tartaruga olivacea, encontradas em poucos dias”, disse a voluntária do Biota, Eri Araújo. Desses nove animais, seis foram encontrados em um único dia, fato que só agrava ainda mais a situação das praias no Estado.

Acervo Instituto Biota












Tartaruga de Oliva encontrada no Riacho Doce


Segundo Stefanis, a causa da morte só pode ser especificada através de necropsia, mas a maioria das tartarugas marinhas morrem ainda dentro do mar e só depois de algum tempo encalham na areia, já em estado de decomposição, o que impossibilita a realização da necropsia. Contudo, em alguns casos em que os animais foram resgatados ainda com vida, mas morreu em reabilitação, o procedimento foi possível e o resultado não foi uma surpresa para os biólogos e veterinários.
“Encontramos bola de sopro, pedaços de plásticos, colher descartável, liga de borracha”, enumerou o biólogo. “Esse tipo de poluição é confundida pelo animal como sendo um alimento, ele ingere e não consegue fazer a digestão, o animal morre asfixiado”, completou Bruno.

No último mês de março, a Câmara dos Vereadores de Maceió anunciou a obtenção de R$2 milhões para o investimento no fim das "línguas negras" nas praias de Maceió, mas até o momento nada foi feito.
Acervo Instituto Biota























Lixo encontrado no estomago de tartaruga.
Acervo Instituto Biota
























Liga de borracha retirada de estômago.






Outras tartarugas e animas marinhos que estão levando a pior:
Plástico é o vilão dos mares
Guerra de canudos nas praias 
Uma tartaruga só não faz verão
O mar de lixo do Carnaval baiano
Tartarugas não são animais domésticos
"Infelizmente nenhum dos filhotes sobreviveu"
Os 10 principais animais ameaçados de extinção
Para onde vai o lixo que é jogado na praia ou no mar

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tudo que você queria saber sobre orgânicos, mas não tinha uma nutricionista para perguntar



Referência quando se trata de alimentos orgânicos e nutrição, Dra. Elaine de Azevedo esclarece, nesta entrevista, muitas dúvidas básicas de quem opta por consumir orgânicos e busca argumentos científicos e bem embasados para isto. Alimentos orgânicos são, afinal, mais nutritivos do que os convencionais? Quais os riscos de ingerir doses mínimas de resíduos de agrotóxicos diariamente, mesmo que tais doses estejam dentro dos padrões permitidos pela Anvisa? Qual a funcionalidade dos alimentos orgânicos? Adianta lavar alimentos com resíduos de agrotóxicos?

Esta e outras dúvidas Dra. Elaine, formada nutricionista pela UFPR, com mestrado em agroecossistemas e doutorado em sociologia política pela UFSC, além de pós-doutorado em saúde pública pela USP, responde com clareza. Seu interesse pelos orgânicos parte da premissa de que o conceito de alimento saudável deve ser expandido em toda rede de produção: saudável para as plantas e animais, para quem produz, para o meio ambiente, para quem consome. O início de sua formação começou com um curso de aperfeiçoamento em medicina antroposófica, que dá prioridade ao consumo de alimentos biodinâmicos. Em estágios realizados em clínicas e hospitais antroposóficos na Alemanha, Áustria e Suíça, conheceu o movimento ambientalista europeu, que acolhia a discussão sobre o impacto da agropecuária sobre a saúde e meio ambiente. 

Desde que voltou ao Brasil, em 1991, vem se dedicando a divulgar os benefícios dos alimentos orgânicos entre o público leigo e os especialistas. Hoje, dedica-se a ministrar palestras e cursos sobre consumo sustentável, riscos ambientais e sistema agroalimentar, qualidade do alimento orgânico e agricultura e saúde coletiva em diversas instituições e eventos em todo o Brasil. Atualmente é professora na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul e é diretora de Conteúdo do Portal Orgânico.

Outra novidade é que seu livro, um dos mais consistentes compêndios sobre alimentos orgânicos já publicados em língua portuguesa, "Alimentos Orgânicos", deverá ser reeditado ainda neste semestre pela Editora Senac. Vamos às dúvidas. E aos fatos.


PORTAL ORGÂNICO: Os alimentos orgânicos são mais nutritivos do que os convencionais? 
DRA. ELAINE: Primeiro de tudo é bom lembrar que existem vários aspectos de qualidade do alimento orgânico. O valor nutricional é um deles. Mas existem outros, como toxicidade, que é o principal diferencial, durabilidade e características sensoriais, como sabor, cor e textura. Podemos dizer que, a princípio, os orgânicos não têm maior valor nutricional, e sim melhor valor nutricional.


PORTAL ORGÂNICO: Por quê?

DRA. ELAINE: Vamos fazer uma relação com o ser humano. Quando comemos demais, não quer dizer que estejamos bem nutridos. Ao contrário. Pode surgir uma tendência à obesidade. E, se comemos pouco e mal, ficamos desnutridos. O ideal, então, é termos a qualidade e a quantidade de nutrientes adequada para a nossa espécie. Nas plantas é a mesma coisa. O solo deve fornecer o necessário, não o excesso. Um solo saudável, enriquecido com adubos orgânicos, é rico em muitos tipos de minerais. Os vegetais cultivados convencionalmente, à base de fertilizantes sintéticos – compostos unicamente de grandes quantidades de nitrogênio, fósforo e potássio de alta solubilidade, o adubo NPK –, acabam absorvendo grandes quantidades de nitrogênio do solo. Por isso, formam mais proteína, mas também mais nitrogênio livre, criando um desequilíbrio interno na planta. Esses vegetais que têm nitrogênio em excesso atraem mais pragas e por consequência tem-se que usar mais agrotóxicos para combatê-las. Ou seja, ter mais proteína não significa necessariamente ser um alimento mais saudável. Já a planta cultivada organicamente recebe e absorve somente os nutrientes de que precisa e tem um equilíbrio no valor nutritivo em geral. Não me refiro especificamente a carboidratos, lipídios e proteínas, que, tanto nos alimentos orgânicos quanto nos convencionais, são formados pela ação da luz solar, pela fotossíntese. Nisso eles podem ser muito semelhantes. Aliás, não são esperadas grandes diferenças de valor nutritivo entre orgânicos e convencionais.

PORTAL ORGÂNICO: Então o que diferencia o alimento orgânico do convencional em termos nutricionais, afinal?

DRA. ELAINE: É a qualidade do solo. Há pesquisas realizadas com alguns alimentos vegetais que comprovam a superioridade de minerais dos orgânicos. São poucas pesquisas ainda, mas nelas se provou que é no teor de mineral que o alimento orgânico pode se diferenciar do convencional. E existem estudos que mostram que o teor dos minerais nos alimentos diminuiu muito por causa dos métodos da agricultura convencional. Por isso os especialistas receitam cada vez mais suplementos sintéticos. Os solos estão pobres; os alimentos produzidos neles também. 

PORTAL ORGÂNICO: Além do equilíbrio mineral, há mais alguma diferenciação entre o orgânico e o convencional?

DRA. ELAINE: Sim. Também é comprovado por meio de pesquisas que os alimentos orgânicos têm maior teor de fitoquímicos, substâncias como isoflavona, sulforaceno e licopeno, foco da nutrição funcional. No tomate orgânico, por exemplo, há maior teor de licopeno. Essas substâncias têm diferentes funções no organismo e na planta elas funcionam como um sistema de defesa; ou seja, o sistema imunológico da planta produz fitoquímicos. Os vegetais orgânicos têm que desenvolver um sistema de defesa mais eficiente porque não recebem o agrotóxico que controla as doenças. Novamente, comparando com o organismo humano, se o corpo está bem nutrido (como uma planta orgânica), ele tem um sistema de defesa que produz anticorpos de forma mais eficiente. A planta produz fitoquímicos. E, no caso de alimentos de origem animal, os orgânicos têm, comprovadamente, gordura de melhor qualidade, porque os animais criados organicamente têm a possibilidade de caminhar, ciscar, se movimentar. Aí também comparo conosco: quando fazemos exercícios regularmente, temos gordura corporal de melhor qualidade. Há várias pesquisas que comprovam que os alimentos orgânicos de origem animal (carnes, leites, ovos) têm taxas iguais de ômegas 3 e 6, maior teor de ácidos graxos insaturados e menores teores de ácidos graxos saturados. É bom ressaltar que o teor de gordura de proteína animal orgânica não é maior nem menor. É melhor.

PORTAL ORGÂNICO: São gorduras melhores para o nosso organismo absorver, é isso?

DRA. ELAINE AZEVEDO: A gordura insaturada eleva o nível de lipoproteína de alta densidade no sangue (HDL ou “colesterol bom”) e reduz o nível de lipoproteína de baixa densidade no sangue (LDL, ou “colesterol ruim”). Quando citei a relação entre ômegas 3 e 6, que é de um para um, isso indica também que a gordura é de melhor qualidade. A relação de equilíbrio entre os dois tipos de ácido linoléico (3 e 6) ajuda a evitar os problemas associados ao consumo excessivo de ômega 6 na dieta. Entre tais problemas estão as doenças cardíacas; a arteriosclerose; alguns tipos de câncer; hipertensão; colite e alguma doenças ósseas São assuntos bastante técnicos e o mais fácil é dizer: são alimentos que apresentam gordura de melhor qualidade, uma vez que o animal se exercita. 

PORTAL ORGÂNICO: Há pesquisas que comprovam efetivamente tudo isso?

DRA. ELAINE AZEVEDO: Sim. Há várias que demonstram o teor aumentado de fitoquímicos e a qualidade da gordura animal. Em alguns vegetas pesquisados também foi comprovado o maior equilíbrio de minerais. No teor de proteínas, carboidratos e lipídios, porém, se fala em controvérsias na pesquisa. É uma controvérsia que, na verdade, não vai se diluir, porque não se esperam diferenças entre orgânicos e convencionais no quesito valor nutricional. E é um aspecto difícil de pesquisar. O simples transporte do alimento, a quantidade de luz solar ou água que a planta recebe já mudam o valor nutricional, então é um aspecto que precisa ter muito controle para a realização de estudos comparativos. Mas de qualquer maneira não é sob esse aspecto que se pode dizer: ah, é aí que os orgânicos se destacam. Não é por aí. Eu insisto que o valor nutricional não é o aspecto mais importante para definir a qualidade de um alimento. É muito reducionista. 

PORTAL ORGÂNICO: O fato de alguns alimentos orgânicos serem mais caros em alguns casos não seria neutralizado então pelo maior benefício que eles proporcionam à saúde?

DRA. ELAINE AZEVEDO: Bem, você já respondeu. Digamos, porém, que este valor mais caro é algo relativo, já que os orgânicos efetivamente proporcionam maior benefício à saúde. Não só à saúde humana, mas também à saúde do meio ambiente, que, por tabela, também acaba refletindo na saúde humana. Então esse adicional de preço justo – que deve ser justo, e não 100% a mais, ou um preço especulativo – já implica tratar-se de alimento de melhor qualidade. Todo e qualquer produto melhor custa mais. Então a própria lei do mercado está implícita no alimento também. O produto orgânico é mais caro porque tem melhor qualidade. Mas, repito, não pode ser um preço abusivamente mais caro que torne o alimento elitizado. Pensando de outro modo: no caso dos alimentos convencionais, que são mais “baratos”: qual o real valor de um alimento barato que promove exclusão social do agricultor familiar, causa doenças e ainda degrada o meio ambiente? Que barato é este? É preciso pensar de forma sustentável a médio e longo prazos. 

PORTAL ORGÂNICO: Quais os riscos de diariamente ingerirmos resíduos de agrotóxicos, mesmo que eles estejam dentro dos padrões da Anvisa? Não há o risco de acumulação no organismo, pois se diariamente ingerimos a dose recomendada em vários produtos, não teríamos no fim uma grande quantidade de resíduos ingerida?

DRA. ELAINE: Então, esta é uma pergunta difícil de responder. E explico por quê: os efeitos dos agrotóxicos são cumulativos. Aliás, todo problema relacionado à alimentação tem esse efeito. Mas não há como comprovar, literalmente, se o câncer que determinada pessoa teve depois de 30 anos consumindo alimentos convencionais está relacionado ao agrotóxico. Há estudos que mostram a relação de vários tipos de câncer com alguns agrotóxicos e, mais recentemente, detectou-se a relação entre o Mal de Parkinson e agrotóxicos na França. Mas todas essas doenças são multicausais. Não é só o agrotóxico que causa o câncer. E é justamente a multicausalidade das doenças que torna extremamente difícil a gente dizer qual é a dose inócua para o organismo. Não dá para dizer: qual é a dose certa do veneno?  Veneno é veneno. Se você usar pouco, com certeza o efeito vai ser mais de longo prazo. É aquela história: se você fumar pouco, continua sendo maléfico, mas você vai ter o efeito a mais longo prazo do que se fumar muito. Se alguém bebe o agrotóxico, morre. Se usa um pouquinho ao longo da vida, poderá ter uma doença crônica, não aguda. Mas continua a ingerir veneno e as consequências disso vão aparecer um dia. Outra coisa é que a “quantidade certa” de ingestão de agrotóxicos também não existe. É veneno. Vai ter repercussão em alguma instância. Mas nós não estamos ingerindo a quantidade certa. Estamos ingerindo mais, daí é difícil calcular riscos. 

PORTAL ORGÂNICO: Então estamos ingerindo em excesso?

DRA. ELAINE: Claro. A gente nunca ingeriu na quantidade certa, tanto é que a Anvisa tem mostrado os alimentos que estão fora dos padrões. E, além disso, consumimos venenos já proibidos em outros países. É um abuso.

PORTAL ORGÂNICO: Mas boa parte das irregularidades detectadas na Anvisa era referente a uso não permitido de agrotóxicos em determinadas culturas, e não necessariamente ao excesso de limites.

DRA. ELAINE AZEVEDO: Esse é outro problema que enfrentamos. Entretanto, olha só: estou agora acabando de redigir uma pesquisa com alguns produtores de Dourados (MS), onde eu dou aulas na universidade. E os grandes produtores acham simplesmente que, se usar a dose certa, recomendada, não tem problema. Isso é recorrente. Mas essa realidade, efetivamente, nós não conhecemos. 

PORTAL ORGÂNICO: Você acha então que o agricultor utiliza acima da dose certa?

DRA. ELAINE AZEVEDO: Sim. Especialmente o pequeno agricultor, aquele que produz alimentos para nosso consumo. Não se sabe, porém, nem se o uso na dosagem certa seja melhor ou inócuo. Assim como também não temos ainda estudos conclusivos que mostram que há mais câncer no Brasil por causa de agrotóxicos. Em algumas regiões de uso intensivo de agrotóxicos, como a região do fumo, por exemplo, há maior índice de suicídios e depressão relacionados ao uso de agrotóxicos do que em regiões onde não se cultiva fumo. Essa falta de conclusões científicas é que permite que se continue usando. Para nos deixar ainda mais intranquilos, nos países com maior controle do uso e quantidade de agrotóxicos também aparecem estudos e repercussões dos seus efeitos, como a França e a Inglaterra. Ali também existem preocupações relacionadas ao uso de agrotóxicos, inclusive doenças não ocupacionais, ou seja, aquelas não ligadas diretamente a quem trabalha com agrotóxicos. Há várias pesquisas no meu livro, que mostram os efeitos do uso de agrotóxicos nas populações no entorno de áreas de uso intensivo de veneno. E também nas populações em geral. Aqui, no Brasil, começamos recentemente a nos preocupar com o controle de agrotóxicos e órgãos como a Anvisa e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) começam a se mobilizar mais efetivamente. Estamos ainda dentro do critério de risco e não de perigo. Explico: perigo a gente conhece a causa (com pesquisas provando, como o perigo do fumo); risco a gente não pode provar, como os agrotóxicos. Estamos bem dentro deste critério de risco para discutir agrotóxicos. São várias conjecturas e várias questões que se entrelaçam para chegarmos ao nível de formularmos um possível perigo. 

PORTAL ORGÂNICO: Como está a pesquisa ligada à nutrição e agrotóxicos no Brasil?

DRA. ELAINE AZEVEDO: A área da saúde coletiva tem se preocupado mais e existe preocupação cada vez maior na relação de doenças e agrotóxicos. Na área da nutrição a pesquisa é quase inexistente. Poucos nutricionistas e médicos incorporaram o conceito orgânico no contexto de qualidade alimentar. Quem tem o interesse de apoiar essas pesquisas? A Abrasco acabou de lançar um dossiê sinalizando a escassez de pesquisas na área.

PORTAL ORGÂNICO: Há maneiras de eliminar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos?

DRA. ELAINE AZEVEDO: Não, eliminar não. A grande maioria dos agrotóxicos é metabolizada até a semente. Então, o que você tira na lavagem é o excesso da casca. Pode retirar utilizando uma escovinha e tal, mas só retira o excesso, e não o agrotóxico metabolizado pela planta. Não tem como retirar. Ele não fica só na casca. O que você retira na higienização é o excesso. E eu sou contra tirar a casca de um alimento – fonte de fibras e nutrientes – porque temos que diminuir o veneno. Tem que ser orgânico, tem que ser sem veneno. 

PORTAL ORGÂNICO: Nem com o agricultor respeitando as carências exigidas pelo fabricante antes de vender o alimento? O agrotóxico não se degradaria naturalmente até o prazo de consumir o produto?

DRA. ELAINE: Não, pois, cumprindo a carência, o que se faz é diminuir exatamente a alta periculosidade do alimento. Se alguém consumir um alimento cuja carência ainda não tenha vencido, esta pessoa estará justamente consumindo veneno em excesso, numa quantidade bem maior do que a recomendada. Agora, pensa bem: a planta metaboliza o veneno, “degrada” e vai para onde? Para algum lugar o agrotóxico tem de ir. É comum um agricultor dizer: “A terra anula o veneno”. Ou seja, ela absorve ou ele evapora. Ou fica na terra, no lençol freático, ou volta como chuva ácida. Um efeito tóxico não se anula. Não tem como sumir

PORTAL ORGÂNICO: Há diferença de sabor entre o alimento orgânico e o convencional?

DRA. ELAINE: Sim, há diferença. Os mais sensíveis percebem o gosto do veneno em alguns alimentos convencionais. Mas só posso dizer que os orgânicos têm sabor (e também cor, textura, odor) original. Se o sabor é melhor ou pior, é uma questão individual. Por exemplo, tem gente que não gosta de leite orgânico, que lembra “vaca”. Que prefere leite longa vida, industrializado com um sabor que remete ao chocolate; ou questiona a galinha orgânica, caipira, que tem um sabor “mais forte”. Dá para dizer que é melhor? Não. Dá para dizer que é um sabor original do alimento. Agora, existem pesquisas em vegetais que mostram que cenouras e maçãs são mais adocicadas, com maior teor de açúcares. Outro exemplo, a cor amarela intensa do ovo orgânico pode gerar nojo em algumas pessoas, que podem preferir um ovo mais esbranquiçado. Características sensoriais do alimento orgânico é uma questão bem subjetiva. Mas os sabores são diferenciados e por isso os chefs têm preferido os orgânicos.

PORTAL ORGÂNICO: Quais os benefícios de consumir orgânicos?

DRA. ELAINE: Bem, quase todos os benefícios têm a ver com a saúde. O primeiro é que você vai ter alimentos com menor toxicidade e menos resíduos de contaminantes (não só agrotóxicos, mas também adubos, aditivos, drogas veterinárias), que duram mais e que têm um valor nutricional equilibrado e características sensoriais originais. Existe outro aspecto, que é o ambiental. Ao consumir orgânicos, você está preservando a saúde do meio ambiente, que afeta a sua saúde. Quando você compra orgânicos, cuida da qualidade do seu ar, da sua água, da sua terra. Não é o meio ambiente lá fora. É a sua saúde via meio ambiente, porque não dá pra ser saudável respirando um ar poluído e bebendo água contaminada. Porque eu falo isso? Porque as pessoas conseguem pensar o meio ambiente muito fora de si mesmas. Mas o cuidado com o meio ambiente deve começar com seu corpo, sua primeira casa. Hoje o agricultor é o cara que detona ou cuida do seu meio ambiente. Do seu ar, da sua água, da sua qualidade de vida. O terceiro aspecto é que a agricultura orgânica é quase sempre feita por agricultores familiares. Ao consumir orgânicos, você apoia essa forma de agricultura, que é o sistema que produz seu alimento. Não é o agronegócio que produz o que você come no Brasil. Ele produz para exportar. Se você não apoia o pequeno agricultor porque acha que não tem nada a ver com ele, pense pelo menos individualmente: de onde virá sua comida? Se eu ajudo o agricultor a ficar no meio rural, tenho a longo prazo uma cidade de melhor qualidade, com menos desemprego, menos violência, e isso interfere na nossa saúde, que é a saúde social. O que eu gosto muito de enfatizar é que o alimento orgânico tem três âmbitos, que é o da saúde humana, social e ambiental e todos eles têm uma íntima relação com a saúde do indivíduo. Essa é uma forma de pensar saúde de um modo amplo e não reducionista. Comer é um dos atos mais complexos que a gente faz cotidianamente. 

Fonte: Portal Orgânico


Não deixe de assistir: 
O mundo segundo a Monsanto
“O veneno está na mesa 1 e 2” e "Nuvens de Veneno"



Outra entrevista: Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos




Para comprar direto do produtor:
Mapa Nacional de Feiras Orgânicas no site do Instituto de Defesa do Consumidor

Uma opção para nós brasileiros, que jogamos no lixo 1/3 de tudo que é comprado no supermercado:

Banco de alimentos




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O Brasil orgânico que funciona
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Hidroponia x Agricultura Orgânica
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O mito do agrobusiness: agronegócio perde em eficácia para agricultura familiar

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Butão quer ser o Primeiro País com Agricultura 100% Orgânica




O Butão é um pequeno país localizado no Himalaia, entre a China e a Índia, na língua local Butão significa “Terra do Dragão”, tem uma área de pouco mais de 38 mil km² e com uma população de 700 mil habitantes. A agricultura tem grande peso na economia do Butão, pois ela é essencialmente de subsistência, e meio de vida para mais de 90% da população. Duas curiosidades sobre o Butão, ele foi o primeiro país do mundo a banir o consumo público e a venda de cigarros, e a segunda é que ele usa a Felicidade Nacional Bruta como uma medida do progresso do país.

Agora o Butão dá mais um passo rumo a uma vida sustentável e saudável, o país está tentando fazer a transição para o emprego apenas de agricultura biológica, ou seja, uma agricultura 100% orgânica. Eles tem uma vantagem para alcançar esse objetivo, a maioria de seus agricultores já são orgânicos por natureza, eles usam métodos de agricultura milenar que são ecologicamente sustentáveis e o clima muito frio ajuda, já que afasta muitas das pragas.

Segundo a National Public Radio (NPR) ” O Ministério da Agricultura diz que o programa orgânico, lançada em 2007, não se trata apenas de proteger o meio ambiente. Ele também irá treinar os agricultores com novos métodos que irão ajudá-los a produzir mais alimentos e aproximar o país da auto-suficiência.”


Fonte: Vida Sustentável








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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)

O meu assunto favorito em construção sustentável é captação de águas pluviais, ou reaproveitamento de água da chuva, comento acerca na postagem específica. Contudo, na minha opinião, nada é mais divertido em bioconstrução do que estantes feitas a partir de materiais reaproveitados.
Estantes são lúdicas, coloridas, multifuncionais, recicláveis e o que mais você imaginar.
Acredito até que são o tema com maior apelo dessa série sobre a casa sustentável.
Atente que a ideia não é comprar móveis novos, serrar tudo e reproduzir as fotos abaixo. Tampouco correr para um atacadão de madeiras e encomendar muito MDF oriundo de reflorestamento de eucalipto. O que as imagens abaixo tentam mostrar é que qualquer material bem aproveitado pode dar origem a uma nova estante, basta imaginação e boa vontade.

Outros modelos de estantes são encontrados também nas postagens sobre pallets e reels, material de demolição e até na primeira postagem da série, incluindo as estantes usando escadas e caixotes de feiras, que tanta gente gosta.
Hoje, vou me aprofundar pelo prazer de ver esses móveis tão úteis, simples e elegantes em sua forma.
Espero que você goste tanto quanto eu.


O mais trendy, Thomas Wold, reusa móveis antigos, serra tudo ao meio, pinta, reaproveita gavetas em nichos que só ele imagina, joga com balanço e volume. Adoro tudo, até porque ele batiza suas obras com nomes que realmente têm a cara dos móveis.

Vanity e Big Rock Candy:



Shelf Life 4 e 5:












Um modelo infantil e outro adulto, cujos nomes não encontrei:




Encerrando, minhas favoritas, a Blonde e a versão mais famosa dele, com vitrola antiga acoplada. Eu tive uma vitrolinha dessas, de pé de palito, ficava na sala de meu antigo apto e foi comprada por modestos R$200,00 de um catador em seu galpão, a foto está na postagem exclusiva sobre Móveis de Segunda Mão linkada abaixo.




O design clean de Isabel Quiroga, facilmente adaptável para qualquer móvel, levam o nome de Storytellers, pois contam histórias só de olhar, note que ela também mistura estilos e materiais, um arquivo metálico coexiste pacificamente na mesma cor dos móveis em madeira de estilos diferentes:





Outra inspiração, Guy Brown:



Gavetas de origens e formatos distintos, juntas em cores e texturas diferentes, os vãos dão noção de espaço e movimento. Gavetas de arquivos metálicos, normalmente menos enferrujadas do que os arquivos que as comportam, podem e devem ser reaproveitadas.
Perceba também que os puxadores são diferentes entre si, boa forma de reaproveitamento.
As laterais, tampos e bases podem ser em reúso de material de demolição, como portas, janelas ou mesmo outras estantes, fica ainda mais bonito.
Algumas fotos são do estúdio alemão Entwurf-Direkt que reaproveita gavetas antigas em seus móveis.





Estantes personalizadas feitas com material de demolição, madeiras em tamanhos irregulares retiradas de portas, janelas e armários antigos.



Reaproveitamento de tubos de pvc. Não saia correndo para comprar tubos na loja de material de construção mais próxima. Aproveite para pedir os tubos que toda obra descarta como sobressalentes, seu móvel deve ser reciclado de verdade, não apenas ter uma cara "verde" para as visitas.
Dois exemplos do melhor e do pior, tudo pode ser bonito e compor com o ambiente. O segundo exemplo, apesar de bem elaborado, peca pela falta de harmonia no conjunto. Imagino que dormir ao lado desses tubos dispostos dessa maneira e cheios de sapatos usados tampouco deva ser agradável.
Repare na primeira foto que há um calço escorando a base para os tubos não rolarem e a estante ainda divide a sala em 2 ambientes.



 




















Reaproveitando caixas plásticas de feira-supermercado, os 2 primeiros modelos reutilizam móveis antigos com pés de madeira e ferro. O segundo modelo ainda apresenta um gaveteiro em tamanhos variados:





Reaproveitamento de latas de tinta, que são lixo cinza e não reciclam. Com uma furadeira é possível prender qualquer latão de tinta na parede. Muitos galões retangulares formam uma estante igualzinha a qualquer das estantes feitas atualmente em caixote de feira, veja a segunda foto e faça a comparação.























Reaproveitamento de barris de madeira:





Reaproveitamento de estrados de camas chumbados na parede:






Reaproveitamento de garrafas com madeira de demolição, não tente fazer em casa sem os cabos de aço, o vidro não aguenta o peso das estantes sozinho. A primeira foto abaixo não é exatamente uma estante, mas uma divisória sem peso distribuído.


Com cabos de aço suportando e distribuindo o peso:





















Reaproveitamento de guidom de bicicleta, são os alces empalhados do século XXI, sem crueldade animal e estimulando a mobilidade urbana.

A imagem da bicicleta na janela em si também é muito singela, a leveza aliada a iluminação passa a impressão da bicicleta flutuar.












Mais informação:
O mito do reflorestamento de eucalipto
A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e reels)
A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição)
A casa sustentável é mais barata - parte 01 (básico de sobrevivência)
A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei