domingo, 18 de dezembro de 2011

Ganhei o TOPBLOG 2011


Amigos,
acabo de conquistar o primeiro lugar na categoria sustentabilidade do maior prêmio da internet brasileira.
Esse blog pessoal, que surgiu como um hobby em alto mar nos meus tempos de embarcada, ficou em primeiro lugar na escolha do Júri Popular.
Não fui à premiação por não esperar que passaria do TOP3 e agora, me arrependo - teria sido um momento único.
Muito obrigada a todos que votaram, sem vocês teria sido impossível.

Link oficial com relação dos vencedores


Um grande abraço,
Carol

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Chemtrails - o rastro químico que está sendo jogado no ar




São 7 partes, a primeira está linkada acima.
Claro que vale a pena assistir até o final.
Se "O mundo segundo a Monsanto", "A Corporação", "O milagre de Gerson (Morrendo por não saber)" e "Ouro Azul, a guerra mundial pela água" não te deixaram completamente paranóico, "Chemtrails" vai conseguir, garanto.
Já imaginou se alguém (ou algum governo) decidir aspergir no ar por caças da Força Aérea substâncias tóxicas que controlariam o aumento populacional e ainda aumentam a temperatura, causando o efeito estufa, além de intoxicar a água?
Pior, defender essa teoria com centenas de documentos e testemunhos de cientistas?
Pois é, eu avisei que teoria da conspiração é pouco.


Mais informação:
75 livros sobre sustentabilidade
Dicionário básico do Aquecimento Global
Bolo´Bolo, a vida num mundo sem dinheiro
Ocupe o mundo, tudo é uma Zona Autônoma Temporária
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas no mundo

domingo, 4 de dezembro de 2011

Eu bebo sim!



Bebidas de festa, para celebrar em qualquer época do ano.

A maioria das pessoas não sabe, mas toda bebida pronta (mesmo orgânica) é crime de hidropirataria pois cada litro dessa bebida industrializada consome outros 5lts de água dos lençóis freáticos da região onde a fábrica se instalou.
Onde hoje há uma fábrica de refrigerantes, amanhã haverá uma área desertificada.
O produtor vende e lucra com a água das nascentes da região e retira suas instalações, quando aquela mesma região não interessa mais.
À população local sobra o desemprego, já que a fábrica foi embora, e um terreno erodido e desertificado, pois a fábrica vendeu sua água.
Pior, a empresa em questão recebe isenção fiscal para fazer tudo descrito acima, já que é gerador de empregos diretos e indiretos.
Existe inclusive um filme que trata desse escândalo: "Flow, por amor à água" e outro, um curta, muito didático que explica um problema decorrente: "A história da água engarrafada". Ambos imperdíveis, não deixe de assistir.
Aqui no Brasil, Hidropirataria: cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena

Sobre a cerveja... sim, as cervejarias estão acabando com os mananciais das regiões onde se instalam. Eu adoro cerveja, chope principalmente.

O problema sempre é o processo industrial, que massifica a produção.

A solução é recorrer às cervejas artesanais e caseiras, há muitas de qualidade superior. A Bélgica tem tradição, a Alemanha também, em especial as da região da Bavária, onde a cerveja, por ser feita de trigo, é considerada alimento - pão líquido - e pode ser consumida até em jejum, sem problemas com a polícia.

Cerveja já foi bebida medicinal, por ser fermentada e rica em nutrientes, mulheres que amamentavam deviam consumir logo pela manhã, a fim de aumentar a produção de leite. Foi o processo industrial e massificado que transformou uma tradição num produto cheio de produtos químicos e açúcar. Até hoje, os países europeus com tradição na bebida, são obrigados por leis medievais a seguir a fórmula à risca, para evitar que tais equívocos aconteçam.

Gastronomia em grego significa "regras do estômago", se é para se entorpecer (sem julgamentos de valor, sustentabilidade não combina com hipocrisia), que seja com produtos de boa qualidade. O meio ambiente e seu fígado agradecem, o segundo agradece logo no dia seguinte.

Abaixo, seguem algumas receitinhas adaptadas, mas nada impede que você adapte uma receita da sua família e faça o maior sucesso. A foto acima, de muitas capirinhas em infitas versões de frutas tropicais, não me deixa mentir - basta a fruta e a cachaça serem orgânicas e o açúcar substituído por melado ou rapadura. É ainda mais saboroso do que o convencional e olha que eu sou louca por caipirinha - a caipirinha de caju da foto acima inclusive me fez salivar.

Eu beberia os vinhos e champagnes biodinâmicos (ou orgânicos) sugeridos nas receitas abaixo puros e deixaria as sangrias e ponches serem feitos com kefir de suco de uva (roxa ou verde) em fermentação de 15 a 20 dias. Fica alcoólico e é mais barato do que os vinhos. Também deixaria muitas jarras de águas aromatizadas à mão, o pior inimigo da ressaca é a desidratação e muita gente bebe bebida alcóolica por pura sede, tendo outra coisa, fica mais fácil revezar.

Para não dizer que não falei de flores: se beber, não dirija. Entornou e está só? Chame um taxi ou durma no local, o que pode até ser mais interessante.





Limoncello Caseiro, adaptado de receita dos Chefs Erik Nako e Cristiano Lanna
10 limões sicilianos (ou tangerinas, para fazer o brasileiríssimo tangerinello)
1 litros de álcool de cereais 96% ou cachaça orgânica e vodka D.O.C.
800gr de rapadura ralada
1,6 litros de água
4 garrafas de vidro com capacidade de 750ml, vazias e esterelizadas
4 rolhas
Descasque os limões sem machucar, e coloque as cascas num recipiente de vidro que deve bem. Cubra com o álcool de deixe em local escuro por 1 mês para que a infusão pegue a cor e o aroma das cascas.
Faça um xarope com 1lt de água para 500gr de rapadura, ferva e deixe esfriar.
Coe o álcool que ficou reservado por 1 mês.
Dilua o álcool aromatizado com o xarope numa proporção de 250ml de álcool para 500ml de xarope por garrafa. Feche a garrafa com a rolha e deixe no congelador até a hr de servir.


Rosálio, adaptado de receita do Chef Nicola Giorgio
300gr de pétalas de rosas vermelhas cultivadas sem pesticidas
20gr de canela em pau
1/2 litro de álcool etílico 90
700gr de rapadura
250ml de água filtrada
Lave e fatie as pétalas finamente
Macere as pétalas com metade da rapadura. Junte o álcool e a canela em pau.
Coloque tudo em recipiente de vidro bem vedado e deixe no armário escuro por 18 dias.
Faça então um xarope com a água e o restante da rapadura, deixe esfriar.
Junte a infusão que estava descansando e misture bem.
Coloque de volta na garrafa e deixe descansando por mais 15 dias.
Coe o líquido até não sobrar resíduo algum. Deixe a bebida descansar no freezer por mais 1 semana e sirva bem gelado.


Amarula Caseiro, adaptado da querida Badá
1 copo de rapadura ralada
3 copos de leite de amêndoas ou castanha do Pará
2 col. sopa cheias de cacau ou alfarroba em pó
1 copo de vodka e cognac D.O.C. ou cachaça orgânica
Bata 1 copo de leite de amêndoas no liquidificador com o copo de rapadura até atingir ponto de leite condensado. Junte mais rapadura se necessário.
Misture todos os outros ingredientes na coqueteleira até formar um leite grosso e bem achocolatado.
Sirva em copinhos de dose única, shot.



Batida de coco (receita popular adaptada)
500 ml de leite de coco caseiro bem grosso e pedaçudo
2 xíc. de rapadura ralada
100gr de coco ralado (fino)
750ml de pinga cachaça orgânica
250ml de água gelada
Bata o leite de coco no liquidificador com a rapadura até atingir ponto de leite condensado. Junte mais rapadura se necessário.
Junte os demais ingrediente. Bata tudo no liquidificador


Batida de maracujá (receita popular adaptada)
1 xíc. de cachaça orgânica
2 xíc. de polpa de maracujá orgânico
2 xícaras de gelo picado
2 xíc. de rapadura ralada
1 xíc. de leite de coco ou de castanhas coado
Bata o leite de coco no liquidificador com a rapadura até atingir ponto de leite condensado. Junte mais rapadura se necessário.
Junte os demais ingrediente. Bata tudo no liquidificador


Sangria básica, adaptado de receita do Panelinha
(para fazer de vinho branco, use vinho branco biodinâmico ou kefir de suco de uva verde)
3 litros de kefir de uva com fermentação de 15 dias (para ficar mais alcóolico, use o dobro de rapadura e deixe por até 30 dias) ou a mesma quantidade de vinho tinto biodinâmico
2 maçãs ácidas em cubos
1 abacaxi em cubos
2 xíc. de uvas verdes fatiadas e descaroçadas (ou o equivalente em carambolas cortadas em rodelas)
1 limão tahiti ou siciliano em fatias finas
1 xíc. de suco de laranja
1 xíc. de suco de limão galeco
2 doses de cognac D.O.C. ou caçhaça orgânica (ou limoncello caseiro, mas nesse caso retire a xícara de suco de limão galego)
1/2 xíc. de melado ou rapadura


Piña Colada de "Malibu" de kefir (receita minha)
3 litros de kefir de leite de coco caseiro com fermentação de 15 dias (para ficar mais alcóolico, use o dobro de rapadura e deixe por até 30 dias)
2 abacaxis grandes em cubos (esprema as cascas para retirar o suco)
1 xíc. de melado ou rapadura
1 xíc. de cachaça orgânica ou rum D.O.C.


Ponche Colorido, adaptado de receita do Panelinha
1 1/2 xíc. de frutas vermelhas
2 xíc. de carambolas cortadas em rodelas
3 maçãs picadas
2 tangerinas em gomos cortados ao meio
4 xíc. de suco de laranja
2 garrafas de vinho branco biodinâmico (ou kefir de uva verde em fermentação de 15 dias)
2 doses de rum ou cachaça orgânica
2 xíc. de limoncello caseiro
2 xíc. de melado ou rapadura
750 ml de água com gás ou kefir


Ponche de abacaxi em champagne (receita minha)
2 abacaxis grandes em cubos (esprema as cascas para retirar o suco)
2 garrafas de vinho branco ou champagne biodinâmico (ou kefir de uva verde em fermentação de 15 dias)
1 xícara de melado ou rapadura
500ml de água com gás ou kefir


Ponche de vinho branco com especiarias e óleo de coco, adaptado de receita do Chef Felipe Lázaro
2 litro de vinho branco ou kefir de suco de uva verde em fermentação de 15 dias
4 xíc. suco de maçã
1 xíc. suco de laranja
raspas da casca de 1 laranja orgânica (esqueça as raspas se usar frutos de cultivo convencional)
1\4 xíc. melado
2 col. sopa de óleo coco
1 pau canela
1\4 col sob noz moscada
Leve a ferver por 5 minutos o suco de maçã, laranja, melado, óleo, canela, raspas e nos moscada.
Junte o vinho antes de servir
Decore com fatias de limão, uvas verdes fatiadas, paus de canela e rodelas de carambola


Bebida Crioula das Antilhas em coco e abacaxi, adaptada do livro "O melhor da Festa", de Sonia Hirsch
Suco de 1 abacaxi
suco de 1/2 limão
1/2 litro de leite de coco
melado de cana à gosto
raminhos de hortelã, gomos de abacaxi ou mesmo uma raspa de coco para enfeitar
Servir numa jarra com gelo
Deve ficar excelente com um bom rum, mas tem que ser bom, origem controlada.
Não vale o do supermercado em promoção, que todo mundo compra para molhar biscoito de pavê.



Festivas, mas sem álcool (dependendo da "calibragem" do cozinheiro):

Ginger Ale, adaptado de receita da FoodNetwork
1 xíc. de gengibre ralado
1/2 xíc. de sumo de limão galego ou siciliano
1/2 xíc. de rapadura ralada
1/2 xíc. de kefir intensivo com 2 col. sopa das sementes
2 litros de água a temperatura ambiente
1 pitada de sal
folhas de hortelã fresca
Misture tudo e deixe em pote de vidro alto e com tampa por 3 dias.
Depois dos 3 dias, armazene na geladeira
Coe na hora de servir e decore com folhas de hortelã


Chá gelado de romã com especiarias, adaptado de receita do livro de receitas contra o câncer do Mundo Verde
2 litros de água (pode ser feito com 1,5 lts de água e 500ml de água de rosas)
1/2 xícara de melado
2 pedaços de canela em pau
3 cravos da Índia
20 romãs maduras
Ferva a água com o melado e as especirias. Apague o fogo e deixe em infusão.
Esprema as romãs num pilão e junte ao caldo ainda quente.
Deixe esfriar, coe e sirva numa jarra de vidro enfeitada com rodelas de romãs e paus de canela


Refresco de uva com gengibre, adaptado de receita do livro de receitas contra o câncer do Mundo Verde
1 litro de água ou kefir de água
1 xíc. de melado
1 xíc de gengibre fatiado
500ml de suco de uva orgânico
Ferva o melado com o gengibre, deixe dissolver.
Espere esfriar um pouco, junte o suco de uva.
Espere esfriar, junte o kefir e sirva gelado


Aperitivo indiano de gengibre
Gengibre fresco ralado
Água gelada
Sumo de limão
Melado de cana
Misture tudo, coe e sirva em jarras enfeitadas com rodelas de limão e fatias de gengibre. Pode ser feito com caldo de cana no lugar da água com melado, mas compre seu caldo num local bem limpo, para evitar o "suco de barata" usual.


Outras opções:
Delícias geladas
Gazpacho Andaluz
Refrigerante caseiro
Águas aromatizadas
Limonada de limão galego em chá de capim limão
Caipirinha de limão galego com cachaça orgânica e melado de cana


Para as crianças: Refrescos de gelatina caseiraRefrigerante caseiro e Smoothies

Para adultos sem muita vergonha na cara: faça as receitas infantis acima trocando parte da água por cachaça orgânica ou vodka D.O.C. - O primeiro vira aquela caipirinha em gelatina que está na moda pela culinária molecular, mas que os adolescentes americanos já servem em copinho há anos, e o smoothie, outrora tão inocente, vira uma frozen.


Para quentão e vinho quente: Delícias Quentinhas


Mais informação:
Rapadura
Kefir e Iogurte
Leites vegetais x leite animal
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Mel de abelhas x melado de cana
Canela da China x Canela nacional batizada
Hidropirataria: cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Caviar doméstico e Ceviche Panamenho

Para as festas, em qualquer época do ano.

Eu adoro e compartilho:



Caviar de sagu de tapioca, adaptado de receita de Claude Troisgros para o "faux caviar" (caviar falso)
500gr de sagu
1/2 litro de shoyu
1 folha grande de algas marinhas (nori ou kombu)
sal, tabasco, azeite e melado de cana
Cozinhe o sagu em fogo baixo com a alga até ficar transparente, em 2 litros de água já fervendo.
Prove para ver se está cozido. Geralmente leva 20 min.
Peneire e lave bem o sagu em água corrente para retirar toda a fécula.
Coloque num pirex de vidro, cubra com 1/2 litro de shoyu e deixe na geladeira durante 24 horas no pirex tampado para não ressecar. O shoyu vai se incorporar ao sagu, tornando-o parecido com caviar.
Prove o sal e o tabasco. Regue com azeite para dar brilho e melado de cana, se necessário.
Pode ser servido com rodelas de limão, acompanhando torradas integrais, sobre carpaccio, salmão tártaro, sopas frias e quentes, como a sopa fria de pepino com iogurte de Bárbara Kingsolver ou o creme de cará da foto acima.
Quem consome peixe, pode fazer esse "caviar", cozinhando o sagu em caldo de peixe caseiro, feito a partir da cabeça do peixe.

Custo: R$10,00 (serve 20 pessoas)


Caviar caseiro de ovas de tainha
Ovas de tainha ou anchova lavadas com água e limão
Sal grosso
Forre uma tábua de madeira com sal grosso
Coloque as ovas sobre essa camada de sal
Cubra com mais sal grosso sem deixar nem um pedaço de fora
Coloque a tábua em plano inclinado para a água escorrer
Deixe por pelo menos 12 hrs no caso de ovas pequenas. Para ovas maiores, deixe 24hrs.
Lave numa peneira e reaproveite o sal em futuras receitas.
Abra as ovas com uma faca e sirva com torradas integrais caseiras de pão integral tostado com azeite e alecrim ou mesmo ornamentando a gelatina (mousse) de peixe feita a partir da cabeça do peixe, como linkado acima.

Custo: R$3,00 cada ova (serve 4 pessoas)


O passo a passo abaixo:




Ceviche Panamenho
Eu morei no Panamá, onde se come muito bem, foram meses de deleite que rendem boas receitas até hoje, como a canja com batata doce e o guacamole. Hoje, trago o ceviche, que lá é servido em qualquer lugar, mesmo os mais modestos e é a entrada mais tradicional do país. Me ensinou um amigo mulherengo que, indo às festas, não comesse o ceviche servido na entrada, nem tentasse nada com ninguém que tivesse comido, pois o hálito não fica dos melhores sem uma boa escovação.

O ceviche é uma forma de aproveitar restos de pescado que não são grandes e bonitos o bastante para virar um prato.

Receita básica:
2kgs de pescado (badejo, pargo, salmão, tilápia, lascas de bacalhau dessalgado, lula, polvo, camarão ou mexilhão)
1 col de sopa de sal marinho fino
1 cebola grande ralada
1 dente de alho espremido
1 1/2 xícara de suco de limão (tahiti, galego ou siciliano)
pimenta e cheiro verde (ou coentro) fresco picado
Fazendo de peixe, corte os filés em cubos pequenos.
Tempere com sal e armazene na geldeira tampado por 1 hr.
Junte todos os demais ingredientes e deixar tampado na geladeira por pelo menos 12hrs (o ideal é fazer de véspera).

Se fizer de frutos do mar (lula, polvo, camarão ou mexilhão), deixe marinar por 24hrs. Muita gente aproveita aquele camarão menorzinho, mais barato, para fazer ceviche.

Sirva em taças, acompanhando aipim frito, batata baroa ou inhame fritos em chips, além de todas as saladas, especialmente as de grãos, como trigo em grãos, trigo partido, feijão fradinho e grão de bico.
Regue com azeite aromatizado antes de servir, junte azeitonas, tomates, palmito de pupunha, picles caseiros, pimenta biquinho em conserva, manga verde em cubos e um pouco de ervas finas.

Na falta de qualquer acompanhamento, junte fatias de abacate no prato e sirva com um bom pão de milho bem quentinho, combina muito. No Peru, o ceviche vem acompanhado também de espigas de milho cozidas, já que são alimentos da tradição deles. A ideia é que o ceviche seja um acompanhamento, nunca a base da refeição.

Um canapé muito prático, saudável e bonito pode ser feito usando folhas de endívia ou radicio como base, uma pasta colorida, cremosa e não oleosa por cima (a maionese de cenoura por exemplo, ou um pedaço de abacate quase maduro) e uma colher de ceviche com ou sem caviar por cima de tudo. Uma delícia sofisticada que se coloca inteira na boca, dispensando talher.
Para fazer um ceviche vegetariano, troque os peixes e frutos do mar por cogumelos frescos ou previamente hidratados, uma combinação de shiitake, funghi porcinni e cogumelo Paris é o ideal.


 
 
A foto do caviar de sagu foi retirada do caderno Luxo do IG e a foto do ceviche foi retirada do site da revista Muito
 
 
 
Mais informação:
Picles caseiro
Você ainda come salmão?
Indústria pesqueira x pesca artesanal
Azeites orgânicos aromatizados em casa
Salada de trigo em grão com palmito de açaí
O mar não está para peixe: slow fish ou o fim da linha

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

No dia da votação do Código Florestal, entenda 10 consequências diretas do Aquecimento Global, 06 problemas causados pela perda da biodiversidade e 30 razões para preservarmos nossas florestas




 1 – Criando incêndios

Além de estar derretendo geleiras e criando furacões mais intensos, o aquecimento global também parece estar fomentando incêndios florestais nos Estados Unidos. Em estados do oeste, ao longo das últimas décadas, mais incêndios têm ocorrido, queimando mais área por longos períodos de tempo.

Cientistas têm relacionado as chamas desenfreadas com temperaturas mais quentes e derretimento precoce de gelo. Quando a primavera chega cedo e desencadeia um derretimento, áreas florestais tornam-se mais secas e permanecem assim por mais tempo, aumentando a chance de incêndios.


2 – Ruindo ruínas

Em todo o mundo, templos, assentamentos antigos e outros artefatos permanecem como monumentos do passado de civilizações, que até agora têm resistido ao teste do tempo.
Mas os efeitos imediatos do aquecimento global podem, finalmente, danificar locais insubstituíveis. Inundações atribuídas ao aquecimento global já danificaram um site de 600 anos, Sukhothai, que foi a capital de um reino tailandês.


3 – Montanhas maiores


Os Alpes e outras cadeias de montanhas sofreram um surto de crescimento gradual ao longo do século passado, graças ao derretimento das geleiras em cima delas. Por milhares de anos, o peso destes glaciares tem pressionado contra a superfície da Terra, fazendo com que as montanhas “diminuam”. Conforme as geleiras derretem, este peso é elevado. Como o aquecimento global aumenta o derretimento dessas geleiras, as montanhas estão “crescendo” mais rápido.


4 – Satélites mais rápidos


As emissões de dióxido de carbono têm efeitos que vão até o espaço. O ar na camada mais externa da atmosfera é muito fino, mesmo assim, as moléculas de ar criam um “arrasto” que torna os satélites mais lentos, exigindo que engenheiros periodicamente os impulsionem de volta para suas órbitas adequadas.
Mas a quantidade de dióxido de carbono lá em cima está aumentando. E, enquanto as moléculas de dióxido de carbono na atmosfera mais baixa liberam energia na forma de calor quando colidem, assim aquecendo o ar, as moléculas esparsas na alta atmosfera colidem com menor frequência e tendem a “dispersar” sua energia, resfriando o ar em torno delas; assim, o ar “se acomoda”, e a atmosfera menos densa cria menos arrasto.


5 – A prática da teoria de Darwin: os mais adaptados sobreviverão


Conforme o aquecimento global traz um início precoce da primavera, o pássaro adiantado é o que vai conseguir comida – e passar seus genes para a próxima geração. Como as plantas florescem no início do ano, os animais que esperam até seu tempo normal para migrar podem perder toda a comida. Aqueles que conseguirem redefinir seus relógios internos e partir mais cedo têm mais chances de ter filhotes que sobrevivam e, portanto, passar sua informação genética, mudando todo o perfil genético de sua população.


6 – Descongelamento do permafrost

Não apenas o aumento da temperatura do planeta está derretendo as geleiras, como também parece descongelar a camada de solo normalmente permanentemente congelada abaixo da superfície da terra.
Este degelo faz com que o terreno encolha de forma desigual, por isso poderia levar a buracos e danos a estruturas como ferrovias, rodovias e casas. Os efeitos desestabilizadores do derretimento do permafrost em altitudes elevadas, por exemplo nas montanhas, poderia até mesmo causar avalanches e deslizamentos de terra.
Descobertas recentes revelam a possibilidade de doenças há muito adormecidas, como a varíola, reemergirem juntamente com mortos, seus corpos descongelando na tundra, a serem descobertos pelo homem moderno.


7 – Desaparecimento de lagos


125 lagos no Ártico desapareceram nas últimas décadas, apoiando a ideia de que o aquecimento global está trabalhando diabolicamente rápido nos polos da Terra. O sumiço provavelmente tem a ver com o permafrost sob os lagos descongelados.
Quando o permafrost descongela, a água nos lagos pode escoar através do solo, drenando os lagos. E quando os lagos desaparecem, os ecossistemas que eles suportam também perdem a sua casa.


8 – O Ártico floresce


Enquanto o derretimento do gelo no Ártico poderia causar problemas para plantas e animais em baixas latitudes, também cria uma situação totalmente ensolarada para a vida no Ártico.
As plantas do Ártico geralmente permanecem presas no gelo durante a maior parte do ano. Mas hoje em dia, quando o gelo derrete mais cedo na primavera, as plantas parecem estar ansiosas para começar a crescer. A pesquisa encontrou níveis mais altos de clorofila (sinal indicador da fotossíntese) em solos modernos do que em solos antigos, mostrando um boom biológico no Ártico, nas últimas décadas.


9 – Mudança de habitat


Começando no início de 1900, nós sempre tivemos que olhar para um solo um pouco mais alto para encontrar ratos e esquilos.
Agora, pesquisadores descobriram que muitos desses animais foram transferidos para elevações maiores, possivelmente devido a mudanças no seu habitat provocadas pelo aquecimento global.
Alterações semelhantes de habitat também estão ameaçando espécies como os ursos polares do Ártico, conforme o gelo do mar em que habitam gradualmente derrete.


10 – Alergias piores


Ataques alérgicos piores últimos anos? Se sim, o aquecimento global pode ser parcialmente responsável. Ao longo das últimas décadas, mais e mais pessoas começaram a sofrer de alergias sazonais e asma. Embora as mudanças de estilo de vida e poluição em última instância deixem as pessoas mais vulneráveis aos alérgenos do ar, pesquisas mostram que os níveis mais elevados de dióxido de carbono e temperaturas mais elevadas associadas com o aquecimento global também estão desempenhando um papel em florescer plantas mais cedo e produzir mais pólen. Com mais alérgenos produzidos, a estação da alergia pode durar mais tempo.


















06 problemas causados pela perda da biodiversidade


1. Custo econômico da biodiversidade perdida
No topo da lista está o valor monetário da biodiversidade em todo o mundo. O ecossistema possui funções específicas, como: polinização, irrigação, recuperação do solo, entre outras coisas. Porém, com diversas áreas afetadas, a natureza não suporta exercer adequadamente todas estas atividades. O custo estimado por causa deste prejuízo natural varia de US$ 2 a 5 milhões por ano, em todo o mundo.

2. Segurança alimentar reduzida
A redução da biodiversidade não ocorre somente por meio do desmatamento ou da caça predatória. A introdução de novas espécies também aumenta a concorrência com os habitantes locais e, muitas vezes, leva populações nativas à extinção. Em grande parte do mundo isso ocorre em fazendas, com raças estrangeiras de gado sendo importadas, empurrando para fora os nativos.
Isto significa que a população mundial de gado é cada vez menor, e mais vulnerável a doenças, secas e mudanças climáticas.

3. Maior contato com doenças
A perda da biodiversidade tem dois impactos significativos na saúde humana e na propagação de doenças. Primeiro, ela aumenta o número de portadores de doenças animais nas populações locais. A mudança nos habitats, normalmente, torna as espécies infectadas mais comuns e faz com que elas prevaleçam sobre as espécies saudáveis.
Ao mesmo tempo, esta fragmentação nos habitats coloca os próprios seres humanos mais próximos do contato com os animais portadores de doenças.

4. Clima imprevisível
A previsão do tempo tem muito mais importância do que apenas influenciar a decisão por pegar ou não um guarda-chuva ao sair de casa. Os agricultores e os proprietários de áreas costeiras sabem muito bem o que isso significa. A mudança no tempo fora de época, condições meteorológicas extremas e as variações no clima podem causar grandes problemas, como a seca, deslocamento de pessoas e destruição de grandes áreas.

5. Perda de meios de subsistência
Manter os ecossistemas saudáveis é essencial para a manutenção da subsistência. Quando o oceano é afetado, por exemplo, comunidades inteiras que dependem dos recursos oferecidos por ele são afetadas. Em muitos casos, os próprios seres humanos podem ocasionar estes problemas, através da poluição, acidificação do oceano e pesca predatória, por exemplo.

6. Perder a vista natural
Além da importância da biodiversidade para a manutenção dos ecossistemas, ela influencia muito os seres humanos apenas por proporcionar belas paisagens. Imagine como é triste olhar pela janela e ver que não restou quase nada e que o pouco que ainda temos da natureza está sendo desmatado por nossas próprias mãos.



30 motivos para preservar as florestas do Brasil


  1. O Brasil abriga 20% de todas as espécies do planeta.
  2. O mundo perde 27.000 espécies por ano.
  3. A Amazônia ocupa metade do Brasil e abriga 2/3 de todo o remanescente florestal brasileiro atual.
  4. O Brasil detém 12% das reservas hídricas do planeta.
  5. Já perdemos cerca de 20% da Amazônia, o limite estabelecido pela lei.
  6. Na mata atlântica, bioma de mais longa ocupação no Brasil, 93% já foi perdido.
  7. Mesmo quase totalmente desmatado, ainda tem gente que ataca a mata atlântica: a taxa média de desmatamento de 2002 a 2008 foi equivalente a 45 mil campos de futebol por ano.
  8. Perdemos 48% do cerrado.
  9. Perdemos 45% da caatinga.
  10. Entre 2002 e 2008, a área destruída no cerrado foi equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol por ano. Na caatinga, a 300 mil campos.
  11. Perdemos 53% dos pampas.
  12. Entre 2002 a 2008 é equivalente a 4 mil campos de futebol por ano nos pampas.
  13. Perdemos 15% do Pantanal.
  14. Por ano, perde-se 713 km2 de Pantanal.
  15. Se mantivermos as taxas de desmatamento registradas até 2008 em todos os biomas, perderemos o equivalente a três Estados de São Paulo até 2030.
  16. O Brasil é o 4º maior emissor de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, principalmente porque desmatamos muito.
  17. 61% das nossas emissões vêm do desmatamento e queima de florestas nativas.
  18. A expansão pecuária na Amazônia é, sozinha, responsável por 5% das emissões de gases-estufa em todo o mundo.
  19. Mudanças climáticas impactam diretamente as cidades brasileiras. Catástrofes como os que vimos no Rio no início do ano serão comuns. Preservar as florestas ajuda a regular o clima e proteger as populações.
  20. Mudanças climáticas impactam diretamente a agricultura. A Embrapa, por exemplo, prevê desertificação do sertão nordestino e impacto nas principais commodities brasileiras, como soja e café; os mais pobres sofrem mais.
  21. Saltamos de uma taxa de 27 mil km2 de desmatamento na Amazônia em 2004 para menos de 7 mil em 2010. É possível zerar essa conta!
  22. Empresas que comercializam soja no Brasil são comprometidas, desde 2006, a não comprar de quem desmata na Amazônia. A produção não foi afetada e o mercado pede por produtos desvinculados da destruição da floresta.
  23. Os maiores frigoríficos brasileiros anunciaram em 2009 que não compram de quem desmata na Amazônia. O mercado não quer mais desmatamento.
  24. O Brasil pode dobrar sua área agrícola sem desmatar, ocupando áreas de pasto ou abandonadas.
  25. 60% da vegetação nativa do Brasil está contida nas reservas legais – instrumento de preservação do Código Florestal que os ruralistas tentam acabar.
  26. A pecuária ocupa cerca de 200 milhões de hectares, quase ¼ de todo o Brasil. Boi ocupa mais espaço que gente. E isso porque a produtividade da pecuária no Brasil é muito baixa: 1 boi por hectare. Dá para triplicar o rebanho sem desmatar.
  27. Um terço de todo o rebanho bovino brasileiro está na Amazônia, onde 80% da área desmatada é ocupada com bois. Ali há 22,4 milhões de hectares de pastagens abandonadas e degradadas, ou uma Grã-Bretanha, que poderiam ser reaproveitadas. Só não são porque derrubar é mais barato.
  28. Mais de 70% das espécies agrícolas cultivadas dependem de polinizadores, que por sua vez dependem da natureza em equilíbrio. A FAO calcula que esse serviço prestado pelos insetos é equivalente a € 150 bilhões (R$ 345 bilhões), ou 10% produto agrícola mundial.
  29. O Código Florestal surgiu em 1934 e foi renovado em 1965, por técnicos e engenheiros ligados ao Ministério da Agricultura. É uma lei nacional, feita para proteger os recursos naturais em benefício de todos. Ele precisa ser fortalecido em sua missão.
  30. Num cenário de desmatamento zero, a agricultura familiar teria tratamento diferenciado. Isso porque, a despeito de ocupar apenas 25% da área agrícola brasileira, é o real responsável por produzir a comida (70% do feijão, 58% do leite e metade do milho brasileiro vem da agricultura familiar) e por gerar emprego no campo (74% da mão de obra).







Mais informação:
Soja é desnecessário
Farra do Boi na Floresta Amazônica
O mito do reflorestamento de eucalipto
Dicionário básico do aquecimento global
Hidropirataria: cachaçaria certificada seca lagoa de reserva indígena
A sombra de um delírio verde: a saga da maior tribo indígena do Brasil para não perder suas terras para a produção de cana para biocombustível "verde"

domingo, 27 de novembro de 2011

Ciclovias x ciclofaixas


Para quem anda de bicicleta pela cidade, a presença de pedestres, corredores, carrinhos de bebê, cães e até motos nas ciclovias é um problema sério. Por outro lado, dividir a via pública com os motoristas é ainda pior. Na postagem linkada abaixo em "Mais informação", "Ciclovias x ciclofaixas", há uma foto de ciclovia daqui do Rio mostrando justamente que há de tudo nessa ciclovia: orelhão, árvore, pedestre... menos um ciclista.

A ciclovia não funciona bem mesmo em orlas de praia. Acredito que seja pior, já que os banhistas encaram aquela faixa contígua ao calçamento como uma extensão da calçada. Há casais que aproveitam para passear de mãos dadas justamente na divisa da ciclovia com a calçada, o homem (geralmente mais alto) na ciclovia (em nível mais baixo) e a moça do casal (mais baixa), na calçada (nivelada quase 1 palmo acima). Aproveitam o desnível para ficar da mesma altura.
Em alguns horários, é inclusive mais fácil pedalar no calçadão de pedra portuguesa do que na ciclovia apinhada de corredores, que aproveitam o asfalto liso.

Eu acredito que a ciclovia só funcione melhor do que a ciclofaixa em estradas e áreas rurais, onde a ciclofaixa pode ser confundida com acostamento e mais facilmente invadida, principalmente por motoristas alcoolizados ou que tenham dormido ao volante.

As ciclofaixas como na foto acima surgiram então como uma alternativa exclusiva ao ciclista urbano. Não é uma idéia muito original, apenas uma variação da faixa exclusiva para ônibus e caminhões devidamente adaptada.

A ciclofaixa de Curitiba foi batizada de Circuito Ciclístico. As faixas destinadas exclusivamente aos ciclistas são tradicionalmente pintadas no chão, mas na pista da esquerda da rota e, assim como nas ciclofaixas tradicionais (de lazer) em São Paulo, só funciona nos finais de semana e feriados.

Contudo, com a inauguração da ciclofaixa permanente de São Paulo no início do mês, a cidade agora conta com a opção de 3,3 km de ciclofaixas permantentes de segunda a segunda, onde antes era a Ciclorrota interligando os bairros na região de Moema e cabe principalmente aos motoristas o sucesso dessa inciativa, já que não há barreira física separando a ciclofaixa das pistas.
Ciclofaixa não é via expressa para motoboy ou estacionamento para carga e descarga.






Ciclovia na Rua Farani, no Rio. Moto, árvore, orelhão e hidrante no caminho, além do pedestre. É fácil entender porque não há bicicletas.


É indiscutível os benefícios do uso da bicicleta como meio de transporte, o que se discute é como integrá-la ao trânsito caótico das metrópoles brasileiras. Uma das opções é a adoção das ciclofaixas, uma solução barata e de fácil execução. Para quem não sabe, ciclofaixas são nada mais do que a oficialização do canto da rua - espaço que os ciclistas já tentam ocupar diariamente - como uma lugar para bicicletas. Em diversas cidades européias, apesar do frio, elas são realidade e permitem a mobilidade urbana com segurança.

O desafio no Brasil, porém, não é criá-las - tecnicamente apenas pintando o lado direito das ruas -, mas sim conscientizar os motoristas que aquele espaço pertence às bikes. No Rio de Janeiro, por exemplo, muitos pensam que lugar de bicicleta é na ciclovia. Essa percepção foi criada após a cidade adotar esta política como única solução; as ciclovias cariocas chegam ao extremo de passar por calçadas para não dividir espaço com os carros.

A ciclovia no Rio foi criada para servir ao lazer em espaços como orla da praia, Lagoa ou Aterro do Flamengo. Ao se pensar na bicicleta como meio de transporte, tentou-se expandir a ciclovia pra dentro da cidade, esbarrando na falta de espaço físico. Solucionar o problema ocupando as calçadas é perigoso e pouco prático, já que elas são estreitas e a preferência, claro, é do pedestre. No fim das contas não funciona, empurrando o ciclista novamente pra rua.

O erro está em pensar na ciclovia como única opção; ela deveria complementar a ciclofaixa onde o espaço urbano permitir. Ou se oficializa a bicicleta na rua, no seu espaço que é de direito, obedecendo as leis do trânsito, ou continuaremos convivendo com a insegurança para motoristas e ciclistas. Apenas a educação do motorista e a adoção da ciclofaixa permitirão o real uso da bicicleta como meio de transporte na cidade.

Bike lane em Edimburgo, na Escócia. A cidade é um exemplo de integração entre ciclovias e ciclofaixas.





Fonte: Cidades Possíveis




Abaixo, um vídeo do governo inglês educando a população sobre como o ciclista pode parecer invisível ao motorista convencional:











A foto ao lado é do protesto ocorrido na semana passada "Milionárias de bike". O termo “milionárias de bike” surgiu depois que uma comerciante de Moema, em entrevista, reclamou da rota para as bicicletas, questionando como suas “clientes milionárias” fariam para estacionar seus carros importados. “Você acha que minhas clientes vão andar de salto alto de bicicleta?”, argumentou, no início do mês. Como forma de protesto, algumas ciclistas pedalaram de salto alto.





Mais informação:
A automóvelcracia de Eduardo Galeano
Entre rios: o projeto de transporte fluvial de SP
Ascobike, o maior bicicletário das Américas logo ali em Mauá (SP)
Imagem do dia: 60 pessoas = 60 carros, 60 bicicletas ou 1 único ônibus
Asfalto ecológico de pneus ou com nanotecnologia para captar a energia solar ou capazes de eliminar a poluição
Prefeito entrega na Zona Oeste a maior ciclovia da cidade: 42km iluminados com postes de energia solar - meta é chegar aos 300km

Novo relatório do PNUMA fornece diretrizes para a redução da emissão global de carbono

Reduzir as emissões até 2020 a um nível que poderia manter o aumento da temperatura global em 2 graus Celsius durante o século XXI é tecnologicamente e economicamente viável, conforme estudo divulgado hoje (23/11) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).


Um maior investimento em energias renováveis, mudança de combustível e melhoria da eficiência energética, pode oferecer uma grande fatia dos cortes necessários. Outras medidas incluem melhorias setoriais que vão desde o aumento da penetração de transportes públicos até o uso de veículos mais eficientes em setores específicos, tais como agricultura e manejo de resíduos.

O relatório Bridging the Emissions Gap, lançado hoje, dias antes das negociações climáticas da ONU na África do Sul e sete meses antes da cúpula Rio+20, apresenta aos políticos ideias claras sobre como preencher a lacuna de emissões até 2020, fornecendo, assim, claros indicadores de que já existem as soluções para evitar grandes impactos decorrentes da mudança do clima.

O relatório cita a aviação e a navegação como casos especiais, já que atualmente essas “emissões internacionais" estão fora do Protocolo de Kyoto — o tratado de redução de emissões. Juntos, eles representam cerca de cinco por cento das emissões de C02 e poderia ser responsável por até 2,5 gigatoneladas (Gt) de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) anuais até 2020.

Bridging the Emissions Gap também descreve cenários mais pessimistas, caso os compromissos e as promessas dos países desenvolvidos, incluindo os níveis de financiamento no valor de US$100 bilhões por ano até 2020, e as intenções dos países em desenvolvimento, não forem plenamente realizadas, a lacuna em 2020 poderia ser de até 11 GtCO2e.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que "o novo relatório do PNUMA é uma contribuição vital para o esforço global para enfrentar os perigos da mudança do clima". Christiana Figueres, Secretária Executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, enfatizou a necessidade de maior ação: "Esse estudo nos lembra que os esforços para combater as alterações climáticas são ainda insuficientes", disse ela. "Mas também mostra que é possível que os governos preencham a lacuna entre o que prometeram e o que precisa ser feito para manter o aumento da temperatura global abaixo de dois graus Celsius", adicionou.

"O tempo é curto, por isso precisamos otimizar as ferramentas que temos em mãos. Na CoP 17, em Durban, os governos precisarão resolver o futuro imediato do Protocolo de Quioto, definir o caminho para um acordo global legalmente vinculante, lançar uma rede institucional para apoiar os países em desenvolvimento na sua resposta ao desafio das alterações climáticas, e definir um caminho para oferecer um financiamento a longo prazo que pague por isso", acrescentou.

Bridging the Gap é o segundo da série de relatórios do PNUMA sobre o tema. O primeiro – intitulado Emissions Gap Report — tornou-se uma referência nas negociações internacionais sobre o clima que aconteceram no ano passado em Cancún, México.

"Esse relatório coloca informações vitais nas mãos dos governos e formuladores de políticas, sobre maneiras de enfrentar o desafio da mudança climática", disse Achim Steiner, Diretor Executivo do PNUMA e Sub-Secretário Geral da ONU.

Bridging the Gap destaca a necessidade de mudanças reais no sistema energético, melhora da eficiência energética e aceleração da implementação de energias renováveis.

Especificamente, o estudo analisou 13 cenários de nove grupos científicos diferentes. Os cenários foram capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para atingir a meta de 2 graus até 2020.

Conclusões:
O relatório conclui que as autoridades poderiam restringir ou fechar a lacuna de emissões em 2020 por meio de:

• Um acordo para implementar os seus compromissos mais ambiciosos de redução de emissões com regras mais rigorosas para o cumprimento dessas promessas;

• Investimento em fontes de energia renovável e melhoria da eficiência energética;

• Estabelecimento de fortes políticas setoriais de longo prazo.



Para baixar o relatório: PNUMA.org


Mais informação:
Relatório Estado do Mundo 2010
Dicionário Básico do Aquecimento Global
Consumo de água x aumento da população urbana
Antropoceno, a era geológica em que o homem desregulou a Terra
Principais pontos do primeiro atlas ambiental para América Latina e Caribe
Greenpeace lança Atlas "Mar, petróleo e biodiversidade - A geografia do conflito"

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"

Essa é a frase que eu mais escuto.
Outro mito, acreditar que existam empregos exclusivamente "verdes".
Aliás, o que é um emprego verde?
Catador de papelão, coletor de latinha de alumínio, produtor orgânico, restaurador de móveis antigos, dono de sebo-brechó, cuidador de abrigo de cães, artesão de panela de barro...
Desanimou, né?


Recebi o email abaixo há algumas semanas e compartilho com vocês:

"Oi,
Te procurei porque gosto muito do seu blog, acompanho sempre e acho que você pode me ajudar com algumas questões. Sou formada em Relações Internacionais e trabalho com comércio exterior em uma grande empresa global de mineração há quase 3 anos. No entanto, como sempre quis trabalhar na área de Responsabilidade Social / Sustentabilidade decidi mudar de carreira e estou buscando me especializar nisso, portanto, queria saber se você conhece/indica o MBE de Economia e Gestão da Sustentabilidade da UFRJ ou o Gestão da Responsabilidade Social Corporativa da UFF.
Minhas questões seguem abaixo: 
Vi que você se formou em Engenharia Ambiental, mas não sei se tenho forças agora pra começar outra faculdade.
Como foi essa experiência pra você?
Você indica algum curso de extensão além destes dois que citei?
Quais são as empresas que você indicaria pra aplicar para emprego nessa área? 

Estou um pouco perdida, pois tenho muito interesse nessa área de atuação, mas não tenho experiência formal e nem formação nisso, além de trabalhos voluntários desenvolvidos em comunidades carentes e outros projetos e muita leitura sobre o assunto. Penso que não será muito fácil conseguir uma oportunidade de trabalho nesse momento, por isso quero me especializar no assunto. Bom, qualquer dica será de grande ajuda. Aguardo seu contato e agradeço desde já.

Bjs"


A minha resposta:

"Oi, na verdade, não sou Engenheira Ambiental. Sou Técnica em Segurança no Trabalho, certificada pela Bureau Veritas, CREA, ICN, Senai, IBP, FunCEFET... e mais alguns certificados cabíveis à área, que me levaram a Supervisora (de QSMS) em plataforma de petróleo.

Como coloquei no (perfil do) blog, sou graduanda em Engenharia. Fiz vestibular aos 34 anos, passei em primeiro lugar e hoje, aos 35, consegui cortar muitas matérias de minha antiga formação como Economista (nunca me formei), o que está reduzindo meu curso.

Ainda, larguei a carreira de Economista aos 26 anos para trabalhar com o que gostava, fotografia. Não deu certo, mas me mostrou que eu não seria feliz atrás de uma mesa e computador. Fui fazer escola técnica aos 31 anos para poder embarcar em plataforma, outra paixão.

Comecei a sentir falta do superior na área e aí, fiz esse vestibular há 1 ano. As coisas estão indo, não é fácil, mas 8hrs por dia no escritório é mais difícil para mim.

Eu, Carolina, não faria pós. Acho perda de tempo, mesmo na Coppe, USP, Unicamp e afins. Principalmente para quem já é mais velho e quer mudar radicalmente de área. Ir à campo, lecionar, etc...

Deixo a minha sugestão que pode até ser uma meta minha a longo prazo: faça um mestrado no exterior, se gosta de agroecologia, escreva aos caras da permacultura e veja onde é o maior pólo do planeta. Assine newsletters de tudo quanto é grupo do yahoo que discuta o assunto. Vá para lá como bolsita, dê um jeito. Se teu negócio é energia eólica, estude alemão até ser aceita por uma universidade de lá, eles são os líderes... E por aí, vai.... De qualquer maneira, o British Council no país todo tem um programa de mestrado na Inglaterra com bolsas auxílio excelentes.

Pós é perda de tempo na maioria dos casos, virou comércio e eu sinceramente, não acredito que 1 ano de aula aos sábados transforme ninguém. Você vai continuar distribuindo o mesmo currículo às mesmas empresas para os mesmos projetos, só vai ter o famoso "plus a mais". Mas é só a minha opinião, que sempre fui autodidata e, sem diploma nenhum, trabalhei nas maiores empresas do mundo.

Honestamente, você se sente motivada a ser especialista em Gestão Sustentável? Aliás, o que é isso? Deve ser uma turma multidisciplinar com engenheiro, advogado, administrador e ate médicos, discutindo banalidades que saem na coluna "verde" da (revista) Exame e do (jornal) Valor Econômico ao custo de um carro zero... Tô fora!

Não sei se tem marido, filhos, amores, financiamento na Caixa, etc... Eu (Carolina), quando quero uma coisa, largo tudo e vou atrás.
O único segredo do sucesso é não ter plano B.

Bjs e boa sorte"


Ela adorou, graças à Deus, fiquei preocupada em ter errado a mão e mexido com os brios da moça.




Então, você quer trabalhar com sustentabilidade.
É chique, engajado, pega bem e está pagando melhor do que freela.
O fato de você chegar a Gerente ou até Diretor de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) de qualquer empresa, mesmo a maior, não significa que trabalhe com sustentabilidade.
Significa sim que vai assinar relatórios intermináveis onde se menciona vagamente as boas práticas ambientais adotadas, quase um clipping para a imprensa.
Só que você conhece um cara que fez Arquitetura e hoje distribui cartões com sua especialização "Bioarquiteto". Eu adoro bioconstrução, na verdade, das 10 postagens mais populares daqui, 2 são exclusivamente sobre bioconstrução, ambas da série "A casa sustentável é mais barata".
Mas sejamos realistas, das obras que seu conhecido Bioarquiteto tem que pegar para sobreviver, em quantas ele realmente usa pelo menos uma ecotinta?

Claro que já existem construções inteiramente certificadas, onde há uma preocupação real em impactar o mínimo possível. E espero que, com o tempo, o Código Nacional da Construção Civil torne obrigatórias essas normas e padrões para qualquer edificação, por uma questão de sobrevivência da espécie.
Contudo, quantas construções certificadas você já visitou?
Será que não seria mais interessante reciclar as construções já existentes no lugar de colocar tudo abaixo para construir "verde", consumindo mais matéria-prima, energia e água?

Vou um pouco mais longe, o fato do banco campeão de reclamações no PROCON e processos judiciais construir suas sedes aplicando técnicas de reúso de água e aproveitamento de energia solar é sustentável ou só greenwashing?
Será que essa mesma instituição financeira não contou com isenção fiscal no final das contas e a placa solar é só uma "maquiadazinha" sugerida pelo pessoal de Relações Públicas?
As pessoas mais envolvidas com bioconstrução que conheço são os amigos da Sociedade do Sol, que ensinam a fazer placas de energia solar a R$35,00 cada placa capaz de aquecer 100lt. diários de água. O inventor do aquecedor solar de baixo custo não patenteou sua invenção para que um maior número de pessoas pudesse ser beneficiado.
Eu fiz uma dessas placas em 1 único dia e descrevo essa experiência revolucionária na postagem "A casa sustentável é mais barata - parte 15 (aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)".

Como trabalhei na área de petróleo, embarcada, e escrevi recentemente sobre a experiência na postagem "Para entender o vazamento da Chevron", vou falar um pouco da minha área:
A maior empresa do país é de petróleo e gás, todo mundo quer trabalhar nela e, não por um acaso, a empresa é a grande referência nacional em sustentabilidade.
O que é mais sustentável, uma mega empresa de petróleo ou a pequena empresa, que recolhe banners de outdoors para transformar em bolsas confeccionadas por presidiários (que saem do presídio após cumprir a pena, qualificados como costureiros), como a já citada aqui "Tem quem queira"?

Quando as pessoas entram nesse blog, acham que eu sou gestora de algum projeto sofisticado. Não sou, nem tenho o menor interesse em vir a ser. Tudo o que eu sei, foi aprendido em campo, debaixo de sol e chuva, ouvindo histórias de peão, marinheiro, mecânico e outras profissões menos valorizadas.
Na verdade, foi numa plataforma que vi como funciona uma dessalinizadora de água, a mesma que a gente bebia e usava para tomar banho (plataforma não tem água doce). Foi lá que eu vi como se separa água de óleo e principalmente, como o petróleo é extraído.
No meu primeiro embarque, fui obrigada a assistir a uma longa e enfadonha palestra proferida por um Biólogo. O mesmo defendia que a operação era 100% sustentável do ponto de vista ambiental, nos garantiu que não havia interferência na biota marinha.
Seis meses depois e alguns embarques mais íntima dos plataformistas (a peãozada), sentei para conversar sobre nossas vidas pessoais com um grupo de peões evangélicos muito respeitadores e bons maridos (mulher sozinha não pode bobear num lugar desses). Conversa vai, conversa vem e a verdade saiu: "Eu era pescador, sempre morei em vila de pescador. Meu pai pescava também e me ensinou tudo. Agora ninguém pesca mais, esses cabos que a gente arrasta, são carregados eletricamente e eletrocutaram os cardumes."
Ainda contrargumentei "Mas o Biólogo responsável não garantiu que não interferia?"
A resposta do pescador de 5 gerações valeu por toda uma faculdade de Biologia "Esse garoto não conhece o mar, a vista dele acaba na praia."

Na postagem "Os perigos do plástico para nossa vida", lembro que há alguns anos, trabalhei em projeto de Telecom e, conversando com os técnicos de campo, todos comentaram que a instalação de antenas de telefonia celular no topo de prédios não impactava na saúde das pessoas e eu mesma cheguei a ver pessoalmente que o amperímetro realmente marcava negativo um andar abaixo.
Ao longo do projeto e ganhando a confiança daquelas pessoas, todos confidenciaram ser pais de meninas, havia inclusive uma "lenda" no meio de que técnicos de Telecom "não sabiam fazer meninos".
O sexo de um bebê é definido pelo pai, que produz espermatozóides machos e fêmeas, e os espermatozóides machos, apesar de mais rápidos, são menos resistentes e consequentemente mais sensíveis à fatores externos. Trabalhar em campo, instalando antenas de telefonia celular, estava esterilizando os trabalhadores a longo prazo.
Toda aquela exposição, ainda que baixa, talvez tenha impactado na saúde dos trabalhadores.

Na postagem "Um país em obras", menciono que sou filha de arquiteto e que cresci vendo meu entorno ser modificado - morei em 17 lugares e nessas idas e vindas, vi um bairro se formar. Comento também que defendi a tese de fim de curso na Escola Técnica (em Segurança no Trabalho) num canteiro de obras. Visitei o canteiro da tal obra várias vezes, até para fotografar tudo e poder escrever à respeito. Com todo respeito, mas o único que realmente sabia o que estava acontecendo ali era o mestre de obras. A monografia foi dedicada à ele, que morreu acidentalmente antes da apresentação.
O Técnico em Segurança responsável também era bem informado (e muito safo), mas os 2 Engenheiros recém formados não tinham a mais vaga ideia do que se passava.
E a peãozada sabia de tudo, é claro. Sabiam até demais, para desespero dos 2 Engenheiros diga-se de passagem.

Assim como o pouco que eu conheço das madeiras brasileiras, algumas extintas, me foi ensinado por um marceneiro num galpão empoeirado. Como eu só comprei móveis antigos de madeira de lei em todas as minhas casas, precisava reformá-los, já que não os comprava restaurados (mais caros). Foram tantas reformas, que no final, já ligava para ele e dizia o que queria sem nem precisar mostrar. A gente começou a falar a mesma língua, a língua de quem mete a mão na serra, na lixadeira e no verniz. E ele entende muito de estilo, me dizia na maior naturalidade "uma aparadeira art decó fica melhor mais escura".

Recentemente, estive no Brejal, pólo agrícola do RJ onde está a maioria dos produtores orgânicos das feiras que frequento. Um dos produtores, S. Néia, atua no "negócio" há mais de 20 anos e seu caminhão é alugado. Sim, o caminhão usado para trazer seus produtos para vender na feira.
S. Néia, como a maioria de seus pares, ainda não conseguiu fazer um pé de meia para comprar seu próprio caminhão. Eu não conheço ninguém que trabalhe mais diretamente com sustentabilidade do que essas pessoas. Para ver as fotos da viagem, vá na postagem "Você já foi ao Brejal? Então vá!"


Em outra postagem, "Arte na carroça do catador de lixo", o artista que criou o projeto (considerado pela Veja como uma das 50 melhores coisas de SP), deixa algumas mensagens incômodas nas mesmas carroças, como por exemplo:
"Meu trabalho é honesto, e o seu?";
"Meu carro polui menos do que o seu." e a melhor de todas:
"Faço mais pelo meio ambiente do que o ministro."


Não existe emprego "verde". Existem empregos, bons ou ruins, depende do empregado, empregador e claro, da necessidade de ambos.
Sonia Orselli, blogueira amiga, seguia o meu blog quietinha. Leu a postagem "mel de abelhas x melado de cana" e, por ser saboneteira profissional, resolveu tentar "Quem sabe melado de cana não substitui o mel que eu uso nos meus sabonetes caseiros?".
Serviu e ela então deixou uma primeira mensagem justamente comentando seu feito, estava feliz, mandou sabonetes de presente quando o blog fez 2 anos. Maravilhosos obviamente.

Quando da venda do livro "Festa Vegetariana", impresso em papel reciclado (ponto para a SVB, que sempre trabalhou com sustentabilidade, antes mesmo de existir uma palavra para isso), uma leitora veio aqui em casa buscar seus exemplares.
Sentou numa cadeira com olhar baixo, murchinha e soltou a frase padrão "Eu queria trabalhar com sustentabilidade".
Perguntei o que ela fazia e a resposta foi igualmente padrão "Em ONG, faço pós em Gestão Ambiental".

ONGs. Todo mundo quer trabalhar no terceiro setor.
No terceiro setor e preferencialmente com sustentabilidade, é claro.
Que tal montar uma cooperativa de coletores de óleo de cozinha para fabricação de sabão biodegradável lá no terreno baldio do seu bairro?
Este é um ótimo exemplo de ONG voltada para a sustentabilidade: reciclagem e empregabilidade do exército reserva de mão de obra subqualificado. Mas não tem glamour algum, apesar de trazer mais resultados a curto, médio e longo prazo do que muitos projetos sociais.

Sobre as polêmicas ONGs, que andam queimadas após os incidentes nos Ministérios dos Esportes e Turismo, será que nós precisamos assim de tantas? O que aconteceu com a iniciativa que movia um simples grupo de pessoas a se reunir pelo bem comum?

Para encerrar, a mesma leitora do "Festa", que faz a pós em Gestão Ambiental e trabalha em ONG, me perguntou o que eu fazia para ser sustentável e eu respondi o mais sinceramente possível:
"Só compro móveis de segunda mão, como essa cadeira onde está sentada, minha roupa é de brechó, meu sapato de couro vegetal, minha comida preferencialmente orgânica. Os livros da estante foram comprados em sebo, eu nunca tive carro e, por gostar de cães, adotei e castrei os meus. Lá na área de serviço, a água é reutilizada e o lixo reciclado. Os produtos de higiene e limpeza são biodegradáveis... Eu faço tudo o que escrevo no blog, só isso."
Ela não sabia que existiam sapatos de couro vegetal no Brasil e se lamentou por orgânicos serem mais caros. Sugeri ler as postagens "Orgânicos podem ser mais baratos" e "Artigos de couro vegetal em lojas convencionais" e me despedi.

Semanas depois, recebi um email dela dizendo que no trabalho (a ONG) passavam por um aperto, já que não sabiam onde encontrar cooperativas de reciclagem na cidade. Não respondi, achei demais.



E por que uma foto do Eike Batista?
Ora, porque ele foi eleito o homem do ano em Sustentabilidade de 2010.
E a gente ainda vai acabar freguês da energia solar "dele", já que o mesmo acabou de firmar uma parceria com a GE na construção de uma usina solar comercial.



Parafraseando Sonia Hirsh, jornalista de formação, que mudou a maneira de 2 gerações de brasileiros comer e agora, traz luz à candidíase antes de qualquer médico: a sustentabilidade é subversiva porque não dá lucro à ninguém.



Mais informação:
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Reciclagem de edifícios
O lado B da energia eólica em larga escala
O mito das emissões de carbono neutralizadas
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
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Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã

domingo, 20 de novembro de 2011

Para entender o vazamento da Chevron no Rio de Janeiro

Aqui no blog, não é segredo que eu trabalhei embarcada. Nunca escrevi especificamente sobre isso, o que é uma falha, mas tampouco escondi. Agradeço muito por esse período da minha vida, moldou meu caráter e me ensinou lições que eu espero nunca esquecer, especialmente sobre sustentabilidade.
Mas essa vai ter que ficar para outro dia. Hoje, eu vou descer a lenha em termos bem técnicos. Vamos logo ao que interessa:

Só no Brasil, a maior empresa de Petróleo do país é referência ambiental e sustentável. Eu assisto aos comerciais na tv e tenho vontade de rir, mais parecem documentários da Fundação Cousteau ou da NatGeo, não se mostra nem óleo de soja fritando batata, quanto mais óleo mineral em estado bruto.

De uma vez por todas: não existe prospecção de petróleo "verde".

Aliás, não existe razão para continuar investindo em perfurar em alto mar, quando o combustível fóssil é emissor de CO2 e o próprio processo é altamente arriscado. As reservas não vão durar mais 100 anos e faz-se mais do que necessário partir para alternativas mais viáveis, por viáveis entende-se "limpas" e acessíveis a população. Se o barril de petróleo não está em alta e, em volume por litros, 1 litro de água mineral no supermercado é mais caro do que o litro individual do mesmo barril de petróleo negociado em bolsa, não seria mais inteligente tratar logo de implantar sistemas de captação de águas pluviais e reúso de águas cinzas em todo país ao invés de lavar calçadas com mangueiras em dia de chuva?

Todas as pessoas que conheci enquanto embarcava me perguntavam "Mas e aí, você já viu algum vazamento? Pode contar que a gente não espalha."
Eu sempre devolvi essa pergunta inocente com outra "Você já viu alguma praia onde tem marina ou porto ser limpa?" Onde tem barco, tem óleo e onde tem plataforma, tem muito óleo - é mais fácil me perguntar se algum dia não vazou pelo menos 1 filete de diesel.

Quem melhor descreveu minha indignação foi o pessoal do Ecodebate no artigo "Vazou petróleo? E qual a surpresa?"


Vamos aproveitar o ensejo para desmistificar outros pontos críticos:
1. O petróleo não é nosso. Nem meu, nem seu e menos ainda do governo estadual do RJ, ES, etc.
Se os tais royalties tivessem sido realmente usados para obras de benfeitoria ou pelo menos manutenção dos municípios outrora contemplados, Campos do Goytacazes e Macaé deveriam estar parecendo Dubai e Abu Dabi. Não estão, aliás mais parecem o Acre e o Piauí (com todo respeito aos acreanos e piauienses).
Macaé mal tem calçamento, o aeroporto consegue ser pior do que o de Cabo Frio (cidade de veraneio e balneário da classe B e C do R.J.) e a única rodoviária da cidade não tem sequer uma marquise, além de medir 50m2 e ser abrigo de mendigos e cercada por um camelódromo de muamba. 
Pior, a cidade alaga em qualquer chuvinha e o esgoto sobe, navegando livremente pelas ruas.
Essa que vos escreve já morou temporariamente por exatos 22 dias em Macaé, para fazer cursos de reciclagem na área, a cidade não tem sequer um cinema. Se sobram empregos em Macaé, é porque ninguém quer se mudar para lá, por dinheiro nenhum.
Atente que o município vizinho de Rio da Ostras, que não recebeu 1 centavo desses propalados royalties, se desenvolveu mais e de forma mais inteligente do que a favelizada Macaé. Rio das Ostras, que era outro balneário de segunda divisão, aproveitou que muita gente da área de petróleo não gostava de morar em Macaé e ofereceu loteamentos a preços baixos. A cidade cresceu a partir desses primeiros "petroleiros" que foram morar lá, perto da praia boa (e longe de Macaé). Hoje, acontece até Festival Anual de Jazz em Rio das Ostras. Sim, de jazz, não é micareta.

2. Segundo Rockfeller, fundador da Standard Oil e que entendia muito mais de capital e gestão do que essa blogueira modesta, que abandonou uma faculdade de Economia pela metade: “O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada; o segundo melhor é uma empresa de petróleo mal administrada".
Quando uma empresa de petróleo (pública ou privada) polui, quem limpa sua sujeira é o governo e quem administra o prejuízo a longo prazo é a população local. Numa empresa de petróleo, só quem sai ganhando são os acionistas. E se o governo é o principal acionista dessa empresa, como acontece no Brasil, não é contribuinte que recebe participação nos lucros e rendimentos aos final do exercício anual.



  

Obrigado pelo vazamento, Chevron 

O título é apenas uma versão mais radical do comportamento da imprensa brasileira, até agora, em relação ao vazamento de petróleo junto à plataforma de perfuração da Chevron-Texaco no Campo de frade, ao largo de campos, no Rio de Janeiro. Mesmo com a determinação da presidenta Dilma Rousseff para que fosse investigado, na sexta-feira, o assunto, quando não é ignorado pela mídia, é abordado em matérias que se parecem press-releases de um empresa que, além de demorar mais de 24 horas para tornar público o problema, chegou a dizer que o fenômeno era “natural e que, até agora, não deu infomações básicas sobre as circunstâncias do acidente.

Não deu, reconheça-se, porque aparentemente nenhum jornal o pediu.
Ao contrário, reproduzem assim os releases da companhia:
“Chevron mobiliza equipe global para conter vazamento”.Este é o título da matéria do Estadão, reproduzida pela Exame (Abril), enquanto o G1, do grupo Globo, destaca: Frota de 17 navios tenta controlar mancha após vazamento no RJ.
Para colaborar, este Tijolaço ajuda com uma lista de perguntas à empresa, que não foram feitas desde quarta feira passada.
1- A que profundidade (na lâmina d´água e no solo marinho)estava sendo feita a perfuração próxima ao vazamento?
2-Esta perfuração já tinha registrado depósitos  de óleo? A que profundidade?Em caso positivo, houve injeção de fluidos pressurizados para testes de vazão?
3- Até que profundidade o poço seria perfurado?
4- A perfuração era revestida e cimentada, como prevê o estudo de impacto ambiental apresentado pela companhia em seu plano de exploração?
5- O mesmo estudo, elaborado pela consultoria Ecologus, refere-se à presença de muitas falhas geológicas no campo de Frade, inclusive ao fato de três poços perfurados pela Chevron-Texaco terem sofrido desvios por conta de existência de fraturas no subsolo. Havia falhas geológicas detectadas junto a este poço nos estudos sísmicos efetuados?
6- Considerando que a empresa prevê a a perfuração em “batelada”,  onde os poços são perfurados até um determinado ponto, tampados e abandonados para perfuração de outro, próximo, para que todos estejam em etapas semelhantes e os custos sejam reduzidos, havia outras perfurações próxima, revestidas e tampadas, como prevê o estudo apresentado pela empresa ao Ibama?
7- Em que condições a plataforma Sedco 706, construída em 1976 e que já foi chamada pelo Wall Street Journal de obsoleta e aproveitável apenas como “motel marinho” foi reaproveitada no campo de Frade? Qual a razão de seu aluguel ser de US$ 315 mil dólares dia, cerca de 50% menor que o cobrado pelo aluguel de sondas ultraprofundas no mercado internacional? Porque a contratação de uma sonda capaz de perfurar até 7.600 metros, quando as ocorrências de óleo no Campo estão todas à metade desta profundidade?
8- Porque a empresa, que afirma ter detectado no fundo oceânico a “exsudação” de petróleo não libera as imagens do vazamento ou da mancha por ele provocada? Como foi estimada a quantidade de petróleo vazada?
9- A frota alegadamente enviada para deter o vazamento é composta de que embarcações? Qual a sua finalidade, apenas espalhar bóias de retenção? Aspergir diluidores sobre a mancha? Alguma delas tem equipamento para selar a fenda de onde brotaria o óleo? Em caso negativo, como a empresa espera que o vazamento cesse? Se ele pode parar naturalmente, isso tem relação com a paralisação dos trabalhos de perfuração?

Certamente estas e outras perguntas não foram feitas à Chevron por incompetência dos jornalistas, que as teriam feito – e muitas outras – se o poço fosse da Petrobras.

Mas, como é da Chevron, só falta nossos jornais, além de louvarem o esforço da empresa em parar um “desastre natural”. como chegou a dizer a empresa, agradecerem pelo acidente que mostra como a petroleira americana ainda nos faz o favor de tampar, embora não possamos apressá-la, não é?


A posição do Greenpeace:

Foi registrado na Bacia de Campos, um vazamento de cerca de 60 barris de petróleo da empresa Chevron Brasil, a 120 km da costa do Espírito Santo. Suspeita-se que o acidente, ocorrido no campo de Frade (próximo ao campo de Roncador, operado pela Petrobras), tenha sido causado por uma falha geológica. A petrolífera suspendeu temporariamente as atividades de perfuração e diz estar trabalhando na contenção do material. Ela afirma não acreditar que o óleo chegará à costa. Mas quem garante?

Segundo nota emitida pela empresa, a produção no campo não está relacionada com a mancha de óleo. Por isso, as atividades foram mantidas. Segundo uma fonte do setor, que teve acesso à notificação do acidente para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o volume vazado foi pequeno. Mas isso não quer dizer que seja menos danoso ao meio ambiente. A ANP está investigando o acidente.

A Chevron começou a produção no campo Frade em 2009. A companhia lidera a operação na área, que contém uma reserva estimada em 200 milhões a 300 milhões de barris de petróleo. A Petrobras tem uma fatia de 30% do campo. A porta-voz da Chevron Brasil, Heloisa Marcondes, afirmou que "O vazamento se deve a uma rachadura no solo do oceano. É um fenômeno natural". O que não é natural é o mal que esse tipo de vazamento causa à biodiversidade marinha e à população.


O vazamento poderia ser maior:

Vazamento da Chevron no Rio pode ser dez vezes maior do que o declarado
O Greenpeace lembra que a plataforma SEDOC 706 que perfura três poços da Chevron é da mesma empresa que estava a serviço da BP no Golfo do México, no pior vazamento de petróleo da história da exploração em alto mar. Leandra Gonçalves, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, questiona:“A causa ainda é desconhecida. A Chevron declara que o vazamento é resultado de uma falha natural na superfície do fundo do mar, e não no poço de produção no campo de Frade. Mas essa falha natural não aparecia no Estudo de Impacto Ambiental (EIA). O que aconteceu em Frade para a ‘falha natural’ começar a jorrar petróleo? Onde está o EIA de Frade, para que a população possa acessá-lo?”



O Brasil não está preparado para acidentes ambientais

O Brasil não está preparado para evitar ou conter vazamentos de petróleo: o investimento em tecnologia preventiva é exíguo e o Plano Nacional de Contingência, embora previsto em lei, nunca saiu do papel. Para especialistas, o derrame de óleo da americana Chevron deve servir como alerta para corrigir o despreparo, tanto de empresas como dos órgãos de controle, visando aos desafios do pré-sal.

— Governo e empresas têm dado ênfase na pesquisa de prospecção de petróleo e pouco se tem avançado no desenvolvimento de tecnologia preventiva. Precisamos de robôs, sensores e outros equipamentos que consigam identificar vazamentos com precisão, de modo a permitir uma rápida reposta — diz o historiador ambiental Aristides Soffiati, do núcleo de estudos socioambientais da UFF de Campos.
É preciso criar um comitê independente de diagnóstico

O vazamento da Chevron no campo do Frade, na Bacia de Campos, é um exemplo desse despreparo. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO que acompanham a investigação, o robô da empresa tinha capacidade limitada de atuação a uma profundidade de 1.200 metros. Por isso, ela teve de recorrer à Petrobras, sócia minoritária do Frade e operadora de um campo vizinho, para identificar a fonte do vazamento com precisão. Foi a estatal que emprestou à petrolífera americana equipamentos mais modernos para que ela pudesse pôr em prática seu plano de contenção.

O desencontro de informações sobre a extensão do vazamento — a Agência Nacional do Petróleo chegou a estimar que o derrame era cinco vezes maior que o divulgado pela Chevron — é outro indício de despreparo. Para Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, os órgãos reguladores devem ter um comitê independente de diagnóstico, para não depender dos números fornecidos pela empresa responsável pelo acidente.

— Não é preciso que a ANP ou o Ibama tenham os equipamentos de monitoramento. Mas eles devem eleger previamente uma empresa independente capaz de fazer o diagnóstico e acioná-la nesses casos — afirma Estefen.

Os especialistas esperam que o acidente da Chevron seja um divisor de águas para se avançar na regulação, num momento em que, com o pré-sal, o país caminha para a exploração em águas cada vez mais profundas. Eles lembram que a legislação brasileira de controle de poluição por óleo existente só foi desenhada a partir de um dos piores acidentes já registrados no Rio: o derrame de mais de um milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, após o rompimento de um oleoduto da Petrobras, em 2000.

Desde então, houve alguns avanços, reconhece a procuradora federal Telma Malheiros, que implementou e chefiou por quatro anos a coordenação de óleo e gás do Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental no setor. Um deles é a exigência de um Plano Emergencial Individual (PEI) — desenvolvido pela concessionária para cada unidade ou instalação — entre os pré-requisitos para obtenção da licença. O Plano Nacional de Contingência e a avaliação ambiental estratégica, no entanto, ficaram apenas no papel.

Pressão de empresas emperra fiscalização
O plano nacional, explica Telma, é um planejamento detalhado da atuação de cada um dos órgãos que devem ser envolvidos em caso de vazamento de óleo. Cabe à Marinha, por exemplo, interditar o tráfego de embarcações nos arredores do local do acidente. À ANP cabe o acompanhamento operacional da contenção. Os ministérios da Pesca e do Turismo, bem como o Ibama, também devem ter suas atuações detalhadas, pois o derrame pode comprometer a atividade pesqueira e turística. Um grupo de trabalho chegou a ser montado em 2010, após o mega-acidente da BP no Golfo do México, mas a inércia das autoridades impediu que ele fosse à frente.

Já a avaliação ambiental estratégica é o mapeamento das áreas segundo sua vulnerabilidade. Por meio dela, definem-se as áreas de exclusão e aquelas onde o controle deve ser mais rígido, devido à sensibilidade dos ecossistemas. Telma recorda que, recentemente, o Ibama indeferiu o licenciamento para exploração de petróleo em Abrolhos, requisitado pela Fairfield, e para exploração na Bacia de Camamu-Almada (BA), pedido pela americana El Paso. No primeiro caso por causa da importância ambiental do ecossistema. No segundo caso, por causa da relevância turística da região.

— Essas áreas não deveriam sequer terem sido licitadas pela ANP — diz Telma.

O biofísico José Luiz Bacelar Leão, que era consultor do Ibama na época em que a instituição estava desenhando o atual marco regulatório, frisa que as leis e decretos não saíram do papel "por falta de vontade política" e por pressão das empresas.

Investir em emergência é sempre uma despesa a mais. É tradição no nosso país evitar esse tipo de desembolso, e a ANP acaba trabalhando em prol das empresas.



Como o problema está sendo resolvido:

Chevron nega usar método ilegal para limpar vazamento no Rio
Acusada pelo secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, de estar usando jatos de areia para limpar a mancha de óleo vazado na bacia de Campos (RJ), o que seria ilegal, segundo a Polícia Federal, a petroleira americana Chevron negou que seus navios utilizem esta técnica.

Ela consiste em jogar areia sobre o óleo para que ela se misture a ele e, com o peso, o leve ao fundo do mar. "É como empurrar a sujeira para debaixo do tapete", disse o delegado da PF Fábio Scliar, responsável pelo caso. "É mais um crime ambiental."
A denúncia do secretário foi feita ontem, após ele sobrevoar a área para observar o vazamento e os trabalhos de contenção e limpeza.

Texto oficial da secretaria do Ambiente afirmou que "Minc pôde observar que seis navios realizavam jateamento de areia sobre a mancha de óleo para acelerar a sua dispersão mecânica".
Procurada pela Folha, a Chevron afirmou que os navios que estão fazendo a limpeza "não usam areia nem dispersantes para controlar a mancha".

"As embarcações empregam métodos aprovados pelo governo brasileiro, que incluem barreiras de contenção, 'skimming' [técnica para retirar o óleo da água] e técnicas de lavagem, para controlar, recolher e reduzir a mancha", disse a Chevron em comunicado oficial, no qual afirma também que já foram recolhidos "mais de 250 metros cúbicos de água oleosa".

De acordo com a multinacional, 18 navios estão tentando conter a mancha de óleo e não permitir que ela se espalhe. Oito seriam são da própria Chevron e outros 10 cedidos pela Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell.



O Histórico do quadro:

O caso não é o primeiro incidente do gênero no Brasil. A história da indústria petroleira no Brasil guarda em sua história tragédias como a explosão da plataforma P-36, da Petrobras, em março de 2001, que deixou 11 mortos, e um duto que se rompeu na Baía da Guanabara e despejou 1,3 milhão de litros de petróleo em janeiro de 2000.
Se comparado ao vazamento ocorrido em uma plataforma da BP no Golfo do México, no ano passado, o caso do Campo de Frade é de pequenas proporções. "Mesmo assim é preocupante. Acidentes na cadeia de petróleo sempre causam impacto”, diz o ambientalista Carlos Bocuhy. Um detalhe que une os dois casos, porém, é que tanto BP quanto Chevron contrataram a mesma empresa terceirizada para a perfuração de poços, a Transocean.



Chevron assume a responsabilidade: Vazamento na Bacia de Campos ainda não cessou e Minc quer descredenciar a Transocean

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou neste domingo (20) que ainda continua o vazamento de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Norte Fluminense. A petroleira americana Chevron já assumiu a responsabilidade pelo acidente e declarou que o vazamento foi provocado por um erro de cálculo.

A Chevron diz que o vazamento está em fase residual, e que até a noite deste domingo já havia sido retirado 385 metros cúbicos de água com óleo.

A ANP afirmou que, “com base na análise de hoje [domingo] dos filmes do ROV do dia 19/11 e informações do Comandante da Marinha embarcado no Skandi Salvador, que monitorou 400 m de fissura hoje pela manhã, pode-se afirmar que a vazamento ainda não cessou em alguns pontos. A mancha de óleo continua se afastando da costa”.

O Secretário de Meio Ambiente do estado do Rio, Carlos Minc, relembrou que a Transocean também foi a empresa contratada pela British Petroleum, quando houve o derramamento de óleo no Golfo do México, em 2010. O G1 não conseguiu um contato com a empresa Transocean para ouvi-la a respeito das declarações do secretário Minc.

A Chevron também é investigada sobre as técnicas utilizadas para a remoção da mancha, que segundo denúncias, não seriam adequadas. Por meio de nota, a companhia informou que “as embarcações empregam métodos aprovados pelo governo brasileiro, que incluem barreiras de contenção, skimming e técnicas de lavagem, para controlar, recolher e reduzir a mancha. As embarcações já recolheram mais de 250 metros cúbicos de água oleosa proveniente da mancha. Os barcos não usam areia nem dispersantes para controlar a mancha”

A Polícia Federal já instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades da Chevron no vazamento e na retirada do óleo na Bacia de Campos. Na segunda-feira (21), Carlos Minc vai se encontrar com o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico (Delemaph), responsável pelas investigações do caso.

A empresa pode ser indiciada por crime ambiental duas vezes, caso fiquem comprovados a responsabilidade no vazamento de óleo e o uso de técnicas que agridem o meio ambiente, na remoção da mancha. Fábio Scliar detalhou que a pena para este tipo de crime pode ser a proibição da empresa de participar de licitações de áreas do pré-sal nos próximos cinco anos, além de reclusão de 1 a 4 anos.




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A Transocean, empresa proprietária da plataforma petrolífera que explodiu e originou uma maré negra no Golfo do México no ano passado, decidiu recompensar os seus dirigentes com aumentos salariais e prêmios, depois de considerar 2010 o seu “melhor ano” em questões de segurança.