quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Alguns amigos, um pequeno grande restaurante e muitos, muitos livros

Quando da venda do Festa Vegetariana, foi possível encontrar leitores do blog, conhecer gente interessante, enviar o livro à Itacaré, Goiânia, Brasília, Campinas, São João del Rey, Balneário Camboriú...

Com Níssia, leitora daqui do blog que ainda não conhecia, fui ao CCBB, conferir a exposição do Miles Davis (imperdível).

Já Sonia, do Flor da Pele, que gentilmente havia me presenteado com seus sabonetes caseiros quando do aniversário do blog, tive o prazer de descobrí-la mãe de um amigo dos tempos da faculdade e, coincidência das coincidências, o marido dela (pai do meu antigo colega) também foi amigo de juventude do meu pai. Nos dávamos virtualmente em função dos nossos blogs, mas já havia até estado na casa de campo da família. Precisei ver o sobrenome completo e o endereço de envio dos livros para ligar uma coisa a outra.
Veja como Sônia é gentil e saboneteira competente na postagem "Ganhei presentes e adorei".

O Tom, amigo de longa data que não via há mais de 1 ano, leu a postagem sobre o "Festa" e comprou 3 livros, mas como já ganharia 1 de presente, combinamos de nos encontrar para entregar os 4 exemplares.
Marcamos no Restaurante da Associação Macrobiótica, que ele me ensinou a amar quando eu também trabalhava por lá. Segui feliz para o Centro da cidade com a bolsa cheia de livros, afinal no mesmo dia, encontraria com outra leitora, Adriana, para entregar seus 6 livros em local próximo ao restaurante onde almoçaria com Tom.

Sobre o Restaurante da Associação Macrobiótica, todos devem ir pelo menos 1 vez. É um oásis no meio da selvageria que se tornou o Centro do Rio. Com seu ar de casa de campo demonstrado em janelas abertas para o sol entrar, plantas no parapeito e funcionando há anos em um lindo prédio antigo, é bom programa.
A comida, sempre gostosa, segue a linha macrobiótica moderna, mas existem tantas variações e flexibilizações acerca do tema, que mesmo os que não vivem sem frango vão se satisfazer, até porque há peixe fresco e frango no cardápio.
Há muitas opções de pratos diários, sempre uma opção de peixe, frango, soja e macrô restrita, os salgados e sobremesas igualmente deliciosos, saladas multicoloridas e sucos de frutas frescas - nada que lembre a antiga macrobiótica, sem cor e resistente à exuberância das nossas frutas.


A entrada do prédio na Cinelândia, com sua escadaria em mármore e seu elevador antigo com direito à porta pantográfica. O salão, com iluminação natural e a cozinha aberta e azulejada ao fundo, como uma casa de fazenda:





















A vista de ambas as janelas, onde sento sempre, repare que a segunda foto retrata justamente um McDonald´s, refrigerado, impessoal e padronizado:




















Tom, que anda magrinho e branquinho em função do Doutorado, mas que comeu bem, além do prato do dia, encarou uma sopa de entrada e ainda pediu um ovo pochê à parte. As nossas sobremesas: meu pudim de coco com calda de melado aromatizada com cravo da Índia e o manjar de coco com a mesma calda de melado, escolhida pelo Tom.





















Como peço sobremesa sempre que vou lá, não almocei, fiquei apenas na empadinha de queijo (integral!) e no kibe de verdura (também oferecem em peixe). Por pouco não levei um pão caseiro em broa, 100% integral, recém assado e com um cheiro de enlouquecer a módicos R$5,00. Deveria ter levado.

Tom é um cavalheiro e retribuiu o livro presenteado com outro escolhido por mim, uma versão em quadrinhos do Kama Sutra feita pelo Manara, que ambos achamos um cartunista genial (um anarquista tarado genial, mas completamente genial). Para quem leu "Fogo nas entranhas", único livro escrito pelo Almodóvar, é a dobradinha dos sonhos.


Para chegar no restaurante, veja indicações e endereço completo no Google Maps linkado.
Os preços: gasta-se em média R$12,00 para um almoço completo como o do Tom.


Mais informação:
Pão de queijo
Mel de abelhas x Melado de cana
O pudim de coco de D.Cora Coralina
Mais restaurantes slow para a correria do Centro do Rio
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Pão de raízes em 2 versões: batata doce com cebola e inhame com coco e chocolate
Almoçando slow na correria do Centro: Vegetariano Metamorfose, Confeitaria Colombo e Bistrô Coccinelle

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Acordei 1hr. mais cedo e fui à Pedra Bonita



O bom de morar numa cidade conhecida como o encontro do mar com a montanha é que qualquer virada de pescoço te proporciona uma vista espetacular.
A única menção que há nesse blog sobre a Floresta da Tijuca está justamente na postagem sobre a Reserva Florestal do Mosteiro Zen de Morro da Vargem, em Ibiraçu (ES). Uma pena, hoje então tento corrigir esse lapso.



A Floresta da Tijuca é a maior floresta urbana do mundo e foi inteiramente reflorestada por 1 nobre-militar e meia dúzia de escravos, conforme reza a lenda. Mas acredita-se que ao longo da história, o número exato de escravos tenha perdido alguns zeros, o que é compreensível e aumentou muito a mítica do lugar.
Inicialmente uma zona nativa de Mata Atlântica, a área foi transformada em cafezal no ciclo do café, para posteriormente ser reflorestada com espécies nativas e exóticas, o que gerou outras questões, como a introdução de espécies não nativas, como jaqueiras e bananeiras, que hoje ameaçam tomar conta da área total e estão demandando manejo controlado.

Mas enfim, o hoje Parque Nacional da Floresta da Tijuca, que abrange não apenas a área da Floresta, mas bairros ao redor, é uma zona de preservação ambiental onde registram-se sempre as menores temperaturas da cidade. É clima de montanha com marcas abaixo de zero, de Serras Gaúchas para alguns, a meia hr das praias escaldantes. Há inclusive pequenas comunidades rurais no entorno e algumas vilas que mais parecem quilombos perdidos no tempo, com sua população reservada locomovendo-se por charretes.



No sábado, acordei 1hr. mais cedo e fui fazer a trilha da Pedra Bonita, uma das milhares de opções por lá.
Já havia subido a Pedra da Gávea, pela trilha da Carrasqueira em São Conrado, e foi muito puxado. Como me garantiram que a subida da Pedra Bonita era mais tranquila, resolvi encarar o desafio. Valeu a pena, até crianças podem fazer essa subida, que é leve e muito rápida.
Por incrível que pareça o mais pesado é a ladeira de paralelepípedo que leva à entrada da trilha, controlada por guarda florestal devidamente munido de planilha, justamente para que ninguém se perca. Como a maioria dos frequentadores é configurada por praticantes de vôo livre, que estão sempre de carro em função do equipamento, os montanhistas apanham um pouco, mas nada que desanime os não sedentários.
Indo a pé e marcando ponto de encontro em frente à entrada da Floresta, na Praça Afonso Vizeu, prepare-se para outra caminhada de 1hr. até a tal ladeira, que leva à entrada da trilha. Por sorte uma alma caridosa, Adriana Beatriz, viu o grupo onde esta blogueira modesta e balzaquiana estava e nos ofereceu uma carona providencial.

O dia estava frio e encoberto e as imagens mais parecem do Pico da Neblina, o que só me deixa com mais  vontade ainda de voltar em dia de sol.




O passeio todo, caminhada até a ladeira, subida da ladeira de paralelepípedo, a trilha, descanso no topo e respectiva descida, leva no máximo 4hrs. e a trilha em si pode ser feita por crianças. Indo de carro, que poupa a caminhada e a ladeira, estacione na rampa de vôo livre. Celulares de algumas operadoras oferecem sinal durante todo o trajeto.

Outro ponto bacana do passeio, encontrar na estação de metrô do Estácio a turma dos Ciclo Fônicos, músicos-ciclistas que tocam sobre rodas totalmente customizados em suas bicicletinhas retrô pintadas de verde água, devem ter feito da estação (uma das mais centrais da cidade) seu ponto de encontro. O músico mais interessante na minha opinião é um senhor que tem um prato de bateria no capacete!






Para saber mais sobre a Floresta da Tijuca, visite a página do Parque no Wikipedia.
Para quem estiver a fim de ir e se sente mais seguro na presença de um guia, entre em contato com os amigos da Vias e Aventuras - Marcos, simpatia total, garante o passeio sem sobressaltos.




Para lembrar sempre e em qualquer lugar: deixe apenas pegadas, leve apenas lembranças e só tire fotografias. Fazer fogo (mesmo de cigarros), deixar lixo e alimentar ou "adotar" animais silvestres nem pensar, nunca, jamais e em hipótese alguma - especialmente aos que gostam de picnics, onde os fumantes ocasionais sempre aparecem e as guimbas podem misturar-se à papel de embalagem e folhas secas, resultando em incêndios florestais.





Mais informação:
O reflorestamento no Pão de Açúcar
Os 10 pecados do turista sustentável
O mito do reflorestamento de eucalipto
Comprando orgânico, justo e local na Tijuca
O mito das emissões de carbono neutralizadas
Como funciona um programa de compensação ambiental
Os 140 acres reflorestados do Mosteiro Zen de Morro da Vargem em Ibiraçu, ES

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Ecopista cogeradora de energia piezoelétrica do Rock´n Rio

A EcoGreens – Soluções Sustentáveis lança no Rock´n Rio a EcoPista, primeira pista de dança sustentável da América Latina.

Criada na Holanda e lançada no mercado em 2008, a EcoPista gera energia elétrica apenas com a movimentação de pessoas sobre sua superfície. Quanto mais movimento, maior a experiência de interatividade com a pista e mais energia limpa é produzida.

A experiência é única. O contador de energia mostra o resultado da performance sustentável. As luzes coloridas sob a superfície da pista também respondem aos movimentos.

Ao final, a energia limpa gerada pela pista pode ser usada imediatamente, direcionada para a rede elétrica ou armazenada.




Apresentação da EcoPista no Rock´n Rio

Sexta-feira, dia 23 de setembro, às 16h. Com presença do diretor de marketing da EcoGreens, André Amaral.

Domingo, dia 25 de setembro, às 16h. Com presença do CEO da empresa holandesa SDC, criadora da EcoPista.

* As Ecobikes farão companhia para a pista, Sucesso em 2010, as Ecobikes da EcoGreens movimentaram a enorme roda-gigante do festival SWU. Dessa vez, além de gerar energia pedalando, será possível participar de um jogo exclusivo, conectado à bicicleta.


Como funciona?

O chão da EcoPista se comprime 10mm quando pressionada pelos passos de dança, por exemplo. Esta pequena compressão é suficiente para ativar o mini-dínamo, aparelho que converte movimento em energia elétrica, localizado no interior de cada módulo da pista.

O módulo tem o formato de um cubo de 75cm (comprimento) X 75cm (largura) por 20cm (altura) e gera até 20 watts/hora, o equivalente a duas lâmpadas econômicas ligadas por uma hora.

Conectando todos os módulos, o sistema da pista agrupa e acumula energia suficiente para iluminar a própria pista de dança, garantir o som do DJ ou ser armazenada para uso posterior. A quantidade de energia que o sistema gera pode ser acompanhada pelo contador de energia.

O software que calcula a energia gerada pela pista apresenta o resultado instantâneo em watts e o total produzido (em joule ou watt / segundo). Essas informações podem ser apresentadas em tempo real para os usuários da pista numa torre conectada à rede.


Como utilizá-la?

A EcoPista pode ser alugada ou instalada permanentemente. As possibilidades de uso são infinitas – em danceterias, festivais, museus, eventos de tecnologia e sustentabilidade e mesmo em gincanas de escolas e clubes, quando podemos dividir a pista e identificar que equipe está produzindo mais.

Onde há movimentação de pessoas pode haver uma EcoPista. Onde há demanda de energia, pode haver energia limpa.

Por ser dividida em módulos, a EcoPista pode assumir diversos formatos, utilizando um mínimo de 4 módulos. Suas cores de fundo e imagens no contador de energia podem ser personalizadas para cada cliente. É possível também programá-la para interagir com a movimentação do público, alternando ou mudando o ritmo das cores.

Para todos, a experiência será única – divertida, moderna e ambientalmente correta.



Já imaginaram uma cidade onde todos os prédios públicos, escolas, hospitais, shoppings, mercados e até calçadas são pavimentados com essa nanotecnologia? A cidade muito provavelmente seria autossuficiente energeticamente, precisando apenas complementar com fontes auxiliares de energia limpa, como solar, de marés e eólica.


Sobre o Rock´n Rio e festivais em geral, valem as dicas do Carnaval: lixo nas lixeiras, banheiros só os químicos (os postes e árvores não foram feitos para isso), bom humor, camisinha sempre e, se beber, não dirija. As famigeradas garrafinhas (bio) plásticas de água mineral ainda são um mal necessário nesse tipo de situação. Seja então um consumidor consciente e compre garrafas maiores, esqueça dos copinhos, mas não se desidrate.
Aproveite para juntar os amigos e fazer mutirões de carona até os pontos de ônibus oficiais do evento, ou vá de transporte público e não se preocupe com nada, só em curtir.


Mais informação:
Gerador de hotel alimentado por energia de pedaladas dos hóspedes
Presos pedalam e geram energia para postes em MG em troca de redução da pena

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Kefir e Iogurte

O meu favorito em kefir é o mais simples, em água pura, que bebo como limonada pingando meio limão galego orgânico. Até por não comprar mais refrigerantes e sucos, por causa da hidropirataria, embalagens e químicos, então faço da limonada de kefir minha bebida de todo dia. Adoro e é muito digestivo.


Para fazer o kefir de água:

Junte 2 colheres de sopa de sementes de kefir em água pura. Muita gente usa água mineral. Eu não uso, acho perda de tempo devido à má qualidade da água mineral comercializada por aí. A água mineral vendida atualmente é a água da torneira adicionada artificialmente com os sais minerais, já que as fontes secaram, e armazenada em plástico.
Quando retirar o kefir do vidro (armazenado na geladeira), use colher de pau ou cerâmica, nunca de metal.
Adicione 1 colher de sopa de rapadura às sementes e cubra com 1 litro de água. Quanto mais rapadura, maior a fermentação e pode até ficar alcóolico se usada grande quantidade.

O álcool nada mais é do que o açúcar encontrado na cana, milho, agave, malte, arroz, beterraba e afins devidamente fermentado. Repare que toda bebida típica é feita a partir do açúcar natural e local daquela região específica: aguardente de cana, tequila de agave, Jack Daniels de milho, whiskey de malte, saquê de arroz, etc.

Há quem prefira seu kefir de melado orgânico e até caldo de cana, ambos funcionam bem e inclusive fermentam mais, mas eu sempre uso rapadura pela praticidade de armazenagem e pelo custo, um tijolão de 600grs, que dura meses na minha casa, custa R$3,00.
Não use açúcar mascavo, o mascavo original é a rapadura ralada, o mascavo atual é pelo menos 50% de sacarose refinada escurecida com um melado vagabundo, um produto industrializado e adulterado.

Deixe fermentar por 12, 24 ou 48hrs. em vidro ou pote de cerâmica bem vedado - eu sempre deixo 48hrs, gosto mais do sabor.
Após esse período, coe as sementes e as armazene em um vidro na geladeira, assim como o kefir resultante da fermentação, que você vai beber.

Importante:
1. O kefir só fermenta fora da geladeira, o frio serve justamente para interromper o processo. Se estiver muito quente, nos meses de verão, a fermentação ocorre em menos tempo obviamente;
2. O kefir não fermenta em recipiente metálico, mas não use plástico para armazenar líquidos, o bisfenol-A mata e está sendo banido de muitos países;
3. O kefir, se fervido, perde as propriedades.


Veja melhor abaixo:

3 colheres de sopa de rapadura picada, para fazer 3 litros de kefir:



3 vidros com capacidade de 1,5 litros com as respectivas sementes:



As sementes com o mínimo de água, natural do processo de armazenagem e conservação:



Os vidros com as sementes e sua porção de rapadura:



Os 3 vidros com as sementes, a rapadura e a água necessária para fermentar:



As sementes armazenadas na geladeira junto do kefir já fermentado:





Digamos que você tenha poucas sementes e precise doar, ou mesmo queira aumentar a quantidade da sua cultura sem precisar beber o líquido.
É simples, basta fazer uma fermentação intensiva, com pouca água e muita rapadura, sempre pelo maior período possível (48hrs).

Veja melhor abaixo:


A proporção de água diminui:




Digamos então que você precise enviar o kefir pelo correio para alguém de outra cidade-estado.
Igualmente fácil,  basta acondicionar a cultura com o mínimo de água possível num pote para exame de urina, envolver tudo em muito plástico filme, enrolar um elástico na tampa e usar um envelope plásico vendido em qualquer agência bancária. O custo total de compra do material e taxa de envio dos correios fica em R$15,00 e o comprador interessado deve fazer sempre o depósito na sua conta antes do envio.
Não aproveite para ganhar um "dinheirinho" com isso: kefir não se vende, se doa.




As variações acerca do tema:

Para fazer kefir de uva, com gosto de vinho tinto e que dá "barato"!
Quanto mais rapadura e tempo de exposição, maior a fermentação e logo, maior o pileque.
Pode ser feito igualmente com qualquer suco de fruta, os mais gostosos são de manga, maçã, melancia e maracujá, mas o legal de fazer em uva é justamente a transformação do suco em bebida fermentada que lembra muito um vinho, uma sangria de kefir de uva deve ser a melhor bebida para uma noite de verão.

1 garrafa de suco no sabor escolhido, não tinha suco orgânico, usei um convencional de R$9,00. Mas pode ser feito com sucos caseiros, fica ainda melhor.
1 vidro de boca larga (ou garrafa) com as sementes e rapadura.
Use as mesmas quantidade sugeridas para o kefir de água: 1 litro de suco para 2 colheres de sopa de sementes em 1 colher de sopa cheia de rapadura.

A cultura fermentando no suco de uva, 1 sementinha de kefir já boiando no alto:






















A receita deu certo e eu parti para uma quantidade maior, diluindo o suco original (muito concentrado) em água para render mais. Quem comprar suco de uva engarrafado, pode diluir pela mesma quantidade de água (1,5lt de suco + 1,5lt de água), assim terá 3 litros de kefir de uva por menos de R$10,00.
Mas com menor quantidade de suco (frutose), aumente a de rapadura.
Tente deixar fermentar por pelo menos 1 semana, o ideal são 15 dias, assim você notará a fermentação alcoólica. Deixe num pote com muita folga para não estourar se deixar sua fermentação por período superior às 48hrs habituais.

Kefir é uma forma de fermentação e como toda fermentação, produz gases que, se represados, podem explodir o recipiente. Sempre deixe pelo menos 1\3 de espaço e, fermentando (forma nata), retire a tampa e cubra com um pano para respirar. Normalmente a nata da fermentação se forma no terceiro dia. Veja o passo a passo de um refrigerante de kefir que explodiu na postagem Refrigerante caseiro



Nas redes de relacionamento e egroups do assunto, há uma divisão clara entre o kefir de água e o kefir de leite. Eu já vi os dois e digo que são as mesmas sementes, apenas cria-se a diferença para facilitar a doação aos interessados e porque uma cultura fermentada em leite geralmente contamina culturas futuras em água (ou suco).

Na verdade, eu sou contra consumo de leite, até porque já se come muito queijo, e se observarmos o homem é o único animal que mama a vida toda, mama após ter dentes e pior, mama até de outras espécies.
Se estiver com paciência e quiser pesquisar as receitas daqui do blog disponíveis no marcador "gastronomia", vai observar que todas são em leite de coco, leite de castanha do Pará (ou amêndoas) e leite de pinhão, todos caseiros e sem soja. Para quem busca uma receita de creme de leite, há o creme de arroz ou aveia, justamente na postagem sobre soja linkada abaixo em "Mais informação".

Para beber leite convencional, cheio de hormônios e antibióticos, além do pus das tetas de vacas que sofrem oficialmente de mastite, acho mais jogo beber água. Mais jogo para o meu organismo e para o bem estar das pobres coitadas das vaquinhas, que não têm nada com isso.
Decidindo partir para o kefir de leite, encomende um bom leite orgânico e consuma com parcimônia. O litro do leite orgânico está custando R$4,80 na lojinha natural do meu bairro.



No kefir de leite, o processo tradicional ensina apenas a adicionar as sementes do kefir de leite ao leite coberto por um pano e deixar de um dia para o outro, tomando o leite fermentado naturalmente na lactose pela manhã.

Com a louça da casa ajudando a escorar:






















Como não sou fã de leite puro, principalmente em jejum, pensei em fazer algo na linha do Yakult japonês, mais intenso e adoçado.
Então adaptei o kefir de leite à cultura intensiva do kefir de água, assim:

As sementes em rapadura e leite por cima:


Fiz uma versão menor em copo de 350ml, porque realmente não sou muito fã de leite.
Como copos não vem com tampa, usei plástico filme para cobrir e vedar, é interessante porque você observa que o plástico estufa em menos de 12hrs.
O kefir de leite, mesmo pelo meu método intensivo com rapadura, fica com sabor muito forte e avinagrado se fermentado por mais de 24hrs.

Kefir de leite não é iogurte ou coalhada, não endurece, lembra mesmo é o Yakult, cujo nome em português é nada mais do que leite fermentado. Com rapadura, como fiz nas fotos, é mais palatável.





Uma conhecida está fazendo kefir de iogurte orgânico, sugeriu que eu fizesse e, para quem não vive sem, vale tentar, é mais gostoso do que o kefir de leite. Imagina um iogurte fizz, "achampanhado" e meio rascante (brut)? É isso!


Confesso que estou tentada a fazer kefir de leite de coco caseiro, imagino que seja surpreendente, deve lembrar uma bebida alcóolica do tipo "Malibu", ideal para misturar ao abacaxi maduro e fazer Pina Colada adoçada com melado de cana, tudo antilhano e caribenho.





Para quem nunca fez iogurte natural em casa, mostro abaixo a maneira mais fácil, usando a receita tradicional de coalhada fresca:

Junte à 1 litro de leite fresco, 1 copo de mais ou menos 200ml de iogurte já pronto (industrializado ou originário de fermentação anterior).
Cubra com um pano e deixe fermentar em temperatura ambiente de um dia para o outro, mais ou menos 12hrs. 
Se estiver frio, acomode em um isopor destampado dentro do forno desligado ou envolva em um cobertor e guarde no armário.
No calorão do Rio de Janeiro, basta deixar em cima da pia coberto por pano de prato.

Algumas pessoas fervem o leite antes, eu já fervi e já "esqueci", não notei a menor diferença. Mas observe que se ferver, vai ter que esperar o leite esfriar até ficar pelo menos morninho antes de juntar o iogurte, justamente para o excesso de calor não matar as bactérias benéficas responsáveis pela fermentação natural.

Se o leite não for pasteurizado, mas cru (fresco e original), não precisa nem ferver. Há quem faça a coalhada de leite cru sem sequer adicionar o iogurte, deixando direto "dormir" por 24 a 72hrs coberto pelo pano, para fermentar naturalmente pela ação do ar. Mas com leite pasteurizado não funciona, tem que seguir o ritual descrito acima juntando o iogurte.











Primeiro processo: 1 litro de leite orgânico pasteurizado (industrializado) + 1 copo de iogurte industrializado (não encontrei do orgânico)






Segundo processo: o restinho do iogurte caseiro de fermentação natural da semana anterior (que pode ser orgânico ou não) + 1 litro de leite de caixinha pasteurizado (não orgânico) protegido das formigas em recipiente com água embaixo (nada a ver com a fermentação)








Se quiser a coalhada seca dos restaurantes árabes, deixe sua coalhada úmida escorrendo numa peneira por pelo menos 2hrs. Algumas pessoas deixam a coalhada úmida dentro de um pano e o amarram na torneira da pia, para escorrer numa bacia dentro da mesma. Eu tenho um pouco de nojo de comer um creme de leite retirado de um pano molhado, ficar raspando colher entre as tramas de um tecido e até do ranço que vai ficar no pano de prato, já que sou eu quem lava tudo, prefiro então usar uma peneira.
O ideal são 4hrs e salve o soro que escorrer, rico em nutrientes, pode ser batido com qualquer fruta ou mesmo virar um kefir de soro de iogurte se devidamente fermentado.


A coalhada seca com ervas finas, sal grosso e azeite extra-virgem aromatizado com tomilho, quase um boursin:





Você viu acima como fazer kefir de água, kefir de uva (com gosto de vinho), kefir de leite puro, kefir de leite adoçado com rapadura, kefir de iogurte, kefir de soro de leite (para aproveitar as "sobras"), coalhada úmida em iogurtecoalhada seca, mas não viu como fazer um iogurte de kefir.
Se o kefir de iogurte se faz deixando a cultura probiótica fermentar no iogurte já pronto e o iogurte se faz deixando o leite fermentar com um pouco do mesmo iogurte já pronto... como seria se pegássemos o kefir de leite fermentado e deixássemos de um dia para o outro com as 2 colheres de iogurte natural regulamentares da receita tradicional de iogurte-coalhada, como seria esse sabor de 2 fermentações distintas?

Eu fiz o iogurte natural a partir do kefir de leite (iogurte de kefir) e garanto que é uma surpresa, o sabor é muito forte, o vapor que sai quando se levanta o pano no dia seguinte já mostra a que veio aquele creme branquinho aparentemente tão inofensivo. Se não for louco por iogurte, coalhada e kefir, não vale muito a pena, até porque você só vai conseguir consumir batendo no liquidificador com alguma fruta e adoçando.

custo total dessa brincadeira toda ficou em R$20,00




Para fazer creme de chantili, geralmente obtido a partir do creme de leite fresco convencional, apenas substitua o creme de leite fresco pelo seu iogurte natural de fermentação caseira obtido a partir de leite orgânico na garrafinha de pressão. O melhor chef do mundo faz assim, responsável pelo melhor restaurante do mundo, El Bulí, chama seu invento de espuma de iogurte. Lindo, aerado e fácil de ser feito - acompanha qualquer prato doce ou salgado.: Chantilly de yaort em francês




Caso você goste de fazer os 02 principais tipos de kefir (leite e água), procure manter 2 potes distintos na geladeira, não contamine uma matriz de sementes com outra cultura. O kefir de água presta-se a mais usos e deve sempre ser preservado, mesmo por quem só consuma o kefir de leite, afinal pode vir a ser necessário um dia. Em tese, as sementes do kefir de leite contaminam as do kefir de água, mas o contrário não ocorre, daí a necessidade de preservar a pureza das mesmas.
Entretanto, você pode não ser um purista e simplesmente lavar suas sementes em água corrente devidamente seguras por uma peneira, salvar tudo no mesmo pote e seguir em frente. Funciona para muitos.




Algumas pessoas seguem a linha de Nina Planck e Sally Fallon e fermentam grãos, como feijões, de um dia para o outro com o soro residual do iogurte. Tampouco acho válido, se tiver soro de leite em casa, beba e não desperdice um produto caro em todos os aspectos, humanos e ambientais. Se gosta de grãos fermentados de véspera, use kefir de água concentrado, garanto que vai fermentar bem mais.
E todo grão deixado de molho em água pura, com ou sem uma cultura probiótica, tende a fermentar naturalmente. Feijões orgânicos deixados de molho por 24hrs chegam a dar brotos e formar espuma na superfície.
Na minha opinião, o que realmente elimina gases de feijões, além de deixá-los de molho por pelo menos 12hrs, é dispensar a primeira água da fervura. Ferver, escorrer, lavar no escorredor de arroz-macarrão e levar de volta à panela com nova água para então cozinhar normalmente. Muito daquela espuma toda que se forma quando o soro de leite é adicionado, é a fermentação natural do leite em ambiente externo e não controlado, não sendo relacionada necessariamente aos feijões.




Para lembrar sempre: Armazene num pote com muita folga para não estourar se deixar sua fermentação por período superior às 48hrs habituais. Explode que nem bomba e o vidro estilhaça nas paredes da cozinha. A postagem Refrigerante caseiro mostra uma cajuína que explodiu.


Cuidado! Muita rapadura vem contaminada com lixo: O lado duro da rapadura


Cães? Tá liberado!
Cães também bebem kefir!



Para receber e doar sementes, escreva para o egroup: fazendo_kefir@yahoogrupos.com.br, torne-se membro e imediatamente receberá uma lista de doadores de kefir por cidade brasileira.
Adoraria,  mas não posso doar a todos que entram aqui. O egroup funciona bem e o mais bacana é poder aumentar essa comunidade de trocas. Torne-se doador também.



Mais informação:
Rapadura
Smoothies
Refrigerante caseiro
Soja é desnecessário
Leites Vegetais x Leite animal
Mel de abelhas x melado de cana
Panela velha é que faz comida boa
Orgânicos podem ser mais baratos
A Feira de Orgânicos do Flamengo
Os prós e contras do agave orgânico
Os perigos do plástico à nossa saúde
Azeites extra-virgens orgânicos e aromatizados em casa

sábado, 10 de setembro de 2011

Bike Pólo, para deixar os cavalos em paz




Há alguns meses, postei sobre a campanha da Peta para abolir o uso de tração animal em transportes e esportes urbanos, na postagem Hipismo, equitação e charretes são insustentáveis e cruéis.





Hoje, trago uma novidade paulista praticada nas noites da Vila Madalena: Pólo sobre rodas, mais acessível aos que não podem arcar com os custos de manutenção de um cavalo, correto com o animal e facilmente praticável em qualquer lugar, ao contrário do polo tradicional.
Nos EUA, já existem até torneios de Bike Polo, uma modalidade esportiva que integra pessoas de todas as classes sociais.

























Para os que quiserem mudar o quadro geral, apadrinhe à distância um animal de grande porte mantido nos muitos santuários existentes.

E para quem quiser de aprofundar na questão, 3 filmes gratuitos para baixar: "Terráqueos", "Vida de cavalo" e "Aposentadoria dos cavalos"











Outras ideias:
Caça não é esporte
Os 10 mandamentos do mergulhador consciente
Hipismo, equitação e charretes são insustentáveis e cruéis
Corrida de touros? Não, obrigada, a gente tem bola gigante!
Odeio Rodeio: fonte de muito sofrimento e prejuízos aos cofres públicos
Férias de Verão em Natal (RN): Vamos passear de camelo em Genipabu? Não, obrigada!

domingo, 4 de setembro de 2011

Farm City, fazendas urbanas para comprar local, orgânico e justo

A maioria das pessoas acha difícil comprar orgânico, mora em bairros onde não há feiras e reclama (com propriedade) dos preços abusivos cobrados pelos supermercados. As vezes, temos a impressão que vivemos num sistema que se retro-alimenta: tenho um emprego que me paga mal, não me realiza, só me permite morar onde não foi minha primeira opção e assim, perco hrs no trânsito. No final do mês, o dinheiro disponível para o supermercado permite que se compre apenas um mínimo, não o ideal.
A pessoa não consegue sair desse ciclo e não vê como mudar esse quadro.
Novella Carpenter conseguiu, implantou num bairro muito barra pesada o sistema de fazendas urbanas aproveitando cada centímetro disponível. A Farm City está gerando emprego, renda, opção e claro, comida cultivada de forma orgânica em comércio justo e vendida localmente. Melhor impossível.
Visite o blog dela, leia o artigo abaixo e principalmente, leia o livro relatando a experiência.
Acreditando em tudo que leu, replique na sua comunidade e doe uma quantia ao projeto que ela mantém.


Novella Carpenter cresceu no campo, numa fazenda de Idaho e no estado de Washingon, e a paixão pela agricultura foi cultivada desde a infância, graças também às ideias de seus pais, hippies que voltaram à terra na década de setenta.

Ela atualmente vive em Oakland, Califórnia, num bairro barra-pesada, onde voam balas perdidas, e não é raro os vizinhos oferecerem uma pistola para resolver os pequenos problemas cotidianos. Bem-vindos ao bairro de Ghost Town, cheio de prédios caindo aos pedaços, carros velhos e sacos de lixo empilhados pelas ruas, economias paralelas e terrenos baldios. O bairro é habitado por uma humanidade explosiva - comerciantes iemenitas, grafiteiros, prostitutas e traficantes, famílias vietnamitas, adolescentes afro-americanos, monges budistas, panteras negras, jogadores de futebol latino-americanos, moradores de rua, uma mistura de raças, culturas e experiências, um conjunto de "aberrações" que, de certa forma, encontraram uma forma de conviver.

Ninguém apostaria um tostão, e no entanto Ghost Town é também o lugar das grandes oportunidades e dos desafios bem-sucedidos, dos projetos corajosos, dos sonhos de olhos abertos que, às vezes, se tornam realidade. O sonho de Novella Carpenter chama-se Utopia 9.0 e fala de autossuficiência alimentar, conquistada lentamente, subindo de um nível a outro: uma horta para começar, depois uma colmeia, umas galinhas. Chegando aos níveis mais altos, os "super conceitos" que levam à definição de uma autêntica fazenda urbana e de uma essência agrícola total: perus, coelhos, porcos.

Farm City é a história deste sonho, irônica, emocionante, dura, às vezes ridícula. É um depoimento apaixonado sobre a comida local. E é também uma versão culta e original da tradição agrária americana. Wendell Berry convida as pessoas da cidade a cultivar algo para comer «se tiverem um quintal, ou até mesmo apenas uma sacada ou um vaso no peitoril de uma janela onde bata o sol». Novella Carpenter demonstra que esta loucura é possível, revezando sentimentos de cansaço, pequenas conquistas, enormes desilusões e satisfações imensas.


Fonte: Slow Food Brasil
 
 
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