sábado, 22 de janeiro de 2011

Greenwashing – a mentira verde da publidade sustentável


Greenwashing (traduzido como branqueamento ecológico) ou Greenwash (traduzido como lavagem verde). Essa expressão é a mistura de dois termos: green e whitewash. Green, como sabemos, significa verde. Whitewash é um tipo barato de tinta branca aplicada nas fachadas das casas. Por isso essa expressão é usada por ambientalistas para se referir às propagandas corporativas que tentam mascarar um desempenho ambiental fraco por parte da empresa. Resumindo, é a propaganda de uma empresa com o intuito de (tentar) ser ecologicamente correta, mas que não o é de fato. Ou seja, propaganda ambiental enganosa, omissa ou incoerente com o valor ambiental do negócio gerido.

Os seis pecados do apelo greenwashing:

Pecado dos Malefícios “esquecidos”:
O principal pecado encontrado na pesquisa, estando em 56% dos produtos pesquisados, se caracteriza pelo fato do produto destacar apenas um benefício ambiental e “esquecer” os outros. Exemplos: Meu produto é reciclável (mas é extremamente gastador de energia e água para ser produzido); meu produto é feito sem teste em animais (mas sua decomposição natural pode prejudicar a cadeia alimentar natural).

Pecado da Falta de Provas
Representando 26% das promessas encontradas, é utilizado por produtos que anunciam benefícios ambientais sem comprovação científica ou certificação respeitável. Nesta categoria são encontrados xampus que não são testados em animais, produtos de papel com uso de material reciclado, lâmpadas com maior eficiência energética – todos sem comprovação dos argumentos disponível ao consumidor.

Pecado da Promessa Vaga
Entre as promessas vagas – encontradas em 11% dos produtos pesquisados – estão produtos “não-tóxicos” (e sabemos que qualquer produto em excesso pode intoxicar uma pessoa); produtos “livre de químicos” (o que é impossivel, porque todos os insumos de todos os produtos têm elementos químicos em sua composição); “100% natural” (urânio, arsênico e outros venenos também são “naturais”); “ambientalmente produzido”, “verde”, “conscientemente ecológico”, todas promessas 100% vagas. E estamos falando de embalagens – imagine aqui no Brasil as promessas vagas que vimos diariamente na propaganda…

Pecado da Irrelevância
Pecado encontrado em 4% dos produtos pesquisados, se caracteriza por destacar um benefício que pode ser verdadeiro, mas não é relevante. A mais irrelevante das promessas foi a relacionada ao CFC, banido do mercado norte-americano nos anos 70: inseticidas, lubrificantes, espumas de barba, limpadores de janelas e desifetantes, por exemplo, todos livres de CFC. A promessa é irrelevante porque se não fossem livres de CFC estes produtos não teriam licença para estar à venda no mercado…

Pecado da Mentira
Encontrado em 1% dos produtos, é simplesmente uma mentira deslavada.

Pecado dos Dois Demônios
Encontrado em 1% dos produtos, são benefícios verdadeiros, mas aplicados em produtos cuja categoria inteira tem sua existência questionada, como cigarros orgânicos, inseticidas ou herbicidas orgânicos.


Alguns exemplos de Greenwashing:





Só para saberem, na Noruega não existe EcoSport.

"É impossível que um carro faça algum bem ao meio-ambiente, a não ser destruí-lo menos do que os outros. Não existem carros ´verdes´, ´amigos do ambiente´ ou ´limpos´"
As frases são de Bente Oeverli, executiva do órgão de regulação publicitária da Noruega.


Fonte: Gledson Silva, amigo ciclista do Ciclorgânico


Observação minha: acredito que o Greenwashing traga um estigma de "lavagem de $$$", até porque as empresas recebem incentivos fiscais quando lançam produtos supostamente verdes ou apoiam causas sociais. Empresas certificadas com ISO e outros selos internacionais atraem clientes maiores e mais lucrativos, fecham contratos mais atraentes e têm ações mais valorizadas e facilidades maiores de financiamentos públicos.
E exatamente por essa opção de poder publicar um balanço fiscal muito mais atraente, que faz com que as ações da emresa aumentem de valor no mercado, é o caso de fiscalizar com profundo rigor se as medidas tomadas são realmente sustentáveis.

 


Mais informação:
A automovelcracia de Eduardo Galeano : "O que é a ecologia? Um táxi pintado de verde?"
Os vídeos do Wateraid premiados com o Young Lions em Cannes e outras campanhas ambientais premiadas





Para entender:
Levante sua voz
Financiamento coletivo não é greenwashing, é autogestão
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Como funciona uma corporação e o que você consome, implica nisso
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo
Greenwashing é isso aí: Monsanto e Syngenta recebem o Nobel da Agricultura
Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)
Quatro mentiras sobre a crise ambiental, segundo Eduardo Galeano (bônus: O que é sustentabilidade, Fritjof Capra)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Catedral construída com entulho de construção civil e lixo reciclado


Há 50 anos atrás, quando Dom Justo desistiu da sua vida de monge, ele decidiu construir uma catedral nada convencional: ela é feita de material de construção descartado e de lixo.
Agora, depois de meio século, ela está quase pronta, com apenas algumas janelas e uma parte do telhado faltando. A arquitetura é inspirada na Catedral de São Pedro, da Itália, e na Casa Branca.
Todo o material usado na construção foi salvo do lixo e a catedral foi construída nas terras do próprio Dom Justo, em uma área de 4 km quadrados, em Madri.
A maioria dos países não permitiria uma construção dessas, especialmente administrada por alguém que não tem conhecimento sobre engenharia ou arquitetura, mas o conselho de Madri fez vista grossa para a catedral de Dom Justo, que tem um motivo “mais nobre”. Agora o ex-monge quer conseguir uma licença para que fiéis possam visitar e rezar na catedral de lixo.


Fonte: Hype Science


A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia.
Leia melhor sobre o assunto na postagem: A casa sustentável é mais barata - parte 10 (ecotijolos)





Mais informação:


Agronegócio perde em eficácia para agricultura familiar: O mito do agrobusiness



A Comissão Pastoral da Terra (CPT), Regional Mato Grosso do Sul, no intuito de dar maior visibilidade à luta dos pequenos produtores e à agricultura familiar camponesa, vem resgatando e divulgando importantes dados estatísticos que colocam em xeque justificativas de produtividade e geração de emprego do agronegócio, que não coincidem com a realidade. De acordo com a entidade, no Mato Grosso do Sul (MS), se faz uma apologia ao agronegócio alicerçado no grande capital financeiro.

A profusão da propaganda, segundo a CPT/MS, tem como objetivo convencer a população acerca de sua superioridade econômica e, portanto, da necessidade do Estado continuar protegendo o setor em detrimento da luta camponesa pela reforma agrária, pela produção agroecológica, bem como a luta dos povos indígenas pela restituição de seus territórios tradicionais.

Um destes estudos foi o realizado pela doutora Rosemeire Aparecida de Almeida, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo como referência os censos agropecuários do IBGE de 1995/96 e 2006. A investigação teve como foco a análise das transformações na agropecuária, no último período censitário, a partir de duas escalas comparativas: a primeira refere-se ao Estado em si, a segunda é a análise comparativa entre amostras regionais, neste caso a região Leste de Mato Grosso do Sul e Norte Central paranaense. O estudo comparativo destas amostrais regionais se justifica pela reconhecida diferença agrária de Mato Grosso do Sul e do Paraná.

O primeiro conjunto de análises revela que em Mato Grosso do Sul, segundo o Censo 2006, a concentração da terra continua sendo realidade, pois as classes de áreas de menos de 50 hectares representam 58,83% dos estabelecimentos e detêm apenas 2,09% daterra, já os estabelecimentos acima de 1000 ha representam 10,18%, mas possuem 76,93% do território.

Uso da Terra: a força da agricultura familiar
Outra observação importante na escala estadual diz respeito ao aumentosignificativo na produção de aves no Censo 2006. Ressalta-se que 71,51% desta produção vêm da pequena unidade (até 200ha). O mesmo ocorre com a produção de suínos que cresceu 69,87%, sendo a pequena unidade responsável por 70% desta produção. Em relação ao leite a pequena unidade teve um aumento na produção de 41,01% em relação ao Censo 1995/96, enquanto a média e a grande unidade reduziram sua produção de leite. Este aumento na produção de leite está nas classes de área de menos de 50 hectares, que representam em grande medida o tamanho das parcelas dos lotes da Reforma Agrária.
Estas classes de área de menos de 50ha, que detém apenas 2,09% da área total, produzem 46,48% do leite no Estado, utilizando parco financiamento.

Segundo os dados fornecidos para a CPT/MS, os pequenos stabelecimentos do Mato Grosso do Sul que produzem arroz e feijão, foram mais eficientes que as propriedades da agricultura de exportação, de acordo com os dados dos dois últimos censos agropecuários (1995/96 e 2006).

Por exemplo, a soja teve um acréscimo de produtividade de apenas 6,77% de quilos por hectare em 2006, comparado aos dados do Censo de 1995/96. Já o arroz registrou um aumento de produtividade de 67,77% em 2006, comparado com os dados do Censo de 1995/96, e o feijão também aumentou a produtividade em 51,19% em relação ao mesmo período. Portanto, apesar destes produtos da agriculturafamiliar ter sofrido uma redução de área colhida em 2006, o volume da produção foi superior ao de 1995/96. A pesquisa ressalta, por exemplo, que a classe de área responsável pela produção de feijão é a pequena unidade com até 200 ha.

Este estrato responde por 64,07% do total da produção. “Apesar de pequeno, estes estabelecimentos têm conseguido se apropriar dos avanços tecnológicos e melhorar sua eficiência produtiva” explica a doutora Rosemeire para a Radioagência NP.

Geração de Empregos no Campo: as pequenas unidades empregam mais
A referida pesquisa mostra que a geração de ocupações nos menores estratos de área é também significativa, pois, segundo o Censo 2006/MS, o aumento no número de pessoal ocupado ocorreu nas classes de área de menos de 50 ha, ela sozinha representa 44,18% do total do pessoal ocupado no Estado (93.311). Cruzando as ocupações com o tamanho da terra, a classe de área de menos de 50 ha gera umaocupação a cada 6,7 ha, enquanto a classe de área acima de 1000ha gera uma ocupação a cada 411,56ha.

Valor da produção e Financiamento: o mito do agronegócio
Quando o assunto é financiamento, a pesquisa aponta uma interessante contradição no MS. Os 1.231 estabelecimentos com mais de 1.000ha acessaram 78,97% do valor total dos financiamentos em 2006 e responderam por 51,17% do valor total da produção agropecuária em 2006. Os 4.269 estabelecimentos das classes de área de menos de 50 hectares acessaram 2,45% dos financiamentos em 2006 e responderam por 12,19% do valor total da produção agropecuária.

Ou seja, proporcionalmente a pequena unidade (menos 50 ha) é quase dez vezes mais eficiente do que a grande unidade, porque acessou R$ 45.606.000 (2,45%) de recursos públicos e respondeu por R$ 434.460.000 (12,19%) do valor de produção agropecuária. Enquanto que a grande unidade que acessou R$ 1.472.448.000,00 (78,97%) respondeu por 1.823.344.000,00 (51,17%). É mais um dado do IBGE a confirmar a eficiência da pequena unidade de produção.



O mito do agronegócio empresarial

A Comissão Pastoral da Terra-Regional Mato Grosso do Sul (CPT/MS), em mais uma análise que resgata o estudo da doutora Rosemeire Aparecida de Almeida, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), apresenta a análise comparativa das transformações na agropecuária entre a região Leste do MS e Norte Central Paranaense.

A pesquisa teve como referência os censos agropecuários do IBGE de 1995/96 e 2006. A primeira parte da matéria resgatou que, comparativamente, os pequenos estabelecimentos tiveram mais eficiência produtiva que as grandes unidades de produção. Nesta parte fica demonstrada que, comparando os dados de posse e uso da terra entre as duas regiões, a concentração fundiária na região Leste bloqueia a geração de trabalho, renda e riqueza.

A segunda metodologia da pesquisa, que é a comparação das amostras regionais, evidencia uma estrutura fundiária menos concentrada no Paraná e, portanto, a divisão mais equânime da terra. Por outro lado, estes dados confrontados com os dados da produção (área colhida, volume da produção e valor da produção), explicitam a relação destes modelos de estrutura fundiária com o uso da terra. Um dos apontamentos fundamentais é que a desconcentração fundiária e, portanto, a pequena unidade tem papel preponderante na pujante produção agropecuária da região do Norte Central paranaense.

Posse e propriedade da terra
Na região Leste os dados do IBGE revelam que os estabelecimentos de até menos de 50 ha (6.023) ocupam 1,55% da área total, por outro lado na região do Norte Central o número de estabelecimentos de até menos 50 ha (45.724) ocupa 21,81% da área total. Já os estabelecimentos acima de 1000 ha representam 14,24% na região Leste do MS, detendo 73,45% da área. No Norte Central do PR são 0,25% ocupando 13,5% da área.

Uso da terra
A pesquisa destaca que apesar do rebanho bovino da região Leste de Mato Grosso ser mais de quatro vezes superior em relação à região Norte Central paranaense, a quantidade produzida de leite é superior nesta última, situação a indicar a finalidade distinta da produção pecuária. Sendo que, esta distinção se materializa em classes de área e uma simetria permanece, qual seja: nas duas regiões é a pequena unidade quem responde pela maior produção de leite. Na região Leste, 42,68% do leite produzido provém dos estabelecimentos de menos de 100 ha e 76,93%, na região Norte Central.

Geração de emprego
Nos dados acerca do pessoal ocupado, a realidade diverge no tocante ao desempenho dos extratos abaixo de 50 ha, situação que guarda estreita relação com o modelo da estrutura fundiária de cada região estudada. Assim, na região Leste, que tem uma estrutura fundiária extremamente concentrada, os estabelecimentos com menos de 50 ha, que detém apenas 1,55% da área, vão ocupar 31,29% do pessoal, enquanto que os estabelecimentos acima de 1000 hectares, que possuem 73,45% da área, vão ocupar 33,02% da mão de obra. Já a região do Norte Central, que se encontra mais fragmentada, as classes de área de menos de 50 hectares ocupam 70,44% da mão de obra e as classes com mais de 1000 hectares tão somente 3,65%. Realidade que reforça a premissa de que a terra fracionada é sinônimo de geração de emprego.

Em relação aos valores da produção, verifica-se que na região Leste as classes de área de menos de 50 hectares foram responsáveis por 5,89% do valor total produzido e a classe de área com mais de 1000 hectares por 71,98%.

Valor da produção e financiamento
Cruzando estes dados com o valor dos financiamentos obtidos observa-se que a eficiência da pequena unidade é maior, pois a classe de área de mais de 1000 hectares obteve financiamento de mais de 1 bilhão de reais e gerou um valor de produção total de 524 milhões; a pequena unidade de produção de menos de 50 ha acessou 2,4 milhões (0,21% do valor total dos financiamentos obtidos) e gerou um valor de produção total de 42,9 milhões.

Ou seja, a classe de área de menos de 50 hectares multiplicou por quase 20 o valor do financiamento e a grande dividiu por dois o valor do financiamento. Portanto, a grande unidade de produção produziu metade do valor que tomou de recursos públicos. Na região Norte Central a classe de menos de 50 ha multiplicou por 10 o valor do financiamento, enquanto que a classe acima de 1000 não chegou a multiplicar por cinco o valor do financiamento.

Quando comparamos os valores totais da produção agropecuária entre as duas regiões a diferença fica ainda mais gritante. O valor da produção do Norte Central é de R$ 2.905.481.000,00 e da região Leste de apenas R$ 728.201.000,00. Já os valores de financiamentos são da seguinte ordem: R$ 445.201.000,00 no Norte Central e de R$ 1.154.191.000,00 na região Leste. Considerando que a área total da região Leste é mais que três vezes superior à região do Norte Central, podemos afirmar que a concentração fundiária da região Leste bloqueia a geração de trabalho, renda e riqueza.





Na Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. A escola é dirigida por militantes do MST e professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1418 famílias, morando em 23 assentamentos. 

A escola foi destaque no Exame Nacional do Ensino médio (Enem) de 2009, divulgado na pagina oficial do Enem. Ocupou a primeira posição no município, com uma nota de 505,69. Para muitos, esses dados não são mais do que um conjunto de números que indicam certo resultado, mas para nós, que vivemos neste espaço social, é uma grande conquista.  

No entanto, essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação. 

A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e do êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são mais de 100 filhos de assentados estudam na Escola para uma pequena elite. Espaços culturais são direitos universais, mas que são realidade para poucos. 

E mesmo com todas as dificuldades a Escola Semente da Conquista foi destaque entre as escolas do Município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim de uma proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado. 







Plantações orgânicas produzem o mesmo rendimento em grãos em lavouras de milho e soja em relação às plantações convencionais, mas utilizam 30 por cento menos energia, menos água e nenhum pesticida. Esta é a conclusão de um estudo que durou nada menos do que 22 anos, conduzido pelo professor David Pimentel, da Universidade de Cornell, Estados Unidos.
"Lavouras orgânicas oferecem vantagens  reais em plantações de milho e soja," afirma o pesquisador em um artigo publicado no exemplar de Julho da revista Bioscience. O estudo compara a plantação orgânica com a plantação convencional de lavouras de soja e milho em termos de seus custos e benefícios ambientais, energéticos e econômicos.
"O cultivo orgânico desses grãos não apenas utiliza uma média de 30 por cento menos energia fóssil, mas também conserva mais água no solo, induz menos erosão, mantém a qualidade do solo e conserva mais recursos biológicos do que a agricultura convencional," afirma Pimentel.
O experimento de 22 anos, intitulado "Rodale Institute Farming Systems Trial", comparou uma fazenda convencional, que utiliza aplicações de fertilizantes e pesticidas recomendados por especialistas, com uma fazenda que utiliza esterco animal como adubo e outra, que cultiva legumes orgânicos e utiliza uma rotação de três anos de ervilha/milho e centeio/soja e trigo. Os dois sistemas orgânicos não receberam nenhum tipo de pesticida ou fertilizante químico.
A pesquisa comparou a atividade de fungos no solo, rendimento em grãos, eficiência energética, custos, alterações da matéria orgânica ao longo do tempo, acumulação de nitrogênio e lixiviação de nitratos dos dois sistemas de cultivo.
"Primeiro e mais importante, nós descobrimos que o rendimento do milho e da soja foram os mesmos nos três sistemas," afirmou Pimentel, acentuando que, embora o rendimento do milho orgânico tenha sido de apenas um terço do convencional durante os quatro primeiros anos do estudo, ao longo do tempo os sistemas orgânicos produziram mais, especialmente sob condições de seca.
A razão para esse maior rendimento da agricultura orgânica é que a erosão do vento e da água degradou o solo na fazenda convencional, enquanto que o solo das fazendas orgânicas melhorou continuamente em termos de matéria orgânica, umidade, atividade microbiana e outros indicadores de qualidade do solo.
O fato de que os sistemas de agricultura orgânica absorvem e retêm quantidades significativas de carbono no solo também tem implicações para o aquecimento global, afirma o professor, destacando que o carbono no solo das fazendas orgânicas aumentou de 15 para 28 por cento, o equivalente à captura de 1.500 quilos de dióxido de carbono do ar por hectare plantado.




Agronegócios, a nova face do latifúndio


Não podemos entender a discussão do agronegócio sem primeiro compreender o que ele estabeleceu do ponto de vista produtivo e qual foi seu impacto na questão da concentração das propriedades de terra em países como o Brasil”. A afirmação é do professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Marcos Pedlowski. Em entrevista, concedida, por telefone, à IHU On-Line, Pedlowski explica como a prática, considerada por ele uma maquiagem para a proteção do latifúndio no país, pode ser prejudicial para a sociedade brasileira e mundial.
Segundo ele, “quem mais ganha com o agronegócio são as grandes cadeias de comercialização, que ficam com o grosso do que é gerado mundialmente”. Pedlowski aponta que “isso foge do nosso alcance, porque, geralmente, ficamos só observando a relação entre agronegócio, latifúndio e reforma agrária”. “O agronegócio não é autodestrutivo, é destrutivo só para a nação e para os países que tentam sair dessa dependência histórica e geopolítica dos países ricos”, afirma.
Marcos Pedlowski é professor associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, com atuação no âmbito do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico do Centro de Ciências do Homem da UENF.

IHU On-Line – Quando, hisoricamente falando, surgiu a ideia de agronegócio?
Marcos Pedlowski – Academicamente, existem artigos que citam o surgimento do termo agronegócio na década de 1950, mas isso não é verídico. O conselho da Revolução Verde, no qual o agronegócio é irmão-gêmeo, nasceu com a concepção de uma nova forma de produzir, menos dependente das intempéries. Por outro lado, isso estabelece a necessidade de uma nova integração no processo produtivo na agricultura.
Porém, uma das promessas que a Revolução Verde trazia, a partir dessa maior cientificidade do processo produtivo, era o fim da fome, além da maior democracia no acesso à terra. Se olharmos no tempo, vemos que a Revolução Verde não acabou com a fome, e tão pouco democratizou a propriedade da terra no mundo. Pelo contrário, essa forma de produzir tem elevado o índice de concentração de terras na maior parte do planeta.
IHU On-Line – O agronegócio hoje está posicionado dentro de questões fundamentais no Brasil, como no debate do código florestal, e colocando o país como maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Como o senhor vê a relação entre esses temas vinculados ao agronegócio?
Marcos Pedlowski – Temos que ligar essa questão da Revolução Verde e do agronegócio às características que o capitalismo tem nos países de periferia como o Brasil. O termo que foi cunhado, a partir da década de 1960, para definir o que acontece em países como o nosso é modernização conservadora. Do ponto de vista da importação ou dos pacotes, hoje falamos em implementos agrícolas, agrotóxicos, sementes geneticamente modificadas, e isso tudo foi feito às custas da manutenção.
Tenho visto alguns números sobre Coeficiente de Gini [1] no Brasil, uma curva que mede a igualdade e desigualdade. Quanto mais próximo o coeficiente está de zero, maior será a igualdade, quanto mais próximo de um, maior a desigualdade. Os últimos dados que temos são de 2006, e registram 0.87 no Brasil. Isso, na escala do coeficiente, é uma concentração bastante forte. O interessante é que, em 1996, o número era 0.856. Entre esses anos, tivemos um acréscimo de dois pontos, o que significa que aumentou a concentração da terra no país.
Não podemos entender a discussão do agronegócio sem primeiro compreender o que ele estabeleceu do ponto de vista produtivo e qual foi seu impacto na questão da concentração das propriedades de terra em países como o Brasil, onde essas propriedades já eram muito concentradas. Normalmente, a faceta mais ideológica e que ficou muito mais popularizada a partir da década de 1990, no Brasil, do agronegócio como algo moderno, e da agricultura familiar como algo atrasado, não é fortuita, já que corre na onda neoliberal.
A questão da maior dependência do mercado e a maior inserção no mercado mundial virou quase uma religião. De lá para cá, temos usado o agronegócio como símbolo de modernidade, quando, na verdade, temos um maior nível de contaminação de solos e recursos hídricos, contaminação de trabalhadores por agrotóxicos e por dispersão de sementes geneticamente modificadas, os desmatamentos no centro-oeste e na Amazônia e a questão do trabalho escravo. Tudo isso está concentrado no agronegócio, que é apenas uma faceta ou maquiagem para a manutenção do latifúndio no país.
IHU On-Line – Qual é o discurso dos latifundiários acerca do trabalho escravo?
Marcos Pedlowski – Isso tem sido liderado pela senadora Kátia Abreu, que fala que devemos discutir à exaustão o que é trabalho escravo. Também já ouvi o deputado do PPS de Rondônia, Rubens Moreira Mendes, no Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo em Brasília. Ele fala que se fôssemos cumprir todos os critérios da legislação vigente, nenhum pequeno produtor cumpriria as normas. Por isso, é complexo falar o que é trabalho escravo, o que deveria ser feito é um diálogo exaustivo para ajustar a realidade do campo à legislação.
Quando temos documentação explícita e uma proposta de legislação mais rígida parada no congresso por força do latifúndio e do agronegócio, a PEC 438, quando sabemos exatamente o que é trabalho escravo, a escravidão por dívida ou a escravidão por não cumprimento da legislação trabalhista, não precisamos nos ater a normas mais estritas. O código civil e a constituição são suficientes para determinar e punir trabalho escravo, não há discussão. Sabemos que a legislação rediscutiu o que é trabalho escravo, o que é uma atitude de procrastinação das medidas que devem ser tomadas contra os escravocratas. É lamentável que a Banca Ruralista do Congresso esteja protegendo os produtores que viabilizam a sustentabilidade da agricultura agroexportadora nos países desenvolvidos. Não só se fala em rotular socialmente o álcool, mas também a soja e tudo mais.
“O código civil e a constituição são suficientes para determinar e punir trabalho escravo, não há discussão”
Enquanto existir desconfiança, ou certeza, o trabalho escravo permanecerá no Brasil, e hoje ele está espraiado por todas as regiões. O estado com maior apreensão de trabalho escravo atualmente é Santa Catarina. Não existe escravidão em pequenas propriedades familiares, quando encontramos esta prática, é em latifúndios e empresas do agrobusiness. É esta a discussão que deve ser feita. Rediscutir o trabalho escravo é dizer que não sabemos quando alguém está preso, quando existem capatazes e jagunços, quando o trabalhador está com os documentos retidos ou não sabe o quanto ganhou por um dia de trabalho.
IHU On-Line – Analisando as propostas colocadas em jogo em relação às eleições deste ano, quando a reforma agrária, no Brasil, será realizada?
Marcos Pedlowski – A Reforma Agrária não será realizável enquanto não se entender que o que está em jogo é o apoio que as administrações federais dão ao agronegócio. O agronegócio representa uma possibilidade de articulação com o mercado globalizado, o que, do meu ponto de vista, é uma aposta equivocada se considerarmos que os preços das principais commodities estão em depressão histórica. Porém, existe a insistência no financiamento do agronegócio. Este ano, por exemplo, a agricultura está recebendo um aporte financeiro do governo federal de 12 bilhões de reais para colocar em safra. Deste dinheiro, 10 bilhões estão indo para o agronegócio.
No entanto, a dívida acumulada do agronegócio em 2008, é de 75 bilhões de reais, sendo que destes, 27 bilhões são dívidas da década de 1990. Essa é uma aposta que nos mantêm financiando o latifúndio, dependentes de uma agricultura globalizada em que temos uma depressão contínua dos valores reais dos produtos. E ainda há algo pior. Neste momento, com a crise na Europa e a ameaça de crise hipotecária na China, o Brasil pode ter um colapso em sua balança comercial por causa da aposta no agrobusiness.
Por outro lado, quando lembramos, objetivamente, o que já havia sido feito pelo FHC e pelo Lula em termos de agronegócio, percebemos que não houve reforma agrária. O que tem acontecido, principalmente na Amazônia, é o Programa de Regularização de Posses de caráter muito precário e que não mexe no centro do problema, que é o Coeficiente de Gini. Este coeficiente aumentou durante o governo Lula, isto significa que não houve nenhuma reforma. Isso é interessante. O agronegócio é feito por um número pequeno de proprietários.
Sabemos que proprietários com mais de mil hectares no Brasil, que são 1% dos proprietários, controlam 43% das terras no país. Não há, nesse horizonte, nenhuma proposta que reaja pela reforma agrária. Mas, na minha visão, quando analisamos especialmente os resultados surpreendentes que aparecem no censo agropecuário em 2008, e que causam certa estupefação, vemos que o grosso da produção, não apenas de alimentos, mas de commotidies, é da agricultura familiar. Isto nos mostra que a opção correta para o Brasil seria fazer uma corajosa reforma agrária e modernizar o campo brasileiro do ponto de vista das relações sociais e produtivas. Essa modernidade de agrotóxicos, desmatamentos, escravidão é falsa.
IHU On-Line – E como a Revisão dos índices de produtividade pode colaborar com o início da reforma agrária efetiva no Brasil?
Marcos Pedlowski – Certamente, essa é outra falácia. O latifúndio, toda vez que faz uma aposta ruim, vai correndo pro estado pedir renegociação e mais dinheiro. Ao mesmo tempo, quando vemos que nenhum esforço objetivo tem sido feito nas regiões brasileiras, não temos uma mudança de produtividade. Dizem que hoje somos 75% mais produtivos, mas 75% mais produtivos em relação a quê? Certas culturas têm sua produção estabilizada quando a área aumenta muito, como no caso da Amazônia. Ou seja, o que tivemos de aumento na produção está ancorado no aumento da área em produção, não existe um aumento de produtividade. Por isso que o latifúndio é contra a ausência de produtividade, porque sabe que, se esses índices estiverem defasados, deve investir muito mais, melhorar a capacidade dos trabalhadores e aperfeiçoar os investimentos públicos.
Na verdade, esse apoio à safra não passa de subsídios disfarçados. O governo Lula reclama dos subsídios da União Europeia, mas, ao permitir essa rolagem eterna da dívida do latifúndio, não faz nada mais do que subsidiar. Acredito que essa questão da revisão dos índices de produtividade é uma necessidade, não apenas do ponto de vista da reforma agrária. Quando fica escancarado que determinados proprietários não estão preocupados com produtividade, e estão fazendo especulação fundiária, torna-se evidente que precisamos de uma mudança muito grande. Assim eles seriam obrigados a fazer um esforço para se adequar a uma realidade em termos de observação da função social da terra.
Por outro lado, se eles continuarem não querendo trabalhar na terra de forma mais produtiva, podemos usar isso para fazer uma reforma agrária. Como é apresentado, parece que só se quer a revisão para fazer a reforma agrária, isso não pode ser o único motivo. Um motivo a mais, e talvez a prioridade, é que termos muita terra improdutiva no país. E, convenhamos, o latifúndio não tem uma competência real para ser produtivo, especialmente se não tiver os subsídios que recebem do estado.
IHU On-Line – O que vem a ser o Neolatifúndio?
Marcos Pedlowski – O neolatifúndio é o que estão chamando de agronegócio. O problema é que ninguém gosta de ser chamado de latifundiário. É mais chique ser chamado de agroboy ou agro qualquer coisa. Eu pelo menos entendo a expressão como latifúndio com cara moderna, mas que continua sendo o latifúndio de sempre. Na literatura mexicana, quando se fala na questão da reforma agrária, usa-se o termo neolatifúndio como um filão para agronegócio. Mas quando se fala em agronegócio, não temos mais aquele latifundiário que forma sua empresa agrícola.
Não é somente a questão local que influencia, temos ligação direta entre as grandes multinacionais de produção de sementes, de agrotóxicos, e essa ligação não para por aí. Temos quem recolhe a safra, – um exemplo são os produtos da Monsanto que vão para a Bunge – depois alguém exporta e vai parar no Carrefour, em Paris, ou no Walmart, em Washington. Se observarmos os cálculos, quem mais ganha com o agronegócio são as grandes cadeias de comercialização, que ficam com o grosso do que é gerado mundialmente. Isso foge do nosso alcance, porque, geralmente, ficamos só observando a relação entre agronegócio, latifúndio e reforma agrária. Esse seria moderno, tecnológico. A defesa desse novo latifúndio, na verdade, é outra forma de falar que não precisamos mais de reforma agrária.
IHU On-Line – A estratégia adotada pelo agronegócio, levando em conta o desmatamento, o trabalho escravo e degradante, uso de agrotóxicos, é autodestrutiva?
Marcos Pedlowski – Não, ela só nos destrói. Na lógica, que é globalizada, aqueles que são responsáveis pelo funcionamento não estão onde os grandes problemas vão se manifestar. O agronegócio não é autodestrutivo, só para a nação e para os países que tentam sair dessa dependência histórica e geopolítica dos países ricos. Um exemplo é Campos dos Goytacazes. Quando se fecham as usinas, os usineiros vão construir hotéis, grandes prédios comerciais e vão vender terreno na rua.
A empresa jurídica vai falir, e a pessoa física vai estar na boa. Temos situações em que a fábrica falida de um usineiro, que estava escravizando pessoas, é transferida para outro lugar. Não vemos estes trabalhadores escravos procurarem seus direitos. Essa mobilidade do agronegócio traz a impunidade. O latifúndio quer falar que trabalho escravo só pode ser punido se julgado, mas existem causas trabalhistas que duram 30 anos. Se pensarmos em projetos de desenvolvimento nacional, isso é destrutivo para o país. O agronegócio se recicla.
Notas:
[1] Coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini. É comumente utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda mas pode ser usada para qualquer distribuição. Ele consiste em um número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda (onde todos têm a mesma renda) e 1 corresponde à completa desigualdade (onde uma pessoa tem toda a renda, e as demais nada têm). O índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos percentuais (é igual ao coeficiente multiplicado por 100).






Produção maior com modelo agroflorestal: Novo uso da terra ajuda agricultores a desenvolver negócio sustentável

Transformar algo ecologicamente correto em um negócio sustentável e rentável parece longe da realidade de muitas empresas. No ramo agrícola, isto é possível. Pelo menos é o que sugere um modelo chamado de agroflorestal. Ele consiste no uso da terra combinando espécies de árvores com cultivos agrícolas e animais, capazes de captar nutrientes do solo, segundo o Sistema de Informações Agroflorestais (Sisaf), elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). E é assim que Jones Severino Pereira – agora empresário – ganha a vida há mais de 15 anos. Reportagem de Augusto Leite, na Folha de Pernambuco.

“No começo, a vizinhança achava que eu tinha endoidado, porque as pessoas passavam na frente e viam o terreno cheio de mato. Quando surgiram os avanços, passei a tirar 500 cocos dos mesmos 40 pés que antes davam no máximo 70”, conta. Isso não é nada. Hoje, do Sítio São João, em Abreu e Lima, do qual ele é dono, saem 13 mil quilos de alimentos e 40 metros cúbicos de madeira por ano. A produção é garantida por mais de 75 espécies de plantas e uma diversidade de animais que o agricultor não consegue sequer estimar.

As flores não brotaram tão facilmente na vida de Sr. Jones. A inovação partiu por necessidade, já que o solo estava improdutivo e a família vivia da apicultura – criação de abelhas. Atualmente, ainda retiram 500 mil litros de mel todo ano, mas esta não é mais a principal atividade de sustento. “O sistema convencional monocultivo fez com que o solo chegasse a um ponto em que ficou completamente degradado. Na época (até 1993), se eu ganhasse dinheiro, comprava adubo e produzia. Só que não era mais viável. Ia cair num ciclo vicioso. Sempre dependeria de adubo e a natureza não funciona dessa forma”, aponta.

O empresário lembra que “nos primeiros três anos de experiência (agroflorestais) foram mais erros do que acertos”. A situação melhorou mesmo com a ajuda do Centro Sabiá, uma organização não-governamental que assessora famílias agricultoras em Pernambuco. Tanto trabalho, esforço e boa vontade levaram a área de um hectare do Sítio São João a ser reconhecida internacionalmente. De 1999 para cá, já foram mais de 3,5 mil pessoas visitando o local, muitas delas fazendo intercâmbios ou estágios.

Produtos passam por transformação
Mas o que seria de Sr. Jones sem a mãozinha da mulher, Lenir Ferreira Gomes Pereira? “Grande parte dos produtos que vendemos são por conta do talento dela, que parecia estar adormecido”, diz o agricultor. Era preciso dar destino a uma enorme quantidade de mamão, abacaxi, banana, café… E por aí vai. A saída foi diversificar os produtos em tortas, polpas, geleias e doces. Só do açaí, o grande carro-chefe do Sítio São João, com dois mil quilos produzidos por ano, são oito formas distintas de comercializar o produto.

“A ideia surgiu porque a produção estava muito grande. A intenção era não perder a fruta e tentar agregar valor. Recebi um treinamento e aproveitei para o que nós temos. Como não produzimos trigo, faço pão de macaxeira e jerimum. Faço também pastel de jaca com a carninha dela de verdade”, conta a simpática Leninha, como é chamada.

Os produtos são vendidos no Espaço Agroecológico, que acontece aos sábados, nas Graças, atrás do Colégio São Luís, e às segundas, em Boa Viagem, nas proximidades do Parraxaxá. Mas quem der uma passada no Sítio São João também pode aproveitar. Não deve ser fácil sair de mãos abanando. Também é possível fazer encomendas por telefone.

SERVIÇO
Sítio São João
Telefone: 3541-9083
Centro Sabiá
http://www.centrosabia.org.br/


Grãos perenes, a próxima revolução na agricultura

Lavouras de grãos perenes, que crescem com menores quantidades de fertilizantes, herbicidas, combustível e menor erosão do solo do que os grãos plantados anualmente, poderiam estar disponíveis em duas décadas, de acordo com estudo [Increased Food and Ecosystem Security via Perennial Grains] publicado na revista Science.

O desenvolvimento de grãos perenes seria uma das maiores inovações na história da agricultura, mas ainda depende pesquisas e investimento nos atuais programas de melhoramento das espécies potencialmente promissoras.

A questão é delicada e polêmica, em termos de economia global baseada na exportação de produtos agrícolas e enfrenta resistências na agroindústria e na indústria agroquímica. Os autores do estudo destacam que grãos perenes poderiam ampliar a capacidade dos agricultores em sustentar as bases ecológicas de suas colheitas.
Ao mesmo tempo, poderiam oferecer uma proteção e um estímulo adicional à plena utilização de terras marginais, em risco de serem degradadas pela produção anual de grãos.

“As pessoas falam sobre a segurança alimentar”, diz John Reganold, professor e pesquisador da Washington State University (WSU). “Isso é apenas metade do problema. Precisamos falar tanto da segurança alimentar e do ecossistema.”

Os grãos perenes, dizem os autores, têm períodos de crescimento maiores do que as culturas anuais e suas raízes são mais profundas, o que permite às plantas tirarem o maior partido da precipitação. Suas raízes maiores, que podem chegar de 3 a 4 m. de profundidade, reduzem a erosão, são mais eficientes em relação ao aproveitamento dos nutrientes no solo, ao mesmo tempo em que tendem a sequestrar maior quantidade de carbono da atmosfera.

Por serem perenes também exigem menos passagens de equipamentos agrícolas e menos herbicidas. Em termos comparativos, os grãos anuais podem desperdiçar cinco vezes mais água que as culturas perenes e 35 vezes mais nitrato, um nutriente importante para as plantas, que pode ‘migrar’, a partir de campos, para os cursos d’água, contaminando a água potável e criando “zonas mortas” em águas de superfície.

“O desenvolvimento de versões perenes, de nossa produção de grãos, resolveria muitas das limitações ambientais das culturas anuais, ajudando a alimentar um planeta cada vez mais faminto”, diz Reganold.
A pesquisa para o desenvolvimento de grãos perenes está em curso na Argentina, Austrália, China, Índia, Suécia e Estados Unidos.



Os autores afirmam, ainda, que as pesquisas em grãos perenes poderiam ser aceleradas com mais recursos, pesquisadores, terra e tecnologia em programas de melhoramento. Defendem um esforço de pesquisa semelhante ao atualmente despendido na base biológica de combustíveis alternativos.


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Brasil é o principal consumidor de agrotóxicos: entrevista com a maior autoridade do país no assunto


A nanotecnologia oferece novas oportunidades para indústrias ligadas à cadeia de produção agrícola, mas pode gerar enormes riscos para saúde e o meio ambiente, Fonte: Instituto Humanitas Unisinos


"Como são regidas pelas leis da física quântica, as nanopartículas apresentam comportamentos distintos dos habituais para materiais em escala macroscópica. Testes de laboratório mostraram, por exemplo, que nanopartículas de óxidos de metais podem penetrar nas células e danificar o DNA. Devido ao tamanho diminuto, partículas não são retidas pela barreira do cérebro ou pela da placenta", adverte a fundadora do Centro Ecológico do município de Ipê, Rio Grande do Sul.

Em entrevista concedida por e-mail a IHU On-Line, a pesquisadora assinala que genes de plantas geneticamente modificadas são transferidos para bactérias intestinais humanas. No caso dos cultivos Bt, ressalta, "nos quais toda a planta é transformada num agrotóxico pela transgenia, se os genes Bt forem transferidos, eles poderiam fazer nossas bactérias intestinais tornarem-se fábricas vivas de agrotóxicos". Com isso, destaca, aumenta a probabilidade de os transgênicos serem responsáveis por doenças toxológicas.

Para Maria José, a expansão da fronteira agrícola brasileira "é uma das causas do aumento do consumo de agrotóxicos juntamente com os cultivos de transgênicos" no país. E acrescenta: "Não por coincidência, algumas das maiores empresas de sementes do mundo, que controlam grande parte do mercado mundial de sementes proprietárias estão também entre as maiores empresas de agrotóxicos do mundo, como a Monsanto, a Dupont, a Bayer e a Syngenta".

Maria José Guazzelli é engenheira agrônoma, formada pela Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e na década de 1980, participou na elaboração da Lei dos Agrotóxicos do Rio Grande do Sul (Lei 7747/82). Ela é coautora do livro Agropecuária sem veneno, tradutora dos livros Plantas doentes pelo uso de agrotóxicos - Teoria da trofobiose, de Francis Chaboussou; Agroecologia, de Stephen Gliessman, Nanotecnologia - Os riscos da tecnologia do futuro, do Grupo ETC, e Roleta genética - Riscos documentados dos alimentos transgênicos sobre a saúde, de Jeffrey Smith .

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Quais são os venenos mais usados nas lavouras brasileiras e em que medida isso é feito?

Maria José Guazzelli - O Brasil, em 2008, tornou-se o maior consumidor mundial de venenos agrícolas (733,9 milhões de toneladas), ultrapassando os Estados Unidos (646 milhões de toneladas). Em 2007, as vendas no Brasil significaram 5,372 bilhões de dólares e em 2008, 7,125 bilhões. A cultura que mais consome agrotóxico é a soja. No total, os herbicidas representam cerca de 45% das vendas, os inseticidas 29%, e os fungicidas 21%.
De acordo com dados da Anvisa de 2008 e de 2009, mais 15% dos alimentos no país têm resíduos de agrotóxicos em excesso. Para a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), o massivo uso de agrotóxicos é chamado de "emprego intensivo de tecnologia", e o mercado brasileiro tem potencial para "avanço mais consistente no futuro". Boa parte dessa consistência deve-se às variedades transgênicas.


IHU On-Line - A evolução da transgenia é o principal fator para o aumento do uso de agrotóxicos nas lavouras?

Maria José Guazzelli - A expansão da fronteira agrícola no Brasil também é uma das causas do aumento do consumo de agrotóxicos juntamente com os cultivos transgênicos. Não por coincidência, algumas das maiores empresas de sementes do mundo, que controlam grande parte do mercado mundial de sementes proprietárias, estão também entre as maiores empresas de agrotóxicos do mundo, como a Monsanto, a Dupont, a Bayer e a Syngenta.
Em 1994, foram consumidas cerca de 800 toneladas de herbicidas no Brasil e, em 1998, aproximadamente 1400, coincidindo com o período de introdução da soja transgênica no país.
A pauta atual da CTNBio mostra bem que os transgênicos fazem sua parte no consumo de agrotóxicos. Dos seis pedidos para liberação comercial de sementes transgênicas, quatro delas são modificadas para tolerar aplicações de herbicidas e uma é Bt e tolerante a herbicida. Dos 45 pedidos de variedades que estão sendo testadas a campo, 41 são para plantas tolerantes a herbicidas, ou seja, 91% do total.
Um dado interessante é que o único estudo de alimentação de humanos com cultivos transgênicos mostrou que genes das plantas são transferidos para bactérias intestinais humanas. No caso de cultivos Bt , nos quais toda a planta é transformada num agrotóxico pela transgenia, se os genes Bt forem transferidos eles poderiam fazer nossas bactérias intestinais tornarem-se fábricas vivas de agrotóxicos.
Não por acaso, a Academia Americana de Medicina Ambiental divulgou documentos sobre alimentos transgênicos pedindo uma moratória imediata e afirmando que "os produtos transgênicos representam um sério risco à saúde nas áreas da toxicologia, alergias, funções imunológicas, saúde reprodutiva, metabolismo, fisiologia e saúde genética".


IHU On-Line - Qual é a composição do Roundup e por que ele é considerado um dos agrotóxicos mais prejudiciais?

Maria José Guazzelli - O Roundup é um herbicida à base de glifosato muito usado por agricultores, jardineiros e órgão públicos para o controle de ervas indesejadas. A maioria dos transgênicos cultivados hoje no Brasil são variedades resistentes a esse produto.
É bastante difundido, especialmente pela indústria, que o glifosato é menos prejudicial que outros herbicidas. A Anvisa o classifica como Classe IV (faixa verde). A toxicidade aguda do glifosato é relativamente baixa, mas o Roundup é composto de glifosato e mais um surfactante . O surfactante chamado POEA aumenta a eficácia do produto bem como os riscos pelo seu uso. Por ser um produto sistêmico, o Roundup é absorvido por sementes e frutas.
O produto também é tóxico para animais aquáticos (experimentos com rãs, nos EUA, mostraram que mais de 80% dos adultos expostos ao Roundup, em proporções normais morreram em 24 horas). Ele pode ser absorvido pela pele e mucosas agindo no sistema nervoso, afetando os músculos. Além disso, provoca hipotensão arterial, dores intestinais, vômito, diarréia, dor de cabeça, tontura, ardência nos olhos, visão borrada e dificuldade de respirar. É um disruptor endócrino (provoca danos no DNA) e pode ativar o desenvolvimento de câncer e de outras anomalias que favorecem abortos espontâneos, nascimentos prematuros e má formações em recém-nascidos.
Algumas horas de exposição ao Roundup, em concentração 10 vezes mais baixa do que a usada na agricultura, é tóxica para células da placenta humana. Em diluições de até 10.000 vezes, o Roundup altera a produção hormonal das células placentárias. Níveis extremamente baixos de exposição ao Roundup podem resultar em produção 90% mais baixa de hormônios sexuais masculinos. Como um disruptor endócrino sintético, em bebês, oferece risco de danos sexuais, cognitivos, de desenvolvimento físico e do sistema imunológico permanentes.
No Rio Grande do Sul, estudo em ratos mostrou aumento no percentual de espermatozóides anormais durante a puberdade e a redução da produção diária e do número de espermatozóides em adultos. Pesquisa recente na Argentina mostrou que este agrotóxico produz alterações intestinais, cardíacas e deformações e alterações neuronais em embriões anfíbios mesmo em doses muito inferiores às usadas na agricultura.

Quando a soja RoundupReady da Monsanto foi liberada, o governo, por meio da Anvisa e do Ministério da Saúde, aumentou em 50 vezes o Limite Máximo de Resíduos (LMR) permitido do glifosato na soja para que o grão pudesse ser legalmente comercializado (de 0,2 mg/kg para 10 mg/kg).


IHU On-Line - Qual é a relação dos agrotóxicos com o desenvolvimento da doença de Parkinson? Que outras doenças podem surgir?

Maria José Guazzelli - Já em 2000, há referência de estudo em cobaias publicado no Journal of Neuroscience indicando que a exposição simultânea ao herbicida Gramoxone (Paraquat) e ao fungicida Maneb, ambos bastante usados na agricultura, é fator determinante no desencadeamento do mal de Parkinson. Levantamento recente feito com trabalhadores rurais mostrou resultados similares. Da mesma forma, em 2008, estudo realizado na Duke University, Durham, North Carolina, constatou que dos pacientes com Parkinson, mais de 61 % relatavam contato direto com aplicação de agrotóxicos quando comparados com parentes saudáveis. O Mal de Alzheimer, por exemplo. Não tenho lembrança de estudos para discorrer mais sobre este aspecto.
Há agrotóxicos com características bem distintas que começam a ser usados na agricultura sem que existam estudos dos seus impactos sobre a saúde e o meio ambiente. São difundidos como de liberação controlada e usam partículas de tamanho nano. Ou seja, somam aos problemas dos agrotóxicos os problemas de substâncias nanotecnológicas que irão para a água e solo etc., onde podem apresentar riscos de toxicidade. Os produtos Karate Zeon, da Syngenta são exemplos deste tipo de tecnologia.


IHU On-Line - Nesse sentido, as nanotecnologias podem agravar ainda mais a toxidade dos agrotóxicos? Que relações estabelece entre essa tecnologia e os venenos?

Maria José Guazzelli - As inovadoras propriedades de nanomateriais oferecem novas oportunidades para a indústria ligada à cadeia de produção agrícola, como, por exemplo, agroquímicos e fertilizantes mais potentes. Mas esses materiais podem trazer enormes riscos para a saúde e o meio ambiente.
Como são regidas pelas leis da física quântica, as nanopartículas apresentam comportamentos distintos dos habituais para materiais em escala macroscópica.
Testes de laboratório mostraram, por exemplo, que nanopartículas de óxidos de metais podem penetrar nas células e danificar o DNA. Devido ao tamanho diminuto, partículas não são retidas pela barreira do cérebro ou pela da placenta. Os métodos atuais para avaliar riscos potenciais dos nanomaterais são inadequados e as versões nano de químicos já existentes deveriam ser avaliadas como novos químicos. Assim, além da toxicidade do próprio agrotóxico, soma-se a toxicidade da nanopartícula decorrente de seu tamanho e estrutura.


IHU On-Line - O uso de agrotóxicos contribui também para a infertilidade futura do solo?

Maria José Guazzelli - O uso de agrotóxicos contribui para alterar a flora microbiana, responsável, em grande parte, pela fertilidade de um solo. Alguns tipos de venenos comumente usados também são capazes de bloquear sinais químicos que permitem o funcionamento de bactérias fixadoras de nitrogênio, fazendo com que o solo na área tratada fique mais pobre deste nutriente, demandando aplicação maior de fertilizantes.


IHU On-Line - Pode nos falar sobre a teoria da trofobiose? Em que sentido isso contribui para a construção de uma agricultura sadia?

Maria José Guazzelli - A palavra Trofobiose foi usada pelo pesquisador francês Francis Chaboussou para dar nome à sua teoria que não é qualquer planta que é atacada por pragas e doenças. A planta precisa servir de alimento adequado e só será atacada por um inseto, ácaro, nematóide ou microorganismos (fungos ou bactérias), quando tiver, na sua seiva, exatamente o alimento que eles precisam. Este alimento é constituído, principalmente, por aminoácidos, que são substâncias simples, rapidamente aproveitadas. Em outras palavras, uma planta saudável, bem alimentada, dificilmente será atacado por pragas e doenças. As ditas pragas morrem de fome numa planta sadia.


IHU On-Line - Que modificações são provocadas nas plantas pelo uso de adubos químicos e o que essas substâncias geram?

Maria José Guazzelli - Devido à sua solubilidade, os adubos químicos são um dos fatores que provocam desequilíbrios no metabolismo das plantas, segundo Chaboussou, fazendo com que a planta tenha na sua seiva uma quantidade maior de substâncias simples. Isto está relacionado com a formação de proteínas - quanto mais intensa for a síntese de proteínas, menor será a sobra de aminoácidos livres, açúcares e minerais solúveis que os insetos e doenças necessitam para poderem se alimentar, já que têm uma variedade muito pequena de enzimas digestivas, o que reduz sua possibilidade de aproveitar completamente moléculas grandes (complexas), como as proteínas, por exemplo. Além disso, a formação eficiente de proteínas aumenta o nível de respiração e de fotossíntese da planta, melhorando todo o funcionamento da planta. Plantas que recebem nutrição desequilibrada provavelmente irão necessitar aplicação de agrotóxicos - fechando esse ciclo de dependência de adubo químico e veneno agrícola.


IHU On-Line - É possível hoje, de acordo com o modelo de produção agrícola existente e com o crescimento da transgenia, não utilizar agrotóxicos?

Maria José Guazzelli - O atual modelo de agricultura, seja usando sementes convencionais ou transgênicas, é desenhado para assegurar lucros às empresas. Assim, faz parte do modelo ter plantas "adoecidas" e plantas modificadas geneticamente que requerem aplicações de adubos químicos e de agrotóxicos. Mas é possível não precisar mais utilizar agrotóxicos. A opção é mudar para um sistema de produção que vise preservar a saúde e o ambiente, sem abrir mão da viabilidade social e econômica. Estudos apontam que a agroecologia tem capacidade de produzir alimentos e fibras em quantidades suficientes para abastecer a população atual e futura e, além disso, promove os chamados serviços ambientais. Dentre eles, destaca-se a preservação da diversidade biológica e a mitigação dos gases de efeito estufa, contribuindo para reduzir o aquecimento global. São sistemas agrícolas mais resilientes , tanto em termos econômicos quanto ecológicos.


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Alerta de Tubarão em Cabo Frio: Necessário ou Excesso de Zelo?




Eles metem medo, estão entre nós desde a pré-história e são os seres mais bem adaptados do planeta - não dormem, aguentam águas frias e quentes, não andam em bando e, para nosso pavor, não dão "aviso-prévio" quando atacam.
A imagem da barbatana perseguindo mocinhas de biquini eternizada pelo cinema blockbuster, não existe na vida real. Tubarões atacam vindo do fundo, até pela vantagem e, em quase 100% dos casos, são ataques causados por nós, humanos (carne estranha e pouco apetitosa ao peixe em questão), que pescamos seus cardumes, poluímos suas águas (as tornando escuras) e invadimos suas áreas de procriação.

Para entender sobre o assunto, leia o melhor livro escrito em português "Tubarões no Brasil" e visite o site do Instituto Aqualung que, entre outras ações, lidera a Campanha Nacional contra o consumo de barbatanas de tubarões "Protuba" e promove seminários na área de conscientização ambiental.

E se você pensa em fazer "ecoturismo" mergulhando em jaulas imersas em áreas de tubarões brancos atraídos por galões de sangue e víceras atirados pela tripulação, repense seriamente, os animais não associavam a figura humana a sangue e hoje, associam - o que causou aumento do número de ataques em áreas de balneário que eram sequer visitadas pelos animais.


Exemplos bem sucedido de convivência pacífica: o vídeo abaixo sobre a mergulhadora que acaricia tubarões com sua luva de malha de ferro:






Alerta de Tubarão em Cabo Frio: Necessário ou Excesso de Zelo?

Por Marcelo Szpilman

As notícias “Bombeiros fazem Alerta de Tubarão em Cabo Frio”, veiculada na mídia online, e “Tubarão deixa Cabo Frio em Estado de Alerta”, veiculada em alguns jornais, precisam ser esclarecidas para evitar exageros e distorções que podem gerar insegurança e medo desnecessários para a população.

Em princípio, o alerta de tubarão em Cabo Frio soa como absolutamente inócuo ou desnecessário, já que os tubarões habitam aquela região há milhões de anos e NUNCA representaram qualquer ameaça ao homem __ não há nenhum registro de ataque de tubarão a banhistas, surfistas ou mergulhadores em Cabo Frio ou Arraial do Cabo. O problema, e esse é o motivo do esclarecimento, são as declarações e opiniões acessórias que mais confundem do que ajudam.

Com o objetivo de esclarecer alguns pontos, seguem abaixo algumas dessas declarações e opiniões e as respectivas análises.


1 – “Bombeiros de Cabo Frio emitiram um alerta sobre a presença de um cação perseguindo um cardume de peixes”.

A presença de tubarões em nosso litoral sempre foi e continua sendo um fato muito comum (tomara que continue assim). Os tubarões frequentam há milhões de anos as mesmas áreas onde o homem passou a ter seu lazer e práticas esportivas. A zona de arrebentação das ondas é um excelente local para os tubarões capturarem seus peixes. Como já ocorreu nas praias do Rio de Janeiro, avistar cações (ou tubarões) em suas atividades rotineiras de obtenção de alimento em um dia de águas claras, ainda que seja uma curiosidade, não é nenhuma novidade e não representa nenhum tipo de ameaça. Assim, emitir alerta para esse tipo de evento só contribui para gerar intranquilidade.


2 – “Os tubarões em geral podem confundir os surfistas com tartarugas e atacá-los”.

Ainda que a confusão visual possa motivar um ataque, essa possibilidade não se aplica à Cabo Frio. Explico. Cerca de 90% dos ataques de tubarão ao homem, no mundo todo, são provocados pelo erro de identificação visual, quando o tubarão dá uma única mordida investigatória e solta sua vítima após constatar não tratar-se de sua presa habitual. Isso ocorre, por exemplo, na Austrália e no Pacífico com o tubarão-branco, que pode confundir o homem com mamíferos marinhos, nas águas turvas de Recife com o cabeça-chata, que pode confundir pernas e braços de surfistas com peixes, e no Hawaii com o tubarão-tigre, que pode confundir surfistas e suas pranchas com tartarugas.

Em algumas praias do Hawaii, em um evento que ocorre há milhares de anos, quando as tartarugas-marinhas chegam às partes rasas, para depois sair da água para desovar na areia, os tubarões-tigres aproveitam esse momento para atacá-las. Nadam por baixo e atacam de surpresa a região inferior (mais vulnerável) do casco ou suas pernas. Assim, visto de baixo contra a luz do sol, um surfista deitado em sua prancha com os membros dentro d’água, nessas praias do Hawaii, pode, eventualmente, ser confundido com uma tartaruga-marinha. Assim, transpor um evento único no mundo para Cabo Frio é um erro que só contribui para gerar mais intranquilidade.


3 – “Os ataques de tubarão a seres humanos sempre têm a ver com a falta de alimentos no mar”.

Essa é uma declaração absolutamente equivocada. Os tubarões são seres bastante adaptáveis e móveis para não sofrer diretamente a influência local da poluição ou falta de alimento. Se uma região não está atendendo suas demandas por presas habituais, o tubarão muda-se para outra região. O caso de Pernambuco é um bom exemplo. A escassez de alimento na região de Suape, devido ao aterro do mangue para construção do Porto, não motivou ataques naquela região, mas sim o deslocamento de uma população de cabeças-chatas para Recife e o aumento considerável na interação dos surfistas e banhistas com os tubarões, que passaram a caçar seus peixes na mesma área. E foi essa nova interação que motivou a sequência de ataques na década de 1990, em sua maioria provocados pelo erro de identificação visual do tubarão. Ou seja, não há relação direta entre falta de alimento e ataque de tubarão. Imaginar que, na falta de peixes e outras presas, os tubarões mudarão seus hábitos alimentares de milhões de anos de adaptação e passarão a atacar seres humanos não condiz com a realidade.






20 causas de morte mais prováveis do que um ataque de tubarão


1 – Obesidade

A obesidade mata 30.000 pessoas por ano no mundo.

A principal causa de morte dos obesos está relacionada com as doenças coronarianas, facilitadas pelo estado frequente de resistência a insulina, hiperglicemia, hiperlipemia, hipercolesterolemia nesse grupo de pacientes. A possibilidade de um obeso morrer prematuramente é de 50 a 100% maior do que nos pacientes de peso normal.

No Brasil, o aumento da obesidade já provocou reflexos na estatística de mortalidade. Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde mostrou crescimento de 10% no número de mortes causadas por diabetes entre 1996 e 2007.

Além disso, a obesidade aumenta o risco de infarto, derrame e várias outras doenças.

Hoje, o cigarro e a obesidade sãs as duas maiores causas de morte que poderiam ser prevenidas. As projeções indicam que nos próximos dez anos, a obesidade será a primeira causa de morte previnível.


2 – Relâmpagos

Raios matam 10.000 pessoas por ano no mundo.

O Brasil é o país mais atingido por raios em todo o mundo. De acordo com levantamento feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), temos a maior porcentagem de mortos por esse tipo de incidente. O território brasileiro é atingido por 70 milhões de raios por ano, ou seja, um pouco mais de duas descargas elétricas por segundo.

Aqui ocorrem mais de 10% de todas as mortes relacionadas com descargas elétricas no mundo. Mais exatamente, no país, nos últimos dez anos, 1.321 pessoas morreram atingidas por relâmpagos. A maior parte das vítimas (1.122) estava na zona rural, e 15% do total (198 pessoas) estavam dentro de casa. O levantamento mostrou que, a cada ano, 132 pessoas morrem atingidas por raios no país, um número acima do esperado.

Segundo os especialistas, o problema é a desinformação da população. De fato, os relâmpagos não atingem diretamente quem está abrigado dentro de casa. O problema é o que as pessoas fazem dentro de casa quando há um temporal com muitas descargas elétricas.

Só 1% das vítimas fatais é atingida diretamente por raios, o que significa que a casa é um abrigo seguro. Mas muita gente morre levando uma descarga elétrica quando está falando ao telefone. Se um relâmpago atinge as proximidades da casa, perto da rede de telefônica ou mesmo elétrica, ele tem poder de gerar radiação que corre pelos fios.

Nos telefones sem fio, isso não acontece, assim como nos celulares, mas há um outro alerta: existem casos de morte de pessoas que estavam falando ao celular com o aparelho plugado ao carregador e ligado à tomada.

Tomar banho durante o temporal também é um risco, assim como ficar próximo à rede elétrica. Se um raio cai perto da rede elétrica, pode chegar à fiação do chuveiro e atingir a pessoa. A água é boa condutora de eletricidade. Se uma lâmpada explode pela descarga de um raio, uma pessoa que esteja próxima à rede elétrica também pode ser atingida.

A mesma lógica vale para aparelhos eletroeletrônicos, especialmente a geladeira. Ficar próximo é um risco, porque o metal ajuda a conduzir a corrente elétrica de um raio que chega pela fiação.

O estudo mostrou que muita gente que mora em casa de chão de terra batida, sem telefone ou geladeira para oferecer perigo, é vítima também. Em casas de chão de terra batida, se o raio cai próximo à residência é como se caísse dentro dela. Nos casos de mortes, a pessoa estava descalça e foi atingida pela descarga elétrica que se propagou pelo solo. Sem piso, a casa não fica isolada. Em alguns casos, pessoas que estavam com um simples chinelo de borracha tiveram a vida preservada.


3 – Celular no trânsito

Enviar SMS em situações inapropriadas matam 6.000 pessoas por ano no mundo.

Especialistas alertam que enviar torpedos ao volante é mais perigoso do que falar ao celular. O risco da prática é maior, inclusive, do que dirigir embriagado.

Além da distração provocada pela mensagem, a principal ameaça que o SMS representa à segurança no trânsito decorre da necessidade do condutor desviar o olhar da rua para o aparelho. Nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália, o assunto já é alvo de pesquisas.

Um levantamento do instituto Pew Internet and American Life Project com adolescentes americanos detectou que 32% dos entrevistados de 16 e 17 anos já tinham enviado mensagens de celular enquanto dirigiam (lá é possível ter habilitação aos 16 anos).

A disseminação da prática fez o Ministério de Transporte dos EUA brigar por novas regras. Segundo o órgão, 6.000 morreram em acidentes de carro envolvendo motoristas distraídos em 2008. Sendo assim, este ano, o governo americano baixou norma vetando especificamente o envio de torpedos por motoristas de veículos comerciais. Lá, nem todos os estados proíbem o uso do celular ao volante. Mas em 20 deles há lei específica contra torpedos.

No Brasil, o celular é proibido ao volante em todo o país. O debate sobre torpedos, porém, ainda é incipiente.


4 – Hipopótamos

Hipopótamos matam 2.900 pessoas por ano no mundo.

Entre a comunidade científica, é consenso que o animal que mais mata humanos é o hipopótamo (e você com medo de leões e tubarões, hein?).

Segundo os especialistas, o hipopótamo é um animal extremamente territorialista. A menor aproximação de um estranho tem como resposta um ataque. Por isso, é comum o registro de muitas mortes, principalmente na África, por ataques desses animais.

A aparência pacata do hipopótamo disfarça a verdadeira intenção do bicho quando ele abre a boca ao notar a aproximação de alguma pessoa: mostrar suas poderosas e destrutivas presas. Tome cuidado!


5 – Aviões

Aeronaves matam 1.200 pessoas por ano no mundo.

Comprovado por estatísticas internacionais, o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, apresentando apenas um óbito por cada milhão de passageiros embarcados.

Com média de 0,76 óbitos por cada milhão de passageiros, o transporte aéreo regular brasileiro apresenta uma segurança superior a média internacional. Evidentemente, dentro do universo aeronáutico brasileiro, vasto e heterogêneo, um grupo de aeronaves está no nível de segurança exigido pelos requisitos, outro grupo está aquém do mesmo e um terceiro grupo, pela aplicação de programas especiais de prevenção de acidentes, está além deste nível.

Sobreviver a um acidente de avião, inclusive, é muito fácil. A chance de sobrevivência em um acidente aéreo é de, no mínimo, 90%. Os EUA analisaram todos os acidentes aéreos ocorridos entre 1983 e 2000 e descobriram que de 53.487 pessoas envolvidas em acidentes, 51.207 sobreviveram. Mesmo assim, os números de morte mundiais ficam basicamente na casa dos mil. Em 2006, por exemplo, 1.293 pessoas morreram em acidentes. Em 2005, foram 1.455.


6 – Vulcões

Vulcões matam 845 pessoas por ano no mundo.

Estima-se que existam atualmente 1.500 vulcões ativos no mundo, 550 em terra e o restante no oceano. Algumas regiões do planeta estão sendo monitoradas continuamente em relação à atividade vulcânica, como o Alasca, a Islândia, a Indonésia, o Equador, o Japão, a Itália e, mais recentemente, o México. Eles não causam erupções sempre, mas quando causam…


7 – Autoasfixia erótica

Autoasfixia erótica eróticos mata 600 pessoas por ano no mundo.

A asfixia pode ser praticada para aumentar o prazer no orgasmo. Só que, diminuir propositalmente o oxigênio no cérebro provoca uma sensação de tontura, e início de desmaio. É uma prática extremamente perigosa; alguns segundos a mais e a pessoa fica inconsciente e pode morrer.

A motivação das pessoas normalmente é puramente a vontade físico-emocional de aumentar o prazer, mas alguns teóricos situam essa motivação psicológica na necessidade de ser punido, ou de suavizar a culpa de uma forma bem masoquista.

Só que essas pessoas podem ser encontradas mortas com uma corda no pescoço, de roupas íntimas, com brinquedos sexuais ao lado. Não muito agradável para sua família.

Pessoas que sofrem de culpa excessiva durante a masturbação ou outras práticas sexuais, geralmente membros de famílias religiosamente conservadoras, são os principais candidatos ao sufocamento autoerótico. Não se considera que os praticantes tenham tendências suicidas, mas “uma preferência sexual que os predispõe ao perigo”. E que perigo…


8 – Liquidações

Fazer compras em mega liquidações matam 550 pessoas por ano no mundo.

É um jeito bizarro, mas aparentemente comum de se morrer. Anuncia na rádio uma liquidação em tal loja. Dez vezes mais pessoas do que o esperado aparecem. O tumulto começa. Um empurra o outro para entrar primeiro na loja.

Não demora, e as confusões acontecem: correria, agressão e violência tomam conta da multidão. Milhares são pisoteados e feridos. Alguns morrem.

Não acreditou? No Brasil, ano passado mesmo, uma grande liquidação da loja “Atacadão dos Eletros”, em João Pessoa, Paraíba, atraiu cerca de 20 mil pessoas, que se aglomeraram para aguardar a inauguração da promoção. Muitas pessoas foram pisoteadas, e uma senhora de 67 anos não resistiu aos ferimentos e morreu.


9 – Cair da cama

Cair da cama mata 450 pessoas por ano no mundo.

Para você que acha que cair da cama não é nada, é muita coisa: cair é sinônimo de possível fratura, que, se for no crânio, pode ser mortal. Normalmente, quem morre por cair da cama são bebês, nos quais os danos ao crânio são geralmente piores.

Mas nenhum adulto está ileso: em julho desse ano, uma idosa caiu da cama em época de enchente, e morreu afogada. E, no ano passado, um jogador de futebol do Noroeste quase morreu depois de cair de um beliche e bater a cabeça. Passou por seis cirurgias para a retida de um coágulo do lado esquerdo e da calota craniana do lado direito do cérebro, e reparou o maxilar esquerdo que havia deslocado. Chegou a ficar a coma, e demorou muito tempo pra se recuperar. Não é bolinho não…


10 – Banheiras

Banheiras matam 340 pessoas por ano no mundo.

Banheiras podem matar de inúmeras formas. Aqui, de novo, temos os bebês; eles podem morrer afogados durante banhos – nunca podem ser deixados sozinhos. Mas não é só isso. Há casos bizarros, como a da jovem de 18 anos que morreu queimada em uma banheira com água quente na cidade de Brotas, em São Paulo, no ano passado. Ela foi levada ao hospital, mas não sobreviveu. Parecido com o caso de um cara, cujo corpo foi encontrado derretido, porque ele resolveu tomar um banho quente enquanto embriagado. E, na Romênia, em 2009, uma adolescente morreu eletrocutada quando o notebook que ela usava na banheira caiu na água. Tá pensando o quê?


11 – Cervos

Cervos matam 130 pessoas por ano no mundo.

Animais selvagens como o cervo geralmente não atacam pessoas. Apesar disso, em maio do ano passado, um cervo atacou dois tratadores em um zoológico de São Paulo. E, em maio desse ano, no Rio Grande do Sul, um cervo entrou em disparada numa farmácia, e felizmente não machucou ninguém.

De fato, é mais fácil e comum que, ao cruzar estradas ou morrer nelas, os cervos atrapalhem o trânsito e causem acidentes de carro.


12 – Gelo

Pontas de gelo matam 100 pessoas por ano no somente na Rússia.

O nome técnico das pontas de gelo é estalactites. Em cavernas, elas são formações que se originam no teto por depósitos de minerais; no caso do gelo, elas formam “cones” de gelo que podem se quebrar e cair sobre alguém – causando sua morte.

No inverno rigoroso da Rússia, essas formações pontudas são muito comuns – e o perigo também.


13 – Cachorro-quente

Cachorro-quente mata 70 crianças por ano no mundo.

Pasme: o formato do cachorro-quente é que representa o maior perigo para as crianças. Isso porque pode provocar engasgamentos.

Segundo pediatras, a forma alongada, o tamanho e a textura dos cachorros-quentes aumentam o perigo de que crianças engasguem. Uma pesquisa americana revelou que mais de dez mil crianças dão entrada nas emergências e 77 morrem anualmente nos Estados Unidos por engasgarem com cachorros-quentes.

O estudo também diz que 17% dos casos de asfixia por alimentos estão ligados aos cachorros-quentes. Alguns médicos comentam que é praticamente impossível extrair um cachorro-quente depois de entalado na garganta. Como nenhum pai pode vigiar seus filhos o tempo todo, os especialistas recomendam que o cachorro-quente mude de forma. Ahhh…


14 – Tornados

Tornados matam 60 pessoas por ano no mundo.

Na categoria dos desastres naturais, tornados são perigosos especialmente onde são mais comuns, como na região do Meio-Oeste dos EUA, apelidada de “corredor dos tornados”.

Os tornados são o pior tipo de tempestade conhecido pelo homem. Eles acontecem quando uma coluna de ar que gira muito rápido se liga, ao mesmo tempo, a uma nuvem de chuva e ao solo. Estes fenômenos naturais, muito complexos e dificilmente previsíveis, são capazes de produzir ventos de mais de 500 km/h. Só em território americano, ocorrem cerca de mil tornados por ano, deixando uma média de 80 mortos e mais milhões de reais em danos.

No Brasil, a primavera e o outono são as estações dos tornados. Pesquisas comprovam que uma porção significativa das destruições atribuídas aos vendavais no sul, parte do sudeste e parte do centro-oeste são provocadas, na verdade, por tornados.


15 – Águas-vivas

Águas-vivas matam 40 pessoas por ano no mundo.

A água-viva possui tentáculos responsáveis pela produção do cisto, substância que, se colocada em contato com o homem, libera um veneno urticante que causa irritação, inchaço e vermelhidão na pele.

Existem mais de mil espécies de águas-vivas espalhadas pelo mundo, mas duas delas têm causado alguns problemas para os banhistas no litoral do Brasil, principalmente em São Paulo, como a Chiropsalmus quadrumanus e a Tamoya haplonema.

Porém, segundo biólogos, as espécies encontradas na costa brasileira são pouco perigosas e, até hoje, não existem relatos de contatos fatais entre esses animais marinhos e os seres humanos. Felizmente, as existentes no Brasil não estão entre as espécies que podem levar à morte, como as que habitam a Austrália, onde vários casos fatais foram registrados nos últimos anos.

Ainda assim, de vez em quando elas invadem nossas águas; no litoral paulista, durante o feriado de ano-novo entre 2007 e 2008, cerca de 300 pessoas sofreram queimaduras (alterações climáticas ou o desequilíbrio ambiental no habitat da espécie, incomum nessa época do ano, podem ter sido os principais fatores para a proliferação do animal na região). Esse ano, na mesma época, 50 pessoas foram queimadas no Piauí.


16 – Cachorros

Cachorros matam 30 pessoas por ano só nos Estados Unidos.

Cachorros podem se sentir vulneráveis, em perigo, e se defender. Apesar de serem os melhores amigos do homem, eles não são considerados racionais, e não é necessário ser um rottweiler ou um pitbull para atacar alguém.

Crianças são mais prováveis de morrer nas mãos de um animal. Isso porque elas não levam em consideração o perigo de se aproximar de um cachorro que não conhecem. Eles podem ser domesticados, mas ainda matam de vez em quando…


17 – Formigas

Formigas matam 30 pessoas por ano no mundo.

Elas são não tão inocentes quanto parecem. Nem seus amigos. As picadas de abelhas, de vespas, de vespões e de formigas são muito frequentes em muitos países; uma pessoa normal pode tolerar, sem problemas, 10 picadas por cada meio quilo de peso corporal. Isto significa que o adulto poderá suportar mais de 1000 picadas, enquanto 500 poderão matar uma criança.

No entanto, uma picada pode provocar a morte em virtude de uma reação anafilática em pessoas alérgicas. Em determinadas áreas, como o sul dos Estados Unidos, e sobretudo a zona do golfo do México, as formigas-vermelhas provocam milhares de picadas por ano e até 40% das pessoas que vivem em áreas urbanas infestadas podem ser picadas em várias alturas do ano. Foram atribuídas pelo menos 30 mortes às picadas destes insetos. Tá achando o que?


18 – Futebol americano

Jogos de futebol americano em escolas do ensino médio matam 20 pessoas por ano no mundo.

O futebol americano pode ser considerado perigoso e violento. Isso porque é um desporto de equipe e de contato que surgiu de uma variação do rugby e que exige velocidade, agilidade, capacidade tática e força bruta dos jogadores que se empurram, bloqueiam e perseguem uns aos outros (achou pouco?).

Apesar dos capacetes e das pesadas proteções que os jogadores usam em campo, lesões são comuns no futebol americano. Todos os anos morrem jogadores em resultado de lesões sofridas em jogos de todos os níveis. Centenas de traumatismos cranianos são registradas. Essas lesões sofridas são com frequência permanentes. E o esporte continua sendo um sucesso nos EUA… Felizmente (ou não, para quem gosta), no Brasil, o futebol americano é pouco praticado.


19 – Máquinas de venda automáticas

Máquinas automáticas de venda matam 13 por ano no mundo.

Isso mesmo senhoras e senhores. Tomem o caso de 1998, no Canadá, quando um garoto de 19 anos morreu esmagado debaixo de uma máquina de venda automática.

Quem nunca fez a mesma coisa? Pediu por um produto nessas máquinas, ele não veio, e resolveu chacoalhar, dentre outras técnicas, para tentar conseguir o que você pagou?

A única coisa é que a máquina caiu em cima dele e sua latinha de refrigerante nem sequer saiu.

Pior: já naquela época, um relatório afirmou que a derrubada de máquinas de venda automática causaram pelo menos 35 mortes e 140 feridos nos últimos 20 anos. Os pais do garoto processaram a Coca-Cola, de quem era a máquina que o garoto tentava sacudir, por “negligência grave”. E essas máquinas destrutivas continuam soltas por aí…


20. Montanhas russas

Montanhas russas matam 6 pessoas por ano no mundo.

Meu filho, todas as mães sabem que “esses brinquedos” não são confiáveis. Só de olhar, dá medo. Apesar de tudo, é muito difícil morrer numa montanha-russa. Mas tem gente que consegue.

Em junho desse ano, a Defesa Civil do Rio de Janeiro interditou totalmente o parque Terra Encantada, na Barra da Tijuca, depois de realizar uma vistoria e encontrar irregularidades em todos os brinquedos. Antes disso, a Polícia Civil já havia interditado, por tempo indeterminado, a montanha-russa de onde a ajudante de cozinha Heydiara Lemos Ribeiro, de 61 anos, caiu e morreu. Segurança não se vê em todos os lugares!

E nem é só isso. Em 2007, por exemplo, uma montanha-russa da Disneylândia de Paris foi fechada depois que uma espanhola de 14 anos morreu no brinquedo. A garota perdeu a consciência durante o passeio e os esforços para reavivá-la fracassaram. A morte pode ter sido causada por motivos de saúde, e não pelo brinquedo em questão. Tais brinquedos não são aconselháveis para mulheres grávidas, pessoas com problemas na coluna ou que apresentem antecedentes cardíacos. Não é pra qualquer um, não!



Tubarões matam apenas 5 pessoas por ano.

Aliás, eles sempre fazem manchetes por razões erradas. Na última terça-feira, um britânico, Ian Redmond, foi mortalmente atacado por um tubarão nas Ilhas Seychelles, no Oceano Índico.

Foi o segundo ataque fatal de tubarão na área só este mês. Os ataques de tubarão estão se tornando mais comuns, então?

De acordo com o Arquivo Internacional de Ataque de Tubarões (ISAF, na sigla em inglês), um programa executado por biólogos marinhos do Museu de História Natural da Flórida, o número de ataques de tubarão não provocados tem supostamente crescido.

Por exemplo, em 1900 havia, em todo o mundo, cerca de 20 ataques registrados não provocados por tubarões em pessoas. Isso subiu para cerca de 100 na década de 1940, passando a 500 na década de 1990. No princípio de 2000, esse número havia ultrapassado 650.

Mas, em muitos aspectos, esse dado é enganador. A ISAF, que tem melhor conjunto de dados atualmente sobre ataques de tubarão, diz que a lista crescente de ataques não provocados não significa que os tubarões começaram a gostar de seres humanos – o que certamente não vai ocorrer, já que nós não somos presas de nenhuma espécie, ou atacar-nos a uma taxa maior.

O fato se deve a maior atenção da mídia agora, que fala mais sobre os tubarões do que no passado. Também, no passado, não se registravam tanto os ataques.

A população humana cresceu rapidamente no século passado, o que significa que muito mais pessoas estão indo para a água, se engajando em atividades recreativas por períodos mais longos, que os colocam em estreita proximidade com os tubarões.

A Flórida sofre mais ataques de tubarão do que em qualquer lugar do mundo. De poucos em 1900 para 190 em 2000, os ataques se espelham quase exatamente no aumento do número de residentes humanos, de 1 milhão para mais de 16 milhões hoje.

Califórnia, Japão e Havaí mostram uma tendência semelhante. Na Austrália, não há mais ataques hoje do que havia em 1920, 1940 ou 1950, e na verdade muito menos do que na década de 1930 ou 1960, apesar de a população humana ter crescido de 4 milhões para mais de 18 milhões.

Outro dado interessante é que, enquanto os ataques registrados subiram a cada década, a proporção de pessoas que morrem como resultado caiu de forma consistente no mesmo período.

Em 1900, 0,6% dos ataques de tubarão foram fatais. Na década de 1960, isso caiu para abaixo de 0,2%, e hoje, menos de 0,1% das vítimas morrem como resultado de um ataque não provocado de tubarão.

Há muitas razões para este declínio: pranchas de surf modernas, equipamentos de mergulho melhores, instalações médicas melhores e atendimento muito mais rápido.

Identificar quais espécies atacam é mais difícil. Tubarões brancos levam mais culpa. Esta espécie, uma das mais predatórias dos tubarões, foi registrada por atacar 182 pessoas, matando 65.

O tubarão-tigre e o tubarão-touro tem estatísticas semelhantes, tendo ambos atacado cerca de 60 pessoas, cada espécie matando cerca de 25.

Mas as vítimas ou espectadores raramente são capazes de identificar com precisão as espécies de tubarão que realmente atacaram, o que não é surpreendente dado o estresse da situação. Mas isso significa que as estatísticas devem ser tratadas com cautela.

No entanto, o tubarão branco, tigre e touro são mesmo os “três grandes” do mundo do ataque de tubarão, porque são grandes espécies capazes de causar ferimentos graves a uma vítima, comumente encontradas em áreas onde os seres humanos entram na água. Além disso, seus dentes são projetados para cortar, e não para segurar.

Ainda assim, globalmente, a contagem de mortes de cada uma das espécies ainda é pequena, especialmente em relação ao grande número de interações humanas com esses animais.

Tubarões, ao que parece, não estão atacando as pessoas a uma taxa maior do que no passado. Apenas mais pessoas estão entrando na água com tubarões. E quanto mais frequentemente fazemos isso, maior a probabilidade de que ataques acontecerão – porque eles são animais desenhados geneticamente para se defenderem se sentem o perigo (e quem pode dizer que não somos um perigo?).




Aproveite e assine a Petição Pública para abolir a pesca de tubarão para obtenção de barbatanas: 70 milhões de animais são mortos anualmente. Os humanos é que são os predadores do tubarão.



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