sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Sul é o meu país


O Sul foi o meu país nos últimos meses, por força do trabalho como auditora, fiquei mais lá do que em casa e gostei tanto de tudo, que só trago boas recordações. Não voltava na região há mais de 10 anos e descobri que estava com saudades do que nem lembrava.
Deus sabe o que faz, tive que sair na véspera de três passagens da tocha olímpica em SC - Criciúma, Blumenau e Floripa. A vontade de apagar a extintoradas de CO2 seria irresistível e meus alunos acabariam me vendo algemada no Jornal Nacional. Não dá.

Os dias em que passei em Curitiba, choveram sem parar. Estava um gelo ainda por cima.
Não me animei a fotografar nada, só o que trouxe e curti fora do vento rascante. E fotos de viagem só interessam a quem foi, o Google (como o Tripadvisor) está aí para isso.







Capela Santa Maria, antiga Igreja Católica reformada para abrigar sala de concertos moderna. É a sede da Orquestra de Câmara Curitibana. Imperdível, pouco badalado, esquecido pelos guias e as apresentações são memoráveis. Em frente, fica o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, também cheio de exposições e apresentações musicais mais populares. Dessa vez, dei a sorte de encontrar uma imensa mostra de fotografias feitas por dois membros da família real brasileira entusiastas da fotografia, D. Pedro II e D. João de Orleans e Bragança, fotos feitas com mais de um século de diferença.



Ópera de Arame e a Universidade Livre do Meio Ambiente, ambos encravados em pedreiras com lagos oníricos ao redor. A Estufa e o Jardim Sensorial do Jardim Botânico, Olho do Niemeyer e claro, o Largo da Ordem. Por tudo, pela arquitetura colonial em ladeiras de paralelepípedo, pela linda Mesquita Muçulmana aberta à visitação e pelo Museu Paranaense. Pelos bares e restaurantes informais sempre com música da boa, pela feirinha de Domingo de onde trouxe as camisetas de algodão orgânico abaixo da Econtexto, R$50,00 a dupla na promoção, vieram na sacolinha de tecido, linda e reutilizável.
A pinha é arte do Poty Lazarotto, artista local, autor da fachada do Teatro Guaíra.


























Em frente à lateral das bilheterias do Teatro Guaíra, há uma calçada com 3 lojas ótimas e contíguas, de onde trouxe delícias. A lojinha de produtos naturais japonesa de perfil macrobiótico, de onde trouxe esse preparado para bolo natural em camadas da foto abaixo. Um café moderno e charmoso de esquina, onde tomei o melhor mate caseiro batido com limão da minha vida, espumante e servido numa taça imensa pelo preço do refrigerante em lata. E um estabelecimento recente e muito simples, quase uma portinha, a Queijaria do João. O João é um rapaz jovem, que entende tudo de queijo e te obriga a provar todos os queijos que vende, é a versão queijeira do chapeleiro maluco, um amor de pessoa e claro, apaixonado por queijo. Estava eu na lojinha dele, empanzinada lá pela milésima prova, quando entra um rapaz de origem japonesa tão jovem quanto o João. Como numa cena de filme antigo passado em cidade pequena, carregava um cesto de vime cheio de pães caseiros, broas de centeio que cheiravam de longe. João me obrigou a comer do pão também, é óbvio. Tive que brigar para não levar meia broa na mala, que ainda ia à trabalho para o interior do Estado. O rapaz padeiro apresentou-se, é da Padaria Maçã, que produz e entrega pela cidade pães caseiros de fermentação natural em farinha orgânica. Divino. Morasse em Curitiba e não comeria outro. Não dá vontade de passar nada nele, nem manteiga.
Trouxe do João, um queijo de Minas curado da Serra do Salitre e não consigo parar de comer, estou comendo puro de tão bom. Gostei mais do que o da Serra da Canastra na minha modesta opinião de amadora.

O bolo de banana integral  comprado no japonês macrobiótico, assado bem baixinho, como brownie (bati tudo no liquidificador para não morder passas e castanhas), acompanhando o queijo de Minas da Serra do Salitre comprado no João. Esse bolo lembra muito o panetone integral de banana que pode ser feito em batata doce, abóbora ou inhame, antigo aqui no blog. A embalagem sugere 3 bananas, 3 ovos, 1 xíc. de óleo e 2 col. de fermento para bater com os secos (aveia, gérmen de trigo, mascavo, coco ralado, passas e castanhas). Achei farelo demais e aumentei a proporção para 4 bananas, 4 ovos e 1,5 xíc. de azeite. temperei com cravo e canela em pó. Não medi o fermento, usei um sachê individual (equivale às 2 col. sobremesa sugeridas).








O segundo andar do Mercado Municipal. O primeiro também é maravilhoso, como o de SP, mas o segundo é praticamente todo orgânico. Há inclusive um restaurante 100% orgânico a quilo pelo mesmo preço dos convencionais, Restaurante Ohana de família japonesa, lojas de roupas e cosméticos orgânicos, lanchonetes que servem de tudo orgânico, até coxinha de frango orgânico desfiadinho em massa de farinha de trigo refinada orgânica e frita em óleo de soja orgânico e um açougue completo só de carnes orgânicas.







Eu gosto tanto do Mercado Municipal de Curitiba que, quando na cidade, procuro dar um pulinho quase todos os dias. Dessa vez, além dos almoços orgânicos da foto acima, tomei um café anarquista numa adega com luminárias de garrafas de vinho reciclado. O Restaurante Anarco, cuja marca de cafés licenciados homenageia a Colônia Cecília, em função de sua proprietária ser neta de membros dessa colônia agrícola socialista considerada o marco inicial de todos os movimentos sociais brasileiros. Os pais de Zélia Gattai chegaram a morar nessa colônia autogerida, quando fugiram expulsos pelo Governo e vieram ter sua filha mais nova (e famosa) em São Paulo. Parece que uma irmã dela morreu de fome na estrada a caminho, como o mesmo se passou com os filhos de outros colonos, que relatavam os enterros dessas crianças aos pés das árvores pelas estradas. Houve algo assim, seria preciso confirmar nas memórias dela, "Anarquistas, Graças a Deus" ou nas de seu segundo marido com quem viveu no exílio, Jorge Amado, em "Navegação de Cabotagem". Dois livros inesquecíveis.
Trouxe de Mercado Municipal de Curitiba, além dos cafés anarquistas, mirtilo desidratado orgânico a granel de uma lojinha do segundo andar, virou crumble com maçã em farinha de milho flocada.




























E não esqueça de tomar um chope no Stuart, é o bar mais antigo em funcionamento no Paraná. Não dá vontade de sair de lá.










Para pensar, escrito na parede de um banheiro público da Rua 24hs, que não abre mais 24hs.






Sororidade: Nos ensinam, desde meninas, que somos concorrentes, pois unidas somos fortes demais. Mulheres não são inimigas. Mulheres são irmãs!















De Floripa, cultuada pelas Townhouses e Beach Clubs do Jurerê, pelas baladas e pelo footing nos shoppings caros. Eu abro mão disso tudo para ficar com a simplicidade de meia dúzia de lugares:

Praia da Armação, a mais linda de todas na minha opinião, ainda mais bonita por ser deserta e encravada numa vila isolada de pescadores. Restinga preservada com as suculentas em flor, sem risco de depredação por ressacas, redes de pesca secando ao vento da tarde, caminhos em pedra e barquinhos de pesca.














O mangue na beira da rodovia, com sua pista de acesso e visitação em decks de madeira. Desça nas 3 pontes e siga a pé, se tiver sorte os pescadores estarão tarrafeando e estirando suas redes ao lado. Por que a Barra da Tijuca aqui no Rio não é assim?






Projeto Tamar, perto do Parque Municipal do Rio Vermelho








O Mercado Municipal de Florianópolis, além de todo hortifruti, com suas barracas de pescado e restaurantes maravilhosos a preços justos. Uma pena ver que parte das lojas está virando quase um camelódromo de 1,99. Nada a ver. Uma boa seria manter a tradição gastronômica-boêmia como em Puerto Madero e no Pier 17, além do próprio Mercado Municipal de Itajaí, que é totalmente gastronômico e típico, com um perfil pesqueiro como a cidade.
Do Mercado Municipal de Floripa: a obsessão local pela tainha com suas ovas e frutos de quatro microclimas brasileiros: pinhão, cupuaçu, cacau e graviola.























Às sextas, a feira livre local é bem ao lado do Mercado Municipal de Floripa e muito boa, dessa vez trouxe costela defumada caseira, linguiça de Blumenau (tombada como patrimônio) e um dos melhores pães que já comi, caseiro, de cará em farinha de milho à moda dos colonos alemães. No interior do ES, mais precisamente em Domingos Martins, também de colonização alemã, fazem igual e as versões com adição de batata doce são ainda melhores.
O pão na foto abaixo, na cozinha daqui de casa no Rio, acompanhado de outra tradição também comum em Domingos Martins, ES: nata de manteiga, é uma manteiga feita a partir do creme de leite fresco e não do leite puro. Muito mais suave. Nunca vi para vender aqui no Rio. Comprei das duas marcas no dia do meu voo de volta e trouxe na mala rezando para ter teto nos aeroportos - ambas catarinenses, de Biguaçu e Rio Fortuna.

































Restaurante Oliveira na beira da Lagoa da Conceição. Desde 1961, servindo comida portuguesa de primeira. Na foto, tainha com pirão e a vista da Lagoa.








O Trapiche da Praia de Canasvieiras para embarcar direto para a Unidade de Conservação Ilha do Arvoredo uma das duas Reservas Biológicas Marinhas Brasileiras, point de mergulho obrigatório. Nada a ver com aqueles passeios medonhos em escunas travestidas de navio pirata com direito a um sujeito fantasiado de Jack Sparrow. Em pleno domingo de manhã, eu fui mergulhar nessa ilha que já está em mar aberto e morri de frio, a água estava um gelo e a operadora de mergulho não era das melhores. Tive medo do meu pé congelar e cair duro gangrenado, mas vi mais golfinhos do que em qualquer atração do Sea World, compensou por esse lado.




Florianópolis também tem a maior concentração de brechós por metro quadrado que eu já vi, o consumismo de suas vaidosas moradoras deve abastecer esse comércio informal. À toa, quase todos os homens locais com quem conversei, reclamavam de solidão. Vai ver que as mulheres atualmente nem se arrumam mais para os homens, mas umas para as outras...
Na mesma rua na Lagoa da Conceição, eu encontrei dois brechós maravilhosos, onde comprei as lindas roupas abaixo por R$40,00 cada peça em média.









Para não reclamarem que eu implico com Jurerê.






Pelo interior adentro:

A RPPN mais impressionante da qual já ouvi falar: Rota das 14 cachoeiras em Corupá, SC.
Uma reserva de Mata Atlântica totalmente preservada por mais de um milhão de hectares, onde o visitante sobe um encarpado de morros através de escadas rústicas e decks de madeira completamente seguros, sinalizados e que levam sem qualquer chance de se perder pelo caminho, a 14 quedas d´água monumentais. Tem que ter perna para subir (e descer na sequência), são 2.500m de altitude montanha acima, mas vale muito a pena.
A dica foi dos proprietários do Green Beats Choperia, o único local aberto na noite em que cheguei. Clima de balada, comida mexicana, lanches americanos imensos e muita cerveja importada. Uma surpresa.




Voltando das cachoeiras, peguei carona com um casal simpaticíssimo, Anthony e Simone, me levaram para conhecer outro lugar lindo, um antigo Seminário Católico, que abre os jardins e organiza eventos públicos em seu interior. Ainda me ciceronearam um bocado. Fofos demais.
Corupá também tem dois hotéis ótimos - Vila Ecológica, uma ecopousada simples e barata no centro da cidade, onde antes funcionou o primeiro supermercado da cidade, tem cara de galpão antigo e é muito charmoso, decorada como um pub com toques de surf. E o principal hotel da cidade, Tureck Garten, um complexo de chalés com horta orgânica, que abre para almoços.
Corupá é a capital catarinense da banana, para proteger da geada e das pragas, as bananas são cobertas cacho a cacho.























Blumenau, que é o centro de toda essa indústria (têxtil, o segundo maior empregador do país - atrás apenas da construção civil) e onde eu não ia há 20 anos, tem um dos Parques Urbanos mais interessantes que já conheci: O Parque Municipal São Francisco de Assis, atrás do Shopping principal. Uma minifloresta urbana cercada de 23ha de Mata Atlântica preservada. Você ouve os sinos da Catedral de São Paulo Apóstolo no quarteirão ao lado, mas como a mata é muito fechada, não se vê nem os aviões do espaço aéreo.
Olho vivo, o Parque é bem sinalizado, mas peca em um único e importantíssimo item, as placas dizem tudo, até hábitos dos micos e época de florada das bromélias, menos onde fica justamente a saída.
Eu não morro de amores pela Vila Germânica, acho Disney demais e fora da Oktober Fest não tem muita função, mas a Cervejaria Eisenbahn é realmente bacana. Acabei trazendo um queijo fundido de Pomerode, SC - mania local. As bolachinhas orgânicas são o lanche atual da Gol Linhas Aéreas. Foi meu jantar no dia em que cheguei em casa, roxa de fome e com a geladeira vazia.











Brusque, que é a meca da malharia do Vale do Itajaí não fez minha cabeça. Não sou consumista, fui na FIP (espécie de outlet local com mais de 200 lojas) e voltei de mãos abanando mesmo sabendo que a indústria têxtil catarinense tradicionalmente não emprega crianças nem imigrantes irregulares, cumpre todas as normas ambientais e de segurança, sendo ainda o principal motor da economia local (que não atravessa crise, apesar de enfrentar concorrência chinesa). Para falar a verdade, eu fico meio agoniada em outlets, feirões e afins, me dá vontade de sair correndo.
Ao menos, encontrei em promoção pela metade do preço numa loja comum do centro da cidade a jaqueta de couro dos meus sonhos: sintética, corte clássico de motoqueiro e... vinho!






Tive a sorte de tomar um táxi cujo motorista, já bem senhor, era o Presidente da Associação de taxistas da região. Contou-me que, na época dele de rapaz, os pais colocavam os filhos para trabalhar em tecelagens aos 14 anos. Tanto ele, quanto o irmão, aposentaram-se normalmente aos 39, após 25 anos ininterruptos de serviços prestados em fábricas com periculosidade dentro da CLT. Então, esses homens partiam para outros negócios e assim, complementavam suas aposentadorias. Hoje, isso não acontece mais, as grandes tecelagens sequer existem e a maior parte das facções e confecções trabalha em terceirização para as grandes malharias e lojas de departamento do país que, muitas vezes, não produzem nada, apenas revendem. Com a concorrência de marcas licenciadas, até as facções de fundo de quintal estão tendo que se profissionalizar e até certificar. Os tempos mudaram, mas a legislação que tributa esses micro empresários, é a mesma dos tempos do apito da fábrica da Hering e prejudica muito a contratação de mais mão de obra local e expansão dos negócios.


Brusque tem é uma das melhores lojas de produtos naturais que já visitei, Sirius Produtos Naturais e Farmácia de ManipulaçãoPreços tão competitivos quanto os do Rio, com variedade maior. Trouxe a mini coleção de manteiguinhas vegetais da Bioporã e da Monama, que se encontra aqui no Rio em tamanhos variados. Levei também o brigadeiro de colher corretíssimo e pouco doce da Bianca Simões, sem glúten, lactose, soja, transgênicos nem sacarose. Em leite vegetal de castanhas, leite vegetal de arroz, cacau em pó e manteiga de cacau. Perecível, não dá para trazer na mala, foi meu jantar enquanto trabalhava da cama do hotel. Muito bom, raspei o pote.
Todas as manteigas de castanhas, assim como versões lac-sugar free de Nutella, podem ser feitos em casa, comprando tudo orgânico e a granel, sem sacarose refinada. As receitas vêm mais abaixo.





Bombinhas, SC. Fui esperando muito e também não morri de amores. Tem projeto de manutenção da restinga como todo o litoral e uns bares transados que só abrem no verão, quando lota de argentinos. De lá, trouxe duas coisas boas, além dos passeios pelas praias vazias de hermanos, o xampu sólido da curitibana Cativa, comprado numa loja moderna e descolada apenas de produtos de beleza orgânicos, Armazém da Pele, que vende até primer e máscara (rímel) orgânico e jantei um hambúrguer gourmet com o chope artesanal de São João Batista, SC, que estava realmente ótimo, em O Alquimista Burguer. As fotos desse jantar não saíram, estava muito escuro no bar, que é todo em contêiner.
























Itajaí e Navegantes, SC. Eu adoro as duas cidades, que lembram Rio-Niterói na sua relação. 
Cabeçudas e o Farol do Atalaia, ambos em Itajaí, SC. Os melhores exemplos de restinga preservada, construções seguras a beira mar, entrada de baía protegida para pequenas embarcações e entorno portuário e urbanístico em harmonia, onde as praias continuaram com qualidade da água apropriada.





 














No Centro de Itajaí, obrigatório para quem gosta de Escolas de Música, Dança e Teatro, Casa da Cultura Dide BrandãoOnde tomei café da manhã com as bananas passa em banho de chocolate compradas a granel na loja de produtos naturais mais completa da cidade (e das maiores do país), Casa das Ervas. Uma parede imensa com todas as ervas, especiarias e frutas secas que você imaginar. Na outra, apenas prateleiras a perder de vista com panelas de barro, ferro e pedra sabão, além de artefatos para culinária japonesa. De enlouquecer.














O empório orgânico imenso e perfeito, melhor do que os do Rio, Armazém do Galo. Vendiam de tudo orgânico, até avocado, abacaxi e maracujá frescos. Além de todos os produtos que se imaginar. Moderno, charmoso e descolado. Na vitrine, panelas Le Creuset, especiarias orgânicas e pés de moranguinho plantados num vaso de pet. Chique.






















No Mercado Municipal de Itajaí, de cara para o porto, cercado daquelas lojas maravilhosas de camping, pesca e surf, pausa no fim da tarde para uma Diabólica, a premiada cerveja artesanal de Treze Tílias, SC.
A vocação do mercado é basicamente pesqueira, como seus restaurantes em volta evidenciam e encontra-se pescado incomum, como cação, meca, ostras, peixe sapo e emplastro.














O ferry boat para Navegantes, que também vale a visita. Até a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Navegantes é original, com um campanário em farol e uma imensa secretaria em formato de barco.






Surpresas da estrada:

Cidades grandes que impressionam até paulistas: Jaraguá do Sul e Criciúma, SC.

Outra cidade têxtil muito urbanizada e desenvolvida, tão bonita quanto Pomerode e melhor do que Brusque para se viver na minha opinião: Timbó, SC.
Um pouco menor, mas com boa infraestrutura, muito limpa e segura: Morro da Fumaça, SC

Apucarana, no interior do PR, é lindo, também me surpreendeu. A cidade, além de ter tudo (até um inusitado Bob´s) por ser a capital brasileira do boné, parece localizada em um vale de contos de fadas e é toda tomada por cerejeiras em flor, como no Japão. Há inclusive uma festa anual da florada da cerejeira, a Festa Anual da Cereja, que no caso deles, não dá fruto, só a florada.

Em Londrina, PR, a rodoviária me surpreendeu igualmente, coloca no chinelo a porcaria do Aeroporto de Macaé.
Projeto do Niemeyer, em formato de disco voador vermelho, cujo acesso se dá por escadas rolantes e tem a melhor casa de sucos naturais que já vi. Você pede um e vem outro de "chorinho". Novata e em jejum, comprei dois sabores diferentes, manga e caqui, e recebi quatro copos por R$20,00. Quem quiser, ainda por cima, pode pedir para adoçar o seu com leite condensado, que eu declinei naturalmente.
Então, você fica sentado num lugar limpíssimo, silencioso, seguro e sem qualquer sinal dos pedintes comuns em rodoviárias, cercado de frutas frescas expostas em gôndolas como num supermercado, se empanturrando de suco natural bem grosso, quase um sorvete, enquanto admira o jardim interno, que tem uma cabine telefônica vermelha envidraçada imitando as inglesas.
Outra curiosidade londrinense é um cinema ao ar livre em temperaturas abaixo de zero no principal e mais moderno shopping da cidade, para assistir de drive in como antigamente. Os carros ficam embaçados, é claro.
























O que eu queria ter feito e não rolou: 

Voltar em Garopaba e na Guarda, SC. Não deu tempo, fica para a próxima e nessa também já se vão quase 20 anos.

Conhecer o pessoal da Puma Ecoturismo & Aventura - Guabiruba, SC. Tive que vir embora um dia antes, foi trabalho e estrada em ritmo de corrida. Mas é incrível ver que uma cidadezinha mínima como Guabiruba, tem um grupo de pessoas tão ativo se reunindo para trilhar e explorar a natureza local, que é linda e tem antigas minas de ouro abandonadas.

A maior tirolesa urbana do país - em Ibirama, SC. Cheguei um dia antes da auditoria agendada só para atravessar a cidadezinha dependurada como havia visto no youtube. Chovia sem parar e a tirolesa não abriu. Faz parte. Fica para a próxima.
Outro cara foi, filmou e postou. Veja a alegria dele abaixo.





Já em casa no Rio:

Saudades do meu café da manhã diário nas duas capitais, Curitiba e Florianópolis, de pé nas barraquinhas de rua, uma cuia grande de canjica de milho a R$5,00 acompanhada de um copinho pequeno de vinho quente a R$3,00. Vendiam também bem baratinho pinhão e quase sempre uma sopa salgada tipo caldo com alguma carne, que eu preferi dispensar.


Na cozinha daqui de casa:

Caldo de feijão no gengibre com a costela da feira de rua de Florianópolis, porque carioca não come feijão carioquinha, come é feijão preto - nosso prato típico não é a feijoada à toa!






O pão de cará com milho, caseiro, de uma barraquinha qualquer na feira de rua de Floripa, tão bom quanto o de Domingos Martins, ES. Cheio das natas de Biguaçu e Rio Fortuna, SC, compradas num supermercado local.























A linguiça Blumenau (tombada como patrimônio), comprada na feira de rua de Floripa. A melhor que já comi, tem gosto de salaminho, mas muito mais suave. Só o cheiro dela é de acordar os cachorros da casa.
caldo de feijão da véspera, coado e batido no liquidificador com a costela desfiada e refogado no alho como tutu. Acompanhado da linguiça Blumenau e do pão de cará com milho, ambos da feira de rua de Florianópolis.


















O mesmo tipo de bolo comprado em Curitiba, PR, encontrei em Brusque e Itajaí, SC, nas lojinhas naturais citadas acima. Dessa vez, preferi levar na versão nega maluca (sem passas, castanhas ou coco, mas com muito cacau). É ainda mais gostoso. Dessa vez, não temperei com cravo e canela em pó como fiz no curitibano, mas com 1 sachê de café solúvel que havia ganho numa cafeteria de aeroporto e estava perdido na bolsa. Quem é parado num bolo de cacau, vale investir num bom café solúvel orgânico, dá um toque a mais nos bolos integrais de chocolate e basta uma colher de sopa média por receita. Mantive a proporção, 4 bananas e 4 ovos no lugar dos 3 de cada sugeridos pela embalagem. E assei em forma redonda, ficou muito melhor do que o primeiro.
Nas fotos abaixo, com a geleia de tangerina do Mosteiro do Encontro, comprada no Seminário Católico de Corupá. O restinho da geleia foi para se despedir no pão de cará com milho da feira de rua de Floripa, cheio das natas catarinenses do supermercado e canela em pó.





As manteigas de castanhas compradas em Brusque, em 2 versões: salgada e doce. A sofisticada manteiga de castanha de caju com ervas finas acompanhando antipasti de pimentão vermelho e amarelo no pão de centeio carioca, tipo kummel brot e, na versão doce, manteiga de amendoim (peanut butter) com cacau de Ilhéus (BA), recheando biscoitinhos orgânicos. Para comer biscoito recheado sem culpa!






"O Sul é o meu país", frase emblemática que intitula essa postagem, é o nome do movimento separatista local. Tem meu apoio incondicional. Acho uma arbitrariedade obrigar um grupo de pessoas a adotar qualquer nacionalidade. Pior, pagar 5 meses anuais de seus salários a um governo que não dá qualquer contrapartida a essa grana preta (que sai dos nossos bolsos). Segundo o site oficial do movimento, Brasília ficou com 80% dos impostos pagos pela Região só em 2015. Em Outubro, haverá referendo popular sobre a decisão de se separar do resto do país, a aprovação em pesquisa informal é de 75%.
Fico me perguntando se no dia em que um Estado qualquer dos mais de 20 dessa imensa República Federativa conseguir se separar, como os outros não se comportariam?
E São Paulo, que até uma guerra empreendeu para ser um Estado independente e já está com um pleito agendado também para o segundo semestre de 2016, justamente para sondar a população insatisfeita com a corrupção nacional?
Um outro Estado nordestino também está com referendo separatista agendado para esse anoPernambuco, o que me fez lembrar da bandeira paraibana, de tarja preta em luto com a inscrição "Nego" do verbo negar e cuja capital chama-se João Pessoa em homenagem ao opositor do Governo Federal, assassinado
Os movimentos separatistas brasileiros perdem a seriedade quando abordam questões subjetivas e polêmicas para tantas pessoas, como tradições culturais, raciais e históricas. Pior, quando se comparam aos Estados mais pobres do resto do país, o discurso chega a ser preconceituoso.
Na minha modesta opinião, se a discussão fosse focada na questão tributária e no custo da máquina pública com a corrupção da União, esses Estados já seriam independentes e controlariam de perto seus representantes, tendo muito mais agilidade e presteza nos processos de rastreamento das contas públicas, apuração e afastamento de responsáveis e culpados.
Indo um pouco mais longe, a quem interessa em Brasília que esse país afundado em corrupção seja um labirinto contábil, quando a descentralização traria mais transparência, por ser administrada localmente, e, com isso, toda essa aparelhagem da máquina pública (que nós arcamos) não faria sentido algum?
A primeira vez em que vi a imagem dos 3 Estados sulistas independentes, fiquei horrorizada, pensei em Skin Heads e numa suástica. Depois, lembrei do mapa mundi anarquista e entendi que essa questão pode ter muitas variáveis, até a Colônia Cecília.






Lendo outro grande livro, da trilogia de Laurentino Gomes sobre a História do Brasil, "1808", "1822" e "1889", não lembro ao certo em qual dos três, uma frase emblemática me veio à mente:
"As coisas por aqui não mudaram muito, os Caiado continuam mandando"
De um bilhete que entraria para a história, do então Alferes Espírito Santo Cardoso a sua família após a Proclamação da República. O Alferes tornaria-se General, Gal. Espírito Santo Cardoso (nome de rua aqui na Tijuca) e teve um neto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

Os Caiado continuam mandando, Ronaldo Caiado é Senador por Goiás e líder do DEM atualmente, já cumpriu meia dúzia de mandatos no legislativo, mas você deve lembrar dele mesmo é pela primeira eleição à Presidência depois da Ditadura, quando perdeu para outro filho bem nascido, Fernando Collor de Mello, atualmente Senador por Alagoas, ex-Deputado Federal, ex-Prefeito de Maceió e ex-Governador de Alagoas e claro, filho, neto e bisneto de políticos, como os ex-Senadores e Governadores Arnon Afonso de Farias Mello e Lindolfo Leopoldo Boeckel Collor, também é primo do atual Ministro do Supremo, Marco Aurélio de Mello, que por sua vez indicou para Ministra da Fazenda à época sua prima, a economista Zélia Cardoso de Mello.

Recentemente, vi o Brasil ter 3 presidentes em um único dia em razão de um outro impeachment por causa de pedaladas que deixariam de ser consideradas pedaladas dois dias depois. Um desses presidentes foi o Deputado Federal Rodrigo Maia, então Presidente da Câmara, que chegou a presidente de um país, apesar de não ter tido nem 3% dos votos quando candidatou-se à Prefeitura do Rio e é filho de César Maia, o ex-prefeito do Rio que mais tempo permaneceu no poder, 12 anos, e primo do Senador José Agripino Maia. A chapa de Rodrigo quando dessa candidatura fracassada à Prefeito, trazia uma vice interessante, a hoje Deputada Federal Clarissa Garotinho, filha de Antony e Rosinha Garotinho. O pai foi Prefeito de Campos (segunda capital do petróleo, atrás apenas de Macaé, onde administrava esses royalties que ninguém sabe no que foram investidos, já que Macaé e Campos parecem o Acre e não Dubai), Secretário de Agricultura do Estado RJ, Secretário de Estado do Estado RJ, Governador do RJ e o mais votado Deputado Federal pelo RJ, segundo mais votado do país na época. Também foi condenado por formação de quadrilha, quando a pena de dois anos e meio foi convertida em serviço comunitário. Hoje, é candidato à Vereador pelo Rio. Já a mãe foi apenas Prefeita de Campos (reeleita e onde também administra os royalties do Pré-Sal) e Governadora do Estado do RJ - num país imenso, mas onde o poder é centralizado e não muda de mãos, nem nos representa.




As receitas citadas na postagem, para você fazer igual em casa:
Pinhão
Cupuaçu
Vinho Quente
Nutella caseira
Manteiga de castanhas
Panetone Integral de Banana
Peanut Butter de tahine com melado
Caviar doméstico em ovas de tainha e Ceviche Panamenho
Caldos: a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Favas olho de cabra à moda portuguesa, com cenoura e linguiça
Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará
Pão de raízes em 2 versões: batata doce com cebola e inhame com coco e chocolate